terça-feira, 29 de junho de 2010
Nova foto
Como na foto anterior, a cara do guri não aparecia, coloquei uma nova - só do gurizinho, que é a cara do avô, é claro!
Creio no Deus Criador, mas não sou criacionista!
Parece uma contradição, não é? Afirmar que Deus criou o mundo e negar ser criacionista. Parece, mas não é. Por quê?
1. O criacionismo é um conceito teológico-filosófico que afirma duas coisas simultaneamente: (a) Deus criou o mundo; (b) Deus criou o mundo exatamente da maneira como a Bíblia descreve. Ao afirmar essas duas coisas simultaneamente, nega uma terceira: (c) Logo, o mundo não pode ter passado por um processo evolutivo. Em síntese, criacionismo é um conceito teo-filosófico desenhado para combater o evolucionismo;
2. Evolucionismo, tão ruim quanto o criacionismo. O evolucionismo também afirma duas coisas simultaneamente: (a) o mundo se desenvolveu a partir de um início muito simples para uma realidade bastante complexa; (b) esse desenvolvimento, evolutivo em sua natureza, não tem lógica, a não ser a do acaso. Conseqüentemente, o evolucionismo nega uma terceira crença: (c) Logo, o mundo não pode ter sido criado por um ser inteligente. Assim como o criacionismo é um conceito desenhado para combater o evolucionismo, este é um conceito filo-teológico criado para combater o criacionismo;
3. E daí? Daí que os dois estão redondamente enganados. Para ser mais exato, matematicamente falando, os dois estão errados em 2/3 dois terços de suas definições. Em ambos os casos, acertam apenas na letra (a), e erram nas letras (b) e (c). Do ponto de vista da fé cristã, afirmar que Deus criou o mundo é uma afirmação correta, mas afirmar que ele o criou exatamente da maneira como está descrito na Bíblia é errado - assim como negar a possibilidade de um mecanismo evolutivo. Do ponto de vista da ciência, afirmar que o mundo passa por um processo de desenvolvimento do simples para o complexo é correto (pelo menos por enquanto), mas afirmar que esse proceso é uma evolução é errado, posto que evolução é um conceito que pressupõe uma inteligência normativa - assim como é errado, cientificamente falando, negar a possibilidade de um ser inteligente ter criado o mundo;
4. Que quer dizer a Bíblia quando fala do Deus criador e descreve o ato criador? A pista começa, para cristãos, em Hebreus 11,3: "Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem". É "pela fé" e não "pela ciência" que afirmamos que Deus criou o mundo pela sua palavra. Com isto em mente, voltamos para Gênesis 1-2 e podemos nos livrar do dilema "criacionismo vs. evolucionismo). Como? Em Gn 1-2 não encontramos descrições de como Deus criou o mundo, mas descrições de para quê Deus criou o mundo. Deus criou o mundo para que o ser humano cuidasse do mundo assim como Deus cuida do ser humano. (Ponto Final!)
5. E a evolução? Ora, se Gn 1-2 não descreve como, mas para quê Deus criou o mundo, os cientistas têm terreno livre para tentar descrever como o mundo chegou a ser o que é. E o evolucionismo? Bem, aí a coisa muda de figura, posto que o evolucionismo não só afirma como, mas também quer explicar para quê o mundo existe. Ao chegar a ese ponto, o evolucionismo deixa de ser ciência e se torna filosofia, moral, ou até mesmo religião. Não é à toa, então, que criacionistas e evolucionistas vivem brigando entre si - ambos consideram que têm o direito de explicar integralmente como & para quê o mundo existe;
6. Eu não quero entrar nessa briga, pois é uma briga errada. A briga boa, penso eu, junto com Richard Rorty, Gianni Vattimo, Charles Taylor e outros pensadores e pensadoras, tem a ver com os limites da religião e da ciência. A religião nos ajuda a explicar para quê o mundo existe e nós existimos nele. A ciência nos ajuda a explicar como o mundo existe e nós existimos nele. Quando ultrapassam esses limites, religião e ciência nos atrapalham. Quando ficam dentro desses limites e conversam uma com a outra, religião e ciência se ajudam e nos ajudam;
7. Creio, sim, em um Deus Criador. Creio, sim, que o mundo em que vivemos é fruto da ação de Deus. Por isso, aceito o trabalho de cientistas que se esforçam para explicar este mundo em que nós vivemos. Por isso, me esforço para entender e dizer a outras pessoas para quê vivemos neste mundo, dialogando com as ciências, com as filosofias, com as religiões. Por isso, não aceito que um cientista, supostamente cheio da autoridade da Verdade, me ensine para quê vivemos neste mundo. Por isso, não aceito que um teólogo, supostamente cheio da autoridade da Verdade, me ensine como este mundo existe. Por isso, não aceito que teólogos e cientistas briguem por motivos errados. Vale mais a pena conversar do que brigar, uma vez que nem teólogos, nem cientistas são capazes de oferecer respostas perfeitas e completas às importantes perguntas relativas ao como e ao para quê o mundo existe e nós existimos nele.
1. O criacionismo é um conceito teológico-filosófico que afirma duas coisas simultaneamente: (a) Deus criou o mundo; (b) Deus criou o mundo exatamente da maneira como a Bíblia descreve. Ao afirmar essas duas coisas simultaneamente, nega uma terceira: (c) Logo, o mundo não pode ter passado por um processo evolutivo. Em síntese, criacionismo é um conceito teo-filosófico desenhado para combater o evolucionismo;
2. Evolucionismo, tão ruim quanto o criacionismo. O evolucionismo também afirma duas coisas simultaneamente: (a) o mundo se desenvolveu a partir de um início muito simples para uma realidade bastante complexa; (b) esse desenvolvimento, evolutivo em sua natureza, não tem lógica, a não ser a do acaso. Conseqüentemente, o evolucionismo nega uma terceira crença: (c) Logo, o mundo não pode ter sido criado por um ser inteligente. Assim como o criacionismo é um conceito desenhado para combater o evolucionismo, este é um conceito filo-teológico criado para combater o criacionismo;
3. E daí? Daí que os dois estão redondamente enganados. Para ser mais exato, matematicamente falando, os dois estão errados em 2/3 dois terços de suas definições. Em ambos os casos, acertam apenas na letra (a), e erram nas letras (b) e (c). Do ponto de vista da fé cristã, afirmar que Deus criou o mundo é uma afirmação correta, mas afirmar que ele o criou exatamente da maneira como está descrito na Bíblia é errado - assim como negar a possibilidade de um mecanismo evolutivo. Do ponto de vista da ciência, afirmar que o mundo passa por um processo de desenvolvimento do simples para o complexo é correto (pelo menos por enquanto), mas afirmar que esse proceso é uma evolução é errado, posto que evolução é um conceito que pressupõe uma inteligência normativa - assim como é errado, cientificamente falando, negar a possibilidade de um ser inteligente ter criado o mundo;
4. Que quer dizer a Bíblia quando fala do Deus criador e descreve o ato criador? A pista começa, para cristãos, em Hebreus 11,3: "Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem". É "pela fé" e não "pela ciência" que afirmamos que Deus criou o mundo pela sua palavra. Com isto em mente, voltamos para Gênesis 1-2 e podemos nos livrar do dilema "criacionismo vs. evolucionismo). Como? Em Gn 1-2 não encontramos descrições de como Deus criou o mundo, mas descrições de para quê Deus criou o mundo. Deus criou o mundo para que o ser humano cuidasse do mundo assim como Deus cuida do ser humano. (Ponto Final!)
5. E a evolução? Ora, se Gn 1-2 não descreve como, mas para quê Deus criou o mundo, os cientistas têm terreno livre para tentar descrever como o mundo chegou a ser o que é. E o evolucionismo? Bem, aí a coisa muda de figura, posto que o evolucionismo não só afirma como, mas também quer explicar para quê o mundo existe. Ao chegar a ese ponto, o evolucionismo deixa de ser ciência e se torna filosofia, moral, ou até mesmo religião. Não é à toa, então, que criacionistas e evolucionistas vivem brigando entre si - ambos consideram que têm o direito de explicar integralmente como & para quê o mundo existe;
6. Eu não quero entrar nessa briga, pois é uma briga errada. A briga boa, penso eu, junto com Richard Rorty, Gianni Vattimo, Charles Taylor e outros pensadores e pensadoras, tem a ver com os limites da religião e da ciência. A religião nos ajuda a explicar para quê o mundo existe e nós existimos nele. A ciência nos ajuda a explicar como o mundo existe e nós existimos nele. Quando ultrapassam esses limites, religião e ciência nos atrapalham. Quando ficam dentro desses limites e conversam uma com a outra, religião e ciência se ajudam e nos ajudam;
7. Creio, sim, em um Deus Criador. Creio, sim, que o mundo em que vivemos é fruto da ação de Deus. Por isso, aceito o trabalho de cientistas que se esforçam para explicar este mundo em que nós vivemos. Por isso, me esforço para entender e dizer a outras pessoas para quê vivemos neste mundo, dialogando com as ciências, com as filosofias, com as religiões. Por isso, não aceito que um cientista, supostamente cheio da autoridade da Verdade, me ensine para quê vivemos neste mundo. Por isso, não aceito que um teólogo, supostamente cheio da autoridade da Verdade, me ensine como este mundo existe. Por isso, não aceito que teólogos e cientistas briguem por motivos errados. Vale mais a pena conversar do que brigar, uma vez que nem teólogos, nem cientistas são capazes de oferecer respostas perfeitas e completas às importantes perguntas relativas ao como e ao para quê o mundo existe e nós existimos nele.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Religião e Ética, de novo
Uma semana sem postar - muito trabalho e muitos problemas com vírus (informáticos) e arquivos infectados ... Os imprevistos e as rotinas do dia-a-dia também atrapalham a disposição blogueirante.
Mas, vamos lá. Problemas informáticos à parte, que são de solução relativamente simples, na última postagem comecei a tratar de um problema bem mais complicado e de solução muito difícil, senão impossível. Para muitos praticantes da religião, o que realmente importa é o rito, o culto, ou o êxtase, a emoção, a interioridade. São esses que eu chamei de "espirituais", mas poderia chamar de subjetivistas, interioristas, intimistas, ou coisa semelhante. Para esse tipo de experiência religiosa, a relação com a ética é de radical distinção. Religião é uma coisa, ética é outra. A religião e a ética ficam em compartimentos separados do cérebro e do resto do corpo também. Possuem fontes diferentes e seguem caminhos diferentes. Por isso, é relativamente comum que tais religiosos sejam eticamente inconseqüentes. Apesar de autores e autoras que afirmam ser a ética predominantemente uma questão de decisões emocionais, penso e vejo a ética (minha e de outros)como uma prática predominantemente argumentativa, ou racional - seja uma racionalidade meramente instrumental (o mais curto caminho para conseguir o objetivo desejado), sejam outros tipos de racionalidade, mais abrangentes, mais amplos. Como a experiência religiosa drena a maior parte das energias para o investimento emocional, faltam forças para a reflexão ética que, passa, então, a ser subordinada à emoção religiosa. A religião ajuda a lidar com o stress do dia-a-dia, gerando um mundo virtual de bênçãos e maldições, de modo que a energia investida na religião acaba por se traduzir em "lucros" materiais e éticos - lucros virtuais ou reais.
A ética cristã "padrão", por outro lado, não segue um caminho distinto do da experiência religiosa cristã. Por quê? Porque a experiência religiosa cristã "neo-testamentária" é eminentemente pessoal e se constitui de fidelidade e amor (a Deus e ao próximo e a mim-mesmo). O problema a ser enfrentado pelos crentes cristãos é o da doutrina milenar das igrejas, que afirma que a experiência religiosa cristã é, eminentemente, de crença e obediência (à instituição mediadora da experiência). Os "espirituais" apenas trocaram a crença pela emoção, e a obediência passou a ser dirigida ao "agente do sagrado" mais próximo do crente - pastor, padre, santo, freira, bispo, apóstolo, ou seja qual for o nome ou título do mediador da experiência.
O desafio, então, é recanalizar nossa busca e nossas energias religiosas para a relação pessoal com Deus, mediante a relação pessoal com o próximo e comigo mesmo. A mediação da relação com Deus, então, não é mais a doutrina, nem a emoção, mas a fidelidade amorosa e o amor fiel ao Outro como Próximo e ao Si-Mesmo como Outro (Paul Ricoeur). Pode parecer uma descrição "humanista" ou "secularista" da fe cristã, mas não é. Veja os seguintes textos bíblicos: "se vos amardes uns aos outros como eu (Jesus) vos amei, todos saberão que sois meus discípulos" (João 13,34-35); ou "se alguém diz: 'Eu amo a Deus', e odeia seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu" (I João 4,20-21), ou "Mas dirá alguém: 'Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras" (Tiago 2,18); ou, para não dizer que não citei Paulo: "Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás a teu próximo como a ti mesmo" (Gálatas 5,14), ou "Porque no Messias Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor" (Gálatas 5,6).
Só assim, pelo menos na visão cristã neotestamentária, religião e ética caminham juntas - no caminho do amor ao próximo.
Mas, vamos lá. Problemas informáticos à parte, que são de solução relativamente simples, na última postagem comecei a tratar de um problema bem mais complicado e de solução muito difícil, senão impossível. Para muitos praticantes da religião, o que realmente importa é o rito, o culto, ou o êxtase, a emoção, a interioridade. São esses que eu chamei de "espirituais", mas poderia chamar de subjetivistas, interioristas, intimistas, ou coisa semelhante. Para esse tipo de experiência religiosa, a relação com a ética é de radical distinção. Religião é uma coisa, ética é outra. A religião e a ética ficam em compartimentos separados do cérebro e do resto do corpo também. Possuem fontes diferentes e seguem caminhos diferentes. Por isso, é relativamente comum que tais religiosos sejam eticamente inconseqüentes. Apesar de autores e autoras que afirmam ser a ética predominantemente uma questão de decisões emocionais, penso e vejo a ética (minha e de outros)como uma prática predominantemente argumentativa, ou racional - seja uma racionalidade meramente instrumental (o mais curto caminho para conseguir o objetivo desejado), sejam outros tipos de racionalidade, mais abrangentes, mais amplos. Como a experiência religiosa drena a maior parte das energias para o investimento emocional, faltam forças para a reflexão ética que, passa, então, a ser subordinada à emoção religiosa. A religião ajuda a lidar com o stress do dia-a-dia, gerando um mundo virtual de bênçãos e maldições, de modo que a energia investida na religião acaba por se traduzir em "lucros" materiais e éticos - lucros virtuais ou reais.
A ética cristã "padrão", por outro lado, não segue um caminho distinto do da experiência religiosa cristã. Por quê? Porque a experiência religiosa cristã "neo-testamentária" é eminentemente pessoal e se constitui de fidelidade e amor (a Deus e ao próximo e a mim-mesmo). O problema a ser enfrentado pelos crentes cristãos é o da doutrina milenar das igrejas, que afirma que a experiência religiosa cristã é, eminentemente, de crença e obediência (à instituição mediadora da experiência). Os "espirituais" apenas trocaram a crença pela emoção, e a obediência passou a ser dirigida ao "agente do sagrado" mais próximo do crente - pastor, padre, santo, freira, bispo, apóstolo, ou seja qual for o nome ou título do mediador da experiência.
O desafio, então, é recanalizar nossa busca e nossas energias religiosas para a relação pessoal com Deus, mediante a relação pessoal com o próximo e comigo mesmo. A mediação da relação com Deus, então, não é mais a doutrina, nem a emoção, mas a fidelidade amorosa e o amor fiel ao Outro como Próximo e ao Si-Mesmo como Outro (Paul Ricoeur). Pode parecer uma descrição "humanista" ou "secularista" da fe cristã, mas não é. Veja os seguintes textos bíblicos: "se vos amardes uns aos outros como eu (Jesus) vos amei, todos saberão que sois meus discípulos" (João 13,34-35); ou "se alguém diz: 'Eu amo a Deus', e odeia seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu" (I João 4,20-21), ou "Mas dirá alguém: 'Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras" (Tiago 2,18); ou, para não dizer que não citei Paulo: "Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás a teu próximo como a ti mesmo" (Gálatas 5,14), ou "Porque no Messias Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor" (Gálatas 5,6).
Só assim, pelo menos na visão cristã neotestamentária, religião e ética caminham juntas - no caminho do amor ao próximo.
domingo, 6 de junho de 2010
Religião e Ética
Há muitos discursos anti-religiosos hoje em dia. A maior parte deles se baseia em simples preconceito, ora pessoal, ora intelectual - preconceito que podemos traçar pelo menos até as origens da Modernidade, quando por justas razões se criticava a instituição eclesiástica alinhada com os governos imperiais, o que se chama até hoje de Cristandade e é uma mancha terrível no Cristianismo. Justas razões servem, também, para encobrir más atitudes e o preconceito anti-religioso é uma dessas má atitudes encobertas por boas razões. Mas, deixo de lado o preconceito anti-religioso. Não gosto de defender as religiões, seja porque elas não precisam de defensores, seja porque há tanta pluralidade no campo religioso, inclusive dentro de grandes instituições religiosas, que defender ou atacar a religião, ou as religiões, sempre recairá em um generalismo inconseqüente.
Meu tema é outro. Um discurso apologético das religiões é o que afirma que a prática religiosa torna as pessoas mais éticas, mais conscientes da sua culpa, mais abertas à correção de seus próprios rumos. Bem, por um lado, conheço várias pessoas em relação às quais tais afirmações tenham validade - mas também conheço bem mais gente para as quais não têm.
Uma variante desse discurso apologético se dá no âmbito interno da disputa entre denominações cristãs. Uma disputa antiga e que, até onde consigo enxergar, não cessará tão cedo, ou mesmo jamais cessará. Mencionarei apenas uma dessas disputas, a disputa entre "espirituais" e "doutrinários". Evito os termos mais comuns dessa disputa "pentecostais" versus "tradicionais", exatamente por causa do generalismo perigoso que tais termos acarretam, como se todos os pentecostais fossem iguais e todos os tradicionais idem.
A questão, a meu ver, é que no âmbito do Cristianismo há, recorrentemente, uma disputa entre pessoas e instituições que assumem ser mais espirituais do que outras pessoas e instituições. O problema é que tais pessoas "mais espirituais" definem a espiritualidade a partir de sua própria experiência religiosa, que se torna o padrão para julgar outras pessoas e instituições.
Infelizmente, porém, dia após dia indícios de que tal espiritualidade superior não é compatível com a fé cristã se avolumam. Ser cristão não é uma questão de "experiência", ou de "espiritualidade" mas de amor ao próximo e integridade pessoal e institucional. De nada adiantam experiências fantásticas, êxtases cúlticos, fervores na oração, etc., se tais não se fazem acompanhar de amor e integridade. De fato, sem amor e integridade só nos restam desculpas e discursos auto-apologéticos e acusatórios contra os que não são como nós.
Precisamos reinventar o padrão da espiritualidade cristã, a partir da simplicidade do amor e da integridade (que não é sinônimo de perfeição!). Religião e ética não caminham juntas automaticamente, especialmente no Cristianismo. Ser cristão implica em diariamente enfrentar o desafio de caminhar em amor e integridade, porque cristãs e cristãos sabem que são "pecadores", ou seja, são pessoas que normalmente não caminham em amor e integridade, e sabem que não basta ter uma "experiência" espiritual fantástica na vida para deixarmos de ser o que somos.
Uma vez pecador, sempre pecador. A única diferença entre as pessoas é que algumas dentre as pecadoras assumem sua pecaminosidade e a enfrentam com amor e integridade. Outras, ou não a assumem, ou a enfrentam com "espiritualidade". Se você preferir linguagem religiosa, umas assumem o caminho do Messias Jesus, outras não. Mas só um lembrete: o caminho do Messias Jesus não é o caminho das Igrejas e das "espiritualidades" ...
Meu tema é outro. Um discurso apologético das religiões é o que afirma que a prática religiosa torna as pessoas mais éticas, mais conscientes da sua culpa, mais abertas à correção de seus próprios rumos. Bem, por um lado, conheço várias pessoas em relação às quais tais afirmações tenham validade - mas também conheço bem mais gente para as quais não têm.
Uma variante desse discurso apologético se dá no âmbito interno da disputa entre denominações cristãs. Uma disputa antiga e que, até onde consigo enxergar, não cessará tão cedo, ou mesmo jamais cessará. Mencionarei apenas uma dessas disputas, a disputa entre "espirituais" e "doutrinários". Evito os termos mais comuns dessa disputa "pentecostais" versus "tradicionais", exatamente por causa do generalismo perigoso que tais termos acarretam, como se todos os pentecostais fossem iguais e todos os tradicionais idem.
A questão, a meu ver, é que no âmbito do Cristianismo há, recorrentemente, uma disputa entre pessoas e instituições que assumem ser mais espirituais do que outras pessoas e instituições. O problema é que tais pessoas "mais espirituais" definem a espiritualidade a partir de sua própria experiência religiosa, que se torna o padrão para julgar outras pessoas e instituições.
Infelizmente, porém, dia após dia indícios de que tal espiritualidade superior não é compatível com a fé cristã se avolumam. Ser cristão não é uma questão de "experiência", ou de "espiritualidade" mas de amor ao próximo e integridade pessoal e institucional. De nada adiantam experiências fantásticas, êxtases cúlticos, fervores na oração, etc., se tais não se fazem acompanhar de amor e integridade. De fato, sem amor e integridade só nos restam desculpas e discursos auto-apologéticos e acusatórios contra os que não são como nós.
Precisamos reinventar o padrão da espiritualidade cristã, a partir da simplicidade do amor e da integridade (que não é sinônimo de perfeição!). Religião e ética não caminham juntas automaticamente, especialmente no Cristianismo. Ser cristão implica em diariamente enfrentar o desafio de caminhar em amor e integridade, porque cristãs e cristãos sabem que são "pecadores", ou seja, são pessoas que normalmente não caminham em amor e integridade, e sabem que não basta ter uma "experiência" espiritual fantástica na vida para deixarmos de ser o que somos.
Uma vez pecador, sempre pecador. A única diferença entre as pessoas é que algumas dentre as pecadoras assumem sua pecaminosidade e a enfrentam com amor e integridade. Outras, ou não a assumem, ou a enfrentam com "espiritualidade". Se você preferir linguagem religiosa, umas assumem o caminho do Messias Jesus, outras não. Mas só um lembrete: o caminho do Messias Jesus não é o caminho das Igrejas e das "espiritualidades" ...
domingo, 30 de maio de 2010
"Foi a vontade de Deus!"; "Deus levou para um lugar melhor!"
Tem razão, as sentenças do título pertencem a um velório ou enterro. Nunca me conformei com esse sentimento fatalista. Depois que comecei a estudar teologia fui descobrindo o modo fundamentalista desse sentimento: a onipotência de Deus, entendida de modo tão mecânico que que, de um jeito ou de outro, tudo o que acontece tem nele a sua causa última. Essa idéia tem suas variações, tanto no meio acadêmico, quanto no fundamentalista, quanto nos ambientes eclesiais. A forma mais comum de lider com essa forma mecânica de onipotência divina tem sido a de atribuir a Deus distintos graus de vontade: determinativa, ordenativa, permissiva e semelhantes. Especialmente esta última tem servido de explicação satisfatória para muita gente. Por quê? Porque em certo sentido ela isenta deus de responsabilidade pelo sofrimento humano - ele só permitiu - ao mesmo tempo que mantém sua onipotência. Por outro lado, garante uma boa dose de "livre-arbítrio" temperada com culpa para o ser humano. No final, todo mundo ganha - exceto quem sofre, é claro!
Essa visão da divindade é muito mais próxima da do filósofo Aristóteles do que das escrituras judaico-cristãs. É claro que o casamento entre filosofia e teologia, em seus modos metafísicos: tudo se explica a partir de uma única causa, tudo subsiste como uma grande unidade ontológica (de natureza ou essência), tudo se explica a partir de uma única e verdadeira explicação racional-especulativa (não-científica, mas filosófica ou teológica) tem durado por séculos. Heidegger foi um dos filósofos que descreveu criticamente esse casamento e chamou essa família de ontoteologia - literalmente, teologia do ser ou, para brincar com as palavras, ser da teologia; ou teologia filosófica ou, ainda, filosofia teológica. Seja como for, essa visão de Deus tem assombrado as igrejas cristãs até hoje, e pior, tem feito parte das doutrinas oficiais e dos dogmas de várias (se não de todas).
Se queremos encontrar explicações teológicas cristãs para o sofrimento, porém, temos de abandonar essa concepção metafísica e mecânica da divindade. O deus de quem a escritura dá testemunho é radicalmente diferente dessa imagem ontoteológica. Na escritura, deus é tão poderoso quanto fraco, tão racional quanto emotivo, tão fiel quanto imprevisível. A pessoalidade atribuída a deus na escritura, conquanto não possa ser interpretada literalmente, afasta completamente qualquer possibilidade de descrever deus em termos metafísicos, mecânicos ou estáticos. Como pode ser todo-poderoso um deus que morre na cruz? Como pode ser todo-poderoso um deus que chora e sofre com a dor de sua criação? Como pode ser todo-poderoso um deus apaixonado e apaixonante?
A atribuição a deus de qualidades iniciadas com "oni-" (potência, presença, etc.) só gera confusão conceitual ao lado de uma muleta emocional para nós, seres humanos, que não sabemos assumir a nossa finitude. Deus é in-finito, de modo que seria menos complicado, talvez, que falássemos dele como in-potente, in-presente, in-sciente, in-... Fica esquisito, não é? Mas é melhor ser esquisito do que descrever deus de formas antagônicas ao seu agir testemunhado na escritura e experimentado por inúmeras pessoas, em várias culturas, em todos os tempos.
Se eu fosse usar o prefixo oni- para Deus só conseguiria falar dele como oni-amante, oni-misericordioso, oni-fiel, oni-gracioso, oni-amigo. Mas, pensando melhor, também para essas qualificações eu deveria usar o prefixo in. In-misericordioso, in-amante, in-gracioso, in-fiel (sic!). Aí a coisa complica. "In" é um prefixo privativo, a partir do qual só se pode fazer uma teologia negativa. Que tal, então, in-oni-potente, in-oni-sciente, etc.?
Uma última elucubração. E se assumirmos o prefixo "in" como um prefixo de parceria, de localização interna (in-tímo, in-terior, in-terno, etc.)? Ora, então, se uma criança morre antes da hora, deus morre também com ela. Se o Haiti é arrasado por furacões e ondas, deus fica desabrigado também. Se tsunamis arrasam as costas de ilhas e outras terras não-cristãs, deus se afoga junto com elas. Mas se deus não é nosso hiper-super-herói, para que crer nele? Complicado demais, não é?
No final das contas, é melhor amar a deus do que tentar explicá-lo. Ora, se um cônjuge jamais consegue entender seu par ou sua ímpar, por que deveríamos ser capazes de entender e explicar deus?
Essa visão da divindade é muito mais próxima da do filósofo Aristóteles do que das escrituras judaico-cristãs. É claro que o casamento entre filosofia e teologia, em seus modos metafísicos: tudo se explica a partir de uma única causa, tudo subsiste como uma grande unidade ontológica (de natureza ou essência), tudo se explica a partir de uma única e verdadeira explicação racional-especulativa (não-científica, mas filosófica ou teológica) tem durado por séculos. Heidegger foi um dos filósofos que descreveu criticamente esse casamento e chamou essa família de ontoteologia - literalmente, teologia do ser ou, para brincar com as palavras, ser da teologia; ou teologia filosófica ou, ainda, filosofia teológica. Seja como for, essa visão de Deus tem assombrado as igrejas cristãs até hoje, e pior, tem feito parte das doutrinas oficiais e dos dogmas de várias (se não de todas).
Se queremos encontrar explicações teológicas cristãs para o sofrimento, porém, temos de abandonar essa concepção metafísica e mecânica da divindade. O deus de quem a escritura dá testemunho é radicalmente diferente dessa imagem ontoteológica. Na escritura, deus é tão poderoso quanto fraco, tão racional quanto emotivo, tão fiel quanto imprevisível. A pessoalidade atribuída a deus na escritura, conquanto não possa ser interpretada literalmente, afasta completamente qualquer possibilidade de descrever deus em termos metafísicos, mecânicos ou estáticos. Como pode ser todo-poderoso um deus que morre na cruz? Como pode ser todo-poderoso um deus que chora e sofre com a dor de sua criação? Como pode ser todo-poderoso um deus apaixonado e apaixonante?
A atribuição a deus de qualidades iniciadas com "oni-" (potência, presença, etc.) só gera confusão conceitual ao lado de uma muleta emocional para nós, seres humanos, que não sabemos assumir a nossa finitude. Deus é in-finito, de modo que seria menos complicado, talvez, que falássemos dele como in-potente, in-presente, in-sciente, in-... Fica esquisito, não é? Mas é melhor ser esquisito do que descrever deus de formas antagônicas ao seu agir testemunhado na escritura e experimentado por inúmeras pessoas, em várias culturas, em todos os tempos.
Se eu fosse usar o prefixo oni- para Deus só conseguiria falar dele como oni-amante, oni-misericordioso, oni-fiel, oni-gracioso, oni-amigo. Mas, pensando melhor, também para essas qualificações eu deveria usar o prefixo in. In-misericordioso, in-amante, in-gracioso, in-fiel (sic!). Aí a coisa complica. "In" é um prefixo privativo, a partir do qual só se pode fazer uma teologia negativa. Que tal, então, in-oni-potente, in-oni-sciente, etc.?
Uma última elucubração. E se assumirmos o prefixo "in" como um prefixo de parceria, de localização interna (in-tímo, in-terior, in-terno, etc.)? Ora, então, se uma criança morre antes da hora, deus morre também com ela. Se o Haiti é arrasado por furacões e ondas, deus fica desabrigado também. Se tsunamis arrasam as costas de ilhas e outras terras não-cristãs, deus se afoga junto com elas. Mas se deus não é nosso hiper-super-herói, para que crer nele? Complicado demais, não é?
No final das contas, é melhor amar a deus do que tentar explicá-lo. Ora, se um cônjuge jamais consegue entender seu par ou sua ímpar, por que deveríamos ser capazes de entender e explicar deus?
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Vida sintética
Jornais de todo o mundo repercutem a nota divulgada por J. Craig Venter sobre o sucesso dele e sua equipe na criação de um genoma a partir do qual produziu uma célula auto-replicante.
Em inglês, a nota dos cientistas: "We report the design, synthesis, and assembly of the 1.08-Mbp Mycoplasma mycoides JCVI-syn1.0 genome starting from digitized genome sequence information and its transplantation into a Mycoplasma capricolum recipient cell to create new Mycoplasma mycoides cells that are controlled only by the synthetic chromosome. The only DNA in the cells is the designed synthetic DNA sequence, including "watermark" sequences and other designed gene deletions and polymorphisms, and mutations acquired during the building process. The new cells have expected phenotypic properties and are capable of continuous self-replication." (http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/science.1190719). A tradução é mais ou menos a seguinte (como não sou especialista em biologia, não posso garantir a correção da tradução de termos técnicos): "Relatamos o desenho, síntese e reunião do genoma 1.08-Mbp Mycoplasma mycoides JCVI-syn1.0 a partir da informação digitalizada da seqüência-genoma e seu transplante em uma célula recipiente Mycoplasma capricolum, para criar novas células micoides Mycoplasma que são controladas apenas pelo cromossoma sintético. O único DNA nas células é a seqüência sintética desenhada, incluindo seqüências "marca d'água" e outros polimorfismos e supressões de genes, bem como mutações adquiridas durante o processo de construção. As novas células têm as propriedades fenotípicas esperadas e são capazes de contínua auto-replicação."
Em outras palavras, a criação de formas não-naturais de vida em laboratório se concretizou nessa experiência que, certamente, será ponto-de-partida para vários outros experimentos. As implicaçoes éticas do experimento bem-sucedido já foram objeto de uma reunião no Congresso norte-americano, bem como suscitaram vários debates acadêmicos. Paul Rabinow, por exemplo, estudioso foucaultiano de antropologia e ética, afirmou: "este experimento certamente irá reconfigurar a imaginação ética" (21 MAY 2010 VOL 328 SCIENCE www.sciencemag.org). A discussão bio-ética em que o experimento mencionado está implicada já tem dado vários e significativos passos, ainda que em constante evolução e mutação.
Acrescento, irá reconfigurar também a imaginação teológica. A noção de vida tem sido usada por teólogos e eticistas cristãos para defender diversos postulados éticos no tocante a aborto, desenvolvimento sustentável, entre outros; bem como para indicar uma peculiaridade de Deus em relação ao ser humano - sua atividade como Criador. Embora o conceito teológico seja mais facilmente defensável, posto que Deus criou a partir do "nada", ou seja, não usou matéria pré-existente, várias de suas formulações terão de ser revistas.
Será que a teologia, mais uma vez, será a última a entrar pra valer nessa temática?
Em inglês, a nota dos cientistas: "We report the design, synthesis, and assembly of the 1.08-Mbp Mycoplasma mycoides JCVI-syn1.0 genome starting from digitized genome sequence information and its transplantation into a Mycoplasma capricolum recipient cell to create new Mycoplasma mycoides cells that are controlled only by the synthetic chromosome. The only DNA in the cells is the designed synthetic DNA sequence, including "watermark" sequences and other designed gene deletions and polymorphisms, and mutations acquired during the building process. The new cells have expected phenotypic properties and are capable of continuous self-replication." (http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/science.1190719). A tradução é mais ou menos a seguinte (como não sou especialista em biologia, não posso garantir a correção da tradução de termos técnicos): "Relatamos o desenho, síntese e reunião do genoma 1.08-Mbp Mycoplasma mycoides JCVI-syn1.0 a partir da informação digitalizada da seqüência-genoma e seu transplante em uma célula recipiente Mycoplasma capricolum, para criar novas células micoides Mycoplasma que são controladas apenas pelo cromossoma sintético. O único DNA nas células é a seqüência sintética desenhada, incluindo seqüências "marca d'água" e outros polimorfismos e supressões de genes, bem como mutações adquiridas durante o processo de construção. As novas células têm as propriedades fenotípicas esperadas e são capazes de contínua auto-replicação."
Em outras palavras, a criação de formas não-naturais de vida em laboratório se concretizou nessa experiência que, certamente, será ponto-de-partida para vários outros experimentos. As implicaçoes éticas do experimento bem-sucedido já foram objeto de uma reunião no Congresso norte-americano, bem como suscitaram vários debates acadêmicos. Paul Rabinow, por exemplo, estudioso foucaultiano de antropologia e ética, afirmou: "este experimento certamente irá reconfigurar a imaginação ética" (21 MAY 2010 VOL 328 SCIENCE www.sciencemag.org). A discussão bio-ética em que o experimento mencionado está implicada já tem dado vários e significativos passos, ainda que em constante evolução e mutação.
Acrescento, irá reconfigurar também a imaginação teológica. A noção de vida tem sido usada por teólogos e eticistas cristãos para defender diversos postulados éticos no tocante a aborto, desenvolvimento sustentável, entre outros; bem como para indicar uma peculiaridade de Deus em relação ao ser humano - sua atividade como Criador. Embora o conceito teológico seja mais facilmente defensável, posto que Deus criou a partir do "nada", ou seja, não usou matéria pré-existente, várias de suas formulações terão de ser revistas.
Será que a teologia, mais uma vez, será a última a entrar pra valer nessa temática?
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Bem & Mal - um dualismo teimosamente persistente
Lembro-me de filmes e seriados que assistia em minha infância - Zorro, Bonanza, National Kid, Túnel do Tempo (WOW, que desfile de velharias...). Assisto filmes e seriados ainda hoje em dia, tipo, NCIS, Criminal Minds, CSI, etc. O mesmo vale para novelas e seriados nacionais.
Um abismo tecnológico separa esses dois momentos da televisão. Entretanto, do ponto de vista da visão de mundo, quase tudo continua como dantes. O dualismo, ou maniqueísmo ético ainda me impressiona e me espanta. Sua persistência é teimosa, ou sua teimosia é persistente. Maniqueísmo que é reforçado pelos pseudo-jornalísticos programas "policiais" dos Datenas da vida.
Tudo é muito simples: no mundo há gente boa e gente ruim. Mocinhos e Bandidos. Mocinhas e Bandidas. Você se identifica com os(as) mocinhas(os) e demoniza as(os) bandidos(as). Fácil. Tudo se resolve num piscar de olhos. Bandidagem pra cadeia e, quem sabe, até uma penazinha de morte não seria bemvinda?
Infleizmente, galera (ainda se usa esta gíria?), as coisas não são bem assim. Bandidagem é uma característica de todos e de todas nós. Na linguagem do apóstolo Paulo, o "velho ser" continua vivinho em cada pessoa, dando suas cartas, jogando com o "novo ser", tensionando a nossa existência momento após momento. Na maioria das vezes conseguimos restringir a nossa própria bandidagem a limites socialmente aceitáveis. Muita gente, porém, gosta de ultrapassar limites, ou não tem sequer alternativa, a não ser ultrapassar os limites do socialmente aceitável.
Solução? Não tenho! Lição: aprendi que podemos viver sob essa permanente tensão reprimindo a nossa bandidagem com alguma eficácia, especialmente quando aceitamos nossa finitude e permitimos, pela fé, que Deus entre no jogo.
Advertência: Deus não é o gênio da lâmpda mágica de Aladim, nem o Eraser (do filme estrelado pelo grandioso e injustamente ainda não premiado pelo Oscar de melhor ator) Arnold Schwarzenegger. Deus não mata o(a) bandido(a) dentro de nós. Deus prefere energizar a(o) mocinha(o) e mandar um recadinho: "se vira"!
Um abismo tecnológico separa esses dois momentos da televisão. Entretanto, do ponto de vista da visão de mundo, quase tudo continua como dantes. O dualismo, ou maniqueísmo ético ainda me impressiona e me espanta. Sua persistência é teimosa, ou sua teimosia é persistente. Maniqueísmo que é reforçado pelos pseudo-jornalísticos programas "policiais" dos Datenas da vida.
Tudo é muito simples: no mundo há gente boa e gente ruim. Mocinhos e Bandidos. Mocinhas e Bandidas. Você se identifica com os(as) mocinhas(os) e demoniza as(os) bandidos(as). Fácil. Tudo se resolve num piscar de olhos. Bandidagem pra cadeia e, quem sabe, até uma penazinha de morte não seria bemvinda?
Infleizmente, galera (ainda se usa esta gíria?), as coisas não são bem assim. Bandidagem é uma característica de todos e de todas nós. Na linguagem do apóstolo Paulo, o "velho ser" continua vivinho em cada pessoa, dando suas cartas, jogando com o "novo ser", tensionando a nossa existência momento após momento. Na maioria das vezes conseguimos restringir a nossa própria bandidagem a limites socialmente aceitáveis. Muita gente, porém, gosta de ultrapassar limites, ou não tem sequer alternativa, a não ser ultrapassar os limites do socialmente aceitável.
Solução? Não tenho! Lição: aprendi que podemos viver sob essa permanente tensão reprimindo a nossa bandidagem com alguma eficácia, especialmente quando aceitamos nossa finitude e permitimos, pela fé, que Deus entre no jogo.
Advertência: Deus não é o gênio da lâmpda mágica de Aladim, nem o Eraser (do filme estrelado pelo grandioso e injustamente ainda não premiado pelo Oscar de melhor ator) Arnold Schwarzenegger. Deus não mata o(a) bandido(a) dentro de nós. Deus prefere energizar a(o) mocinha(o) e mandar um recadinho: "se vira"!
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