<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504</id><updated>2012-02-16T08:51:14.091-02:00</updated><title type='text'>Teologia Fraterna Latino-Americana</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>100</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5441398402046981012</id><published>2011-06-10T15:51:00.000-03:00</published><updated>2011-06-10T15:51:05.736-03:00</updated><title type='text'>Repressão Estatal - De volta!</title><content type='html'>A jovem democracia brasileira estava dando inúmeros sinais de amadurecimento nos últimos anos. Eleições em ordem, impeachment de eleitos, punição a corruptos (embora não a todos ...), diálogo do Estado com a sociedade, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, nos meses de maio e junho, atos de violenta repressão policial ocorreram contra movimentos populares, tais como a Marcha da Maconha, a ocupação de quartel do Corpo de Bombeiros no RJ, ocupação de prédios residenciais desocupados no ES,etc. Manutenção policial da ordem é um dever do Estado, sim, mas não pode se confundir com repressão violenta. Não se pode tratar manifestações democráticas - ainda que se possa questionar a eficácia e/ou a legalidade de alguns dos atos nessas manifestações - como se trata a criminosos (nem a criminosos se deveria tratar com violência, mas em um mundo real, esta acaba sendo um mal necessário). Quando o Estado reprime manifestações populares democráticas está dando um imenso passo atrás na consolidação e amadurecimento da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Democracia é um regime de governo que não nega a conflitividade social - reconhece-a e trata-a de acordo com a Lei e os princípios universais da dignidade humana. O monopólio estatal do uso legítimo da força não pode legitimar a prática da violência injustificada pelo Estado. Nossos governantes eleitos precisam aprender (ou reaprender) a lidar com a oposição popular, pois esta é uma das manifestações mais legítimas da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Democracia, mais do que forma de governo, é uma cultura de relações de poder. Uma cultura na qual governantes e governados não se relacionam com base na dominação, mas com base na justiça e na legalidade, subordinadas à liberdade e dignidade humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não venham os crentes usar Romanos 13 para justificar a repressão violenta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5441398402046981012?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5441398402046981012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/06/repressao-estatal-de-volta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5441398402046981012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5441398402046981012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/06/repressao-estatal-de-volta.html' title='Repressão Estatal - De volta!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4647140151697594816</id><published>2011-05-30T16:48:00.001-03:00</published><updated>2011-05-30T16:49:39.357-03:00</updated><title type='text'>Ainda a "Belíndia"</title><content type='html'>Em outras épocas se falava do Brasil como uma terra de extremos contrastes - com o bem-estar de uma Bélgica e a miséria de partes da Índia. Hoje em dia o termo "Belíndia" não faz muito sentido, até porque a Índia tem passado por importantes transformações sociais e econômicas. Todavia, o Brasil continua uma terra de contrastes imensos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, no Bom Dia Brasil, os apresentadores da Globo conversavam sobre a "nova classe média" brasileira (também denominada, no programa, de a nova classe "c"), que está adotando os padrões de consumo da 'elite". Diziam os globais que a nova classe média compra produtos de luxo com preço alto mas em prestações bem suaves, "bem" suaves "mesmo". Produtos de luxo, é claro, adaptados aos bolsos e gostos dessa tal de nova classe média, já que os produtos de "elite" permanecem inacessíveis aos mais comuns dentre os mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixemos de lado as imprecisões sócio-econômicas dos termos nova classe média e nova classe "c". A questão é: a partir do consumo um novo modo de contraste entre "ricos" e "pobres" se constitui em nosso país - as pessoas que gastam o que não têm para sentir o "gostinho" de ser rico e mostrar a aparência do sucesso - em contraste com a quase metade da população brasileira que continua vivendo na faixa da pobreza, só não morrendo de fome graças às políticas assistenciais do governo. Parte dessa população pobre, que conseguiu um pouquinho de ascensão sócio-econômica, ambém adota padrões de consumo das classes mais abastadas - tais como festinha de quinze anos, etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí a nova utopia do povo brasileiro: consumir "coisa de rico", mesmo sendo "pobre" ou "remediado". O pouco (ou muito) de ascensão sócio-econômica que se consegue não tem mais a ver com a busca de justiça social, mas com a busca de consumo, da identidade dos "bem de vida", em uma rendição incondicional aos padrões "mundanos" de vida social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma teologia frágil precisa ajudar a desmontar essa utopia forte do consumismo, em busca de uma nova e frágil utopia da justiça social - sem recair nas ideologias e ideologismos do passado recente, mas, acima de tudo, sem se render à mesmice burra e desumana do consumismo: a face "benigna" do capitalismo que continua mais selvagem do que nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4647140151697594816?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4647140151697594816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/ainda-belindia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4647140151697594816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4647140151697594816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/ainda-belindia.html' title='Ainda a &quot;Belíndia&quot;'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2915772487505218932</id><published>2011-05-25T14:02:00.000-03:00</published><updated>2011-05-25T14:02:02.468-03:00</updated><title type='text'>Teologia Frágil &amp; Pública</title><content type='html'>Com a chegada do Alessandro e do Ronaldo, nosso blog irá se concentrar cada vez mais na discussão teológica a partir da perspectiva da teologia frágil &amp; pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Frágil&lt;/i&gt;, porque uma teologia baseada na encarnação do Filho de Deus, um ato descrito por Paulo como de auto-esvaziamento, que mostrou como a fraqueza de Deus é mais poderosa do que os poderes terrestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Pública&lt;/i&gt;, porque uma teologia que não reflete sobre os temas privados da fé cristã, mas se arrisca a refletir e discutir sobre os temas públicos da vida em sociedade. Uma teologia que ouve e fala a diversos públicos: igreja, academia, sociedade, cultura ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Frágil&lt;/i&gt;, porque uma teologia situada e sitiada. Situada em localidades específicas – Vitória, Rio de Janeiro, Anápolis – espaços representativos da pluralidade brasileira. Sitiada por teologias e outros pensamentos fortes, poderosos, ortodoxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Pública&lt;/i&gt;, porque uma teologia aberta ao debate permanente, em defesa crítica da democracia que concretize os direitos das pessoas, dos animais e de toda a criação divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frágil &amp; Pública, porque &lt;i&gt;dialogal&lt;/i&gt;, de modo que não se deve esperar unanimidade em nossas reflexões e acordos em nossas discussões. Valorizamos a diferença e a alteridade, não como fins em si mesmas, mas como condições para a individualidade não egoísta e a identidade não uniforme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2915772487505218932?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2915772487505218932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/teologia-fragil-publica.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2915772487505218932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2915772487505218932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/teologia-fragil-publica.html' title='Teologia Frágil &amp; Pública'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5544357861011895885</id><published>2011-05-13T16:19:00.000-03:00</published><updated>2011-05-13T16:19:34.728-03:00</updated><title type='text'>Novos Parceiros</title><content type='html'>Para melhorar o blog e ampliar a discussão, a partir de hoje temos como novo parceiro o colega e amigo Alessandro Rocha, teólogo, autor de vários livros, companheiro de uma teologia inovadora. Em breve, se juntará a nós também o Ronaldo Cavalcante, teólogo e autor. Estamos organizando o novo jeito de trabalharmos em equipe e logo postaremos novas mensagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5544357861011895885?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5544357861011895885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/novos-parceiros.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5544357861011895885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5544357861011895885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/novos-parceiros.html' title='Novos Parceiros'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7440588208057846586</id><published>2011-05-07T16:11:00.000-03:00</published><updated>2011-05-07T16:11:14.213-03:00</updated><title type='text'>Uma vitória, também, do Cristianismo Autêntico</title><content type='html'>"Cristianismo Autêntico" - uso o termo de forma retórica, pois nada do que fazemos pode ser  definitivamente autêntico. "Autêntico", em comparação com o que está aí, predominando, crescendo e assustando ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vitória foi essa? Vitória de goleada, 10 a 0, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, contra a discriminação. Foi “&lt;i&gt;também&lt;/i&gt;” vitória do Cristianismo, pois podemos pegar carona na vitória da democracia e do movimento de defesa dos direitos das pessoas homoafetivas. Em cinco de maio de 2011, foi reconhecida a união estável de casais não heterossexualmente constituídos. Os direitos de cidadania foram restituídos a cidadãs e cidadãos brasileiros impedidos de exercê-los em função de sua opção sexual e identidade de gênero. No julgamento, a CNBB se fez representar (de modo legal, diga-se de passagem), e defendeu a posição contrária ao reconhecimento da união estável, fundada, basicamente, na preocupação de que tal aprovação seria a base do colapso da família. Se outras denominações cristãs tivessem feito o mesmo pedido de participação no julgamento, tenho certeza de que a maioria (talvez a totalidade??) se posicionaria juntamente com a Igreja Católica Apostólica Romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é assim, como afirmar que o resultado do julgamento foi uma vitória do cristianismo autêntico? Por que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. O Cristianismo Autêntico não é Cristandade, ou seja, está devidamente separado de modo institucional do Estado. É claro que separação institucional não significa ausência de relação. Que a CNBB tenha se representado no julgamento é algo positivo, pois reconhecimento (ou resignação) da separação institucional. Que o Supremo não tenha aceitado as ponderações da CNBB é algo ainda mais positivo, pois tais ponderações representam um retorno ao modelo de Cristandade. Na Cristandade, é a Igreja quem dita as normas morais para toda a sociedade, e o Estado as garante mediante a força da Lei e da Polícia. Não podemos voltar a esse tempo. Se lutamos contra a "Cristandade" Islâmica, não podemos ser hipócritas e defender uma "Cristandade" Cristã. União estável é uma realidade civil, pública, e, se daí resultar a legalização do casamento de não-heterossexuais, continuará sendo uma questão de direitos civis. Casamento religioso é um ato privado - nenhuma igreja ou religião poderá ser obrigada legalmente a casar pessoas que não atendam às exigências PRIVADAS de seus estatutos legais e morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O Cristianismo Autêntico é tolerante e respeita a pluralidade moral. Nos escritos do Novo Testamento não há imposição de uma moralidade cristã a toda a sociedade. A moralidade cristã é uma questão de seguimento de Jesus Cristo e seguir a Jesus Cristo não vem do berço, nem do Estado. É uma opção de vida, ato de fé, ato de amor. Não é obrigatório, nem mandatório. "Pela graça sois salvos". Em Romanos 2 e em Mateus 25.31-40 encontramos textos que mostram: (a) que seguidores de Deus e de Jesus não têm o direito de julgar o próximo; (b) que as pessoas que buscam viver uma vida justa ("aos que, com perseverança em favor o bem, procuram glória, e honra e incorrupção"; "glória, porém, e honra e paz a todo aquele que pratica o bem, primeiramente ao judeu, e também ao grego; pois para com Deus não há acepção de pessoas." Rm 2), mesmo não estando oficialmente na comunidade de seguidores de Deus e de Jesus, recebem a vida eterna; (c) que o critério do juízo final não é doutrinário, mas prático: amor e serviço a Jesus através do amor e serviço ao necessitado (Mt 25,31ss). Apesar da dignidade tradicional do dito na história das igrejas, precisamos insistir: Fora da Igreja Há, Sim, Salvação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. O Cristianismo Autêntico apoia a democracia e os estados democráticos na medida em que aquela e estes defendem a justiça e possibilitam a igualdade de direitos e de situação concreta de vida. Cristãs e cristãos não apoiam cegamente a democracia ou estados democráticos. O apoio é condicionado, conforme, por exemplo, Romanos 13,1ss - quando a autoridade política faz o bem e defende quem pratica o bem, merece nosso apoio. Quando não, merece nossa denúncia - como os profetas de Israel denunciavam as autoridades de seu tempo. Garantir a igualdade de direitos a todos os cidadãos e cidadãs é um ato democrático no sentido mais digno do termo. Não podemos defender a igualdade de direitos para pobres, negros, mulheres, indígenas, idosos, crianças, portadores de deficiências, etc. e, ao mesmo tempo, negar a igualdade de direitos a pessoas que, por opção sexual ou identidade de gênero, se diferenciam das identidades éticas religiosas da maioria da população. O conceito cristão de pecado não pode ser usado como base para atos discriminatórios.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4. Vitória do Cristianismo Autêntico porque a decisão do STF &lt;i&gt;obrigará &lt;/i&gt;instituições, comunidades e indivíduos cristãos a refletir sobre seu lugar e papel na democracia. Obrigará o Estado e a sociedade brasileira a refletir sobre a relação entre pluralidade moral e maioria cristã da população. Obrigará estado, sociedade e igrejas a revisar a questão da laicidade do estado e da separação institucional Religião-Estado. Neste terreno, há muito que fazer ainda no Brasil - há várias práticas não-democráticas ainda em vigor, que necessitam ser revogadas e renormatizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Vitória do Cristianismo Autêntico porque a decisão obrigará as igrejas cristãs a estudar e a reaprender a anunciar a Boa-Nova de Jesus Cristo. O anúncio de Cristo é boa-nova para todas as pessoas, porque todos nós somos pecadores, e nenhum pecador é mais pecador do que outro; nenhuma pecadora é merecedora de mais castigo do que outra pecadora - por isso, se somos todos iguais perante Deus, nenhum(a) de nós cristã(o)s pode ser merecedor de direitos de cidadania que sejam negados a não-cristãos ou a cristãos de minorias religiosas. "Só Jesus Cristo salva" tem o mesmo valor e impacto para todas as pessoas, independentemente de raça, cor, credo, opção sexual, identidade de gênero, classe social, persuasão política, etc. O convite ao seguimento autêntico de Jesus Cristo interpela todas as pessoas igualmente, com a mesma exigência de radical entrega de si a Deus e a seu projeto de vida amorosa e justa. Precisamos matar a mesmice hipócrita e banal a que foi reduzido o cristianismo, precisamos reinventar o discipulado, radicalmente, desde as raízes até os frutos. Precisamos aprender que seguir a Jesus não se esgota, nem se confina em fazer parte da membresia de igrejas. Seguir a Jesus se manifesta em vidas que tornam concretos e práticos os valores do Messias que deu a vida por toda a humanidade ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7440588208057846586?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7440588208057846586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/uma-vitoria-tambem-do-cristianismo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7440588208057846586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7440588208057846586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/uma-vitoria-tambem-do-cristianismo.html' title='Uma vitória, também, do Cristianismo Autêntico'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-1237897325370178005</id><published>2011-05-06T08:33:00.002-03:00</published><updated>2011-05-06T08:33:27.887-03:00</updated><title type='text'>Obrigado!</title><content type='html'>De vez em quando dou uma olhada no número de co-blogueirantes - e ele está crescendo. Aos novos e novas companheiros e companheiras de blogagem, meu muito obrigado e boas-vindas. Aos antigos e antigas que não desistiram, muito obrigado. Gente, o blog é nosso ... podem comentar, palpitar, reclamar ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-1237897325370178005?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/1237897325370178005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/obrigado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1237897325370178005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1237897325370178005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/obrigado.html' title='Obrigado!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4755255496834992180</id><published>2011-05-06T08:29:00.000-03:00</published><updated>2011-05-06T08:29:15.706-03:00</updated><title type='text'>Igreja: Meio, não Fim</title><content type='html'>Estou de volta ao blog. Já expliquei as razões da ausência prolongada, e acrescento mais duas: passei a semana em São Paulo - no Congresso da ANPTCRE (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências das Religiões) e no lançamento de dois livros: &lt;i&gt;A Bíblia sob Três Olhares&lt;/i&gt; (escrito a seis mãos, com João Leonel e Paulo Nogueira) e &lt;i&gt;Para uma Teologia Pública&lt;/i&gt; (escrito a duas mãos), ambos pela Fonte Editorial de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre as atividades do Congresso (onde apresentei um pequeno texto sobre Hermenêutica em Tom Pós-Metafísico), contatos institucionais e lançamento, aproveitei para conversar com colegas, ex-alunos, que estão no ministério pastoral e educacional em São Paulo. Em meio às conversas, apesar do esforço em manter os assuntos no ambiente mais coloquial possível, não conseguimos evitar tocar em temas teológicos e pastorais. Duas questões que discutimos me motivaram a escrever estas mal-traçadas linhas (essa é lá dos tempos do baú ...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos em um período pós-denominacional, ou seja, pós-institucionalidade denominacional das igrejas cristãs. Há tempos as instituições denominacionais se tornaram fins em si mesmas, desligadas irremediavelmente da vida das comunidades cristãs, dos anseios e necessidades das comunidades e das pessoas concretas que delas participam, as sustentam e são sua razão de ser. As instituições eclesiásticas cristãs são monstrengos que, apesar da roupagem moderna do Protestantismo, mantêm os mesmos defeitos e limitações das anteriores formas de institucionalização do cristianismo nas igrejas territoriais ou paroquiais. Sei que este tipo de crítica não é novo. Por exemplo: "Deixei o Brasil há dezessete anos. Desde então o questionamento crítico ao qual fui levado pelos acontecimentos no Brasil ainda não cessou. Meu pensamento inicial quanto à obstinação - e o potencial demoníaco - das instituições religiosas, levaram-me a perder toda a confiança nelas". (Richard Shaull, citado em FERREIRA, Valdinei. &lt;i&gt;Protestantismo e Modernidade&lt;/i&gt;. São Paulo: Reflexão, 2010, p. 226.) Shaull se referia aos anos de chumbo da ditadura militar pós-1964. Hoje vivemos em tempos democráticos, mas as Instituições Eclesiásticas ainda insistem em defender posicionamentos arcaicos de Cristandade diante das transformações sociais e suas consequências legais e culturais. O crescimento acelerado do pentecostalismo e do neo-pentecostalismo (que prefiro chamar de protestantismo neo-liberal) afetou todas as instituições cristãs no Brasil que, cada vez mais, recrudescem a luta pela identidade - e por identidade infelizmente se entende a forma identitária velha, desgastada, irrelevante, demoníaca (para usar o termo de Shaull).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e aí veio a segunda questão: o problema da institucionalização na forma de Cristandade não está mais restrito à grande organização denominacional. Tomou corpo e forma nas próprias comunidades locais. Se já criticávamos nas últimas décadas do século passado o caráter de programas e festividades das atividades de igrejas locais, voltadas a si mesmas e não à missão, hoje a crítica precisa ser ainda mais contundente. As comunidades locais sucumbiram ao apelo demoníaco do crescimento numérico de recursos - financeiros, patrimoniais e humanos - e notem: quando fazemos de seres humanos meros "recursos", apoiamos a desumanização capitalista da pessoa e de toda a criação divina. Pessoas (e as demais criaturas de Deus) não são "recursos", são pessoas - dignas de amor, amizade, companheirismo, justiça, responsabilidade ética, etc. Na velha, mas não desgastada, linguagem da teologia latino-americana da integralidade da missão: igrejas são agências do Reino de Deus. Hoje, porém, tornaram-se agências "bancárias", do reino de Mamon, promotoras da expansão da ideologia gerencial da captação e acumulação de recursos, com vistas à acumulação de prestígio, influência e exercício de poder dominador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas duas questões nos levaram, enfim, a conversar sobre a educação teológica, mas não vou tocar nesse tema agora. Volto à temática das comunidades diante da institucionalização. Precisamos, hoje em dia, mais ainda do que no final do século passado, de uma eclesiogênese (BOFF, Leonardo. &lt;i&gt;Eclesiogênese&lt;/i&gt;: a reinvenção da igreja.Record, 2008 - reedição de texto de 1977). Ou seja, precisamos deixar que o Espírito engravide nossas comunidades com a sua semente de vida em amor e justiça. Precisamos reinventar, na novidade do Espírito, o jeito de ser comunidade cristã - assim como as CEBs foram uma linda tentativa de se abrir à novidade do Espírito. Que pistas o Espírito tem nos deixado para percebermos a sua força gestacional?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comunidades geradas pelo materno Espírito de Deus são comunidades de companheirismo entre irmãs e irmãos - soror-fratern-idades. São comunidades de serviço às pessoas que dela participam, mas, principalmente, de serviço às pessoas que sofrem no mundo capitalista demoníaco, especialmente persente nas grandes cidades, metrópoles e megalópoles. São comunidades que se renovam nas formas de convivência, de organização e de ação. São comunidades que priorizam a missão, e não a expansão; o amor a Deus através do amor ao próximo, acima do "amor à igreja". São comunidades de estudo da Bíblia e dos mundos em que vivemos: o mundo social, o cultural, o existencial, o natural ... Em linguagem da Bíblia, são comunidades que se alegram com os que se alegram, choram com os que choram, andam a segunda milha, dão a outra face, andam por onde Jesus andou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tempo de uma nova reforma? Não, é tempo de eclesiogênese, começar de novo, reinventar o cristianismo - pois não adianta reformar o que não tem conserto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4755255496834992180?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4755255496834992180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/igreja-meio-nao-fim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4755255496834992180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4755255496834992180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/05/igreja-meio-nao-fim.html' title='Igreja: Meio, não Fim'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-836004516134862626</id><published>2011-04-28T15:43:00.000-03:00</published><updated>2011-04-28T15:43:25.473-03:00</updated><title type='text'>Escrevendo e falando demais ...</title><content type='html'>Estive ausente do blog. Não estive doente, não desisti, nem morri. Só estava trabalhando para cumprir prazos e compromissos. Nestas últimas semanas finalizei três livros de ensaios, escrevi quatro "comunicações" acadêmicas para quatro eventos distintos em Vitória (dois deles) e em São Luís-MA (outros dois), e quase terminei um quarto livro ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu recuperar o fôlego, blogarei de novo ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-836004516134862626?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/836004516134862626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/04/escrevendo-e-falando-demais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/836004516134862626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/836004516134862626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/04/escrevendo-e-falando-demais.html' title='Escrevendo e falando demais ...'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-135351402273792520</id><published>2011-04-01T14:45:00.000-03:00</published><updated>2011-04-01T14:45:12.185-03:00</updated><title type='text'>Fé e Egoísmo</title><content type='html'>Tento, sempre que possível, prestar atenção a sermões de pastores(as) evangélicos(as). Na maior parte das vezes não é fácil, pois a oratória não é das mais atraentes e o conteúdo é bastante monótono. Mas, por dever de ofício, me esforço. Vou tentar resumir o que consegui captar ao longo do ano de 2010...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A fé é um meio &lt;i&gt;individual &lt;/i&gt;de resolução de problemas. Seja qual for o “seu” problema, basta ter fé, que o mesmo desaparecerá. Se não desaparecer, é porque você não tem fé suficiente! Pregada, pensada e praticada desta maneira, a fé se torna um pobre e inadequado substituto para a razão. A racionalidade é a capacidade humana de resolver problemas, sejam de que tipo forem. Para alguns tipos, usamos a racionalidade científica; para outros, a racionalidade moral ou normativa; para outros, a racionalidade expressiva (que tem a ver com os afetos, ou com o que se convencionou chamar de inteligência emocional). A grande dificuldade para lidar com este conceito de fé nas igrejas cristãs é que ele parece ter base bíblica, do tipo “tudo o que pedires, crendo, recebereis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A fé é um meio &lt;i&gt;individual &lt;/i&gt;de progresso econômico. Este é o conteúdo monótono de praticamente todos os sermões que ouvi e/ou li. Se você crer em Deus, sua vida financeira se tornará um paraíso. Se no primeiro caso o problema está na definição da fé, neste caso o problema está no objeto da fé. Esta fé se dirige a Deus, mas um deus com nome bem definido. Na Bíblia, por exemplo, o nome é Mamon (o deus-dinheiro); hoje em dia o nome pode ser Prosperidade; Fortuna; Sucesso, etc. O grande problema é que são ídolos e não deuses. Ídolos, conforme a velha definição do livro de Isaías: “o que é feito por mãos humanas”. No final das contas, então, a fé é fé no próprio ser humano, mas desvestida dos valores do humanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Somando 1 + 2, temos a identificação da fé com o egoísmo. O egoísmo é a ideologia da supremacia do indivíduo, é outro nome para o individualismo. Fé egoísta é religião sem deus, ideologia sem humanismo, razão sem competência. Para enfrentar essa fé anti-cristã, temos de atuar em três frentes distintas: (a) denunciar insistentemente a traição ao Evangelho na pregação e no culto das igrejas ditas cristãs; (b) denunciar insistentemente a traição à democracia no modelo escolar capenga e incompetente que não nos permite crescer como pessoas racionalmente competentes; (c) denunciar insistentemente e impiedosamente o Mercado capitalista como o grande ídolo de nossos tempos, o assassino mais cruel que a humanidade já foi capaz de inventar. E só conseguiremos atuar nessas três frentes se deixarmos de ser individualistas, se deixarmos de ser resignados, se apostarmos que “outro mundo é possível” – qualquer que seja a nossa ideologia ou a nossa religião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-135351402273792520?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/135351402273792520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/04/fe-e-egoismo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/135351402273792520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/135351402273792520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/04/fe-e-egoismo.html' title='Fé e Egoísmo'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2821259295945621769</id><published>2011-03-03T10:01:00.000-03:00</published><updated>2011-03-03T10:01:09.372-03:00</updated><title type='text'>O ponto de partida da religião</title><content type='html'>Os estudiosos das religiões e religiosidade humana têm oferecido várias explicações da origem da religião na vida humana. Durante a Modernidade, de um modo geral, as explicações acentuavam alguma fragilidade humana – medo da morte, ignorância do funcionamento da natureza, alienação política, dependência psíquica, etc. Até hoje é muito comum explicar a religião a partir da necessidade do indivíduo suprir alguma carência real ou sentida. Essas explicações não são de todo inadequadas. Todavia, não são completas. É possível perceber o ponto de partida da religião na relacionalidade humana, na intersubjetividade – focando a religião, então, de modo mais positivo, criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazer isso, vou apresentar parte dos escritos de um filósofo ítalo-norte-americano, John Caputo, nosso contemporâneo, que faz uma reflexão pós-moderna sobre a religião. O texto que segue tem uma linguagem mais técnica, então, se você não é muito afeito à terminologia técnica da teologia e filosofia, preste mais atenção ao projeto geral de Caputo: religião é solidariedade, religião é busca de autonomia e liberdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Não é possível, segundo Caputo, compreender a religiosidade humana se o lugar a partir do qual a estudamos não for o das orações e lágrimas. Isto não quer dizer que pessoas não-religiosas sejam incapazes de compreender a religião, mas, sim, que o próprio conceito moderno de “religião” é um empecilho à compreensão do fenômeno religioso. Religião é um conceito moderno, racional, construído mediante um radical binarismo que contrapôs fé e razão, filosofia e religião como pólos antagônicos no espaço da Verdade. A religião é concebida na Modernidade como uma falta, um resquício do mundo pré-moderno e, por isso, na melhor das hipóteses infra-racional, para não dizer irracional.&lt;br /&gt; Os filósofos modernos, climaticamente no Iluminismo, conceberam a religião como uma esfera separada da existência humana e projetaram tal compreensão para as crenças e práticas cristãs da Europa pré-moderna. Tal maquinaria conceitual lhe impediu de enxergar adequadamente o fenômeno religioso, tomado exclusivamente como uma atitude dogmática, pré-racional ou mesmo irracional, antagônica à razão, às ciências e à filosofia. A religião foi extirpada do que lhe é próprio – a experiência humana da busca – e reduzida à moralidade, ou a um desvio da libido, ou a consciência alienada. &lt;br /&gt; Retornando a Agostinho e Anselmo, Caputo nota que a experiência pré-moderna da religião cristã não pode ser concebida como uma esfera particular da experiência humana. A religião impregnava a mentalidade, a cosmovisão européia pré-moderna de tal modo que o adjetivo “religioso” não se referia a pessoas que “tinham” religião, mas ao grau de compromisso da pessoa com a religião – o que chamaríamos hoje de religiosidade ou de espiritualidade. Ninguém conceberia religião como uma esfera particular da vida, mas como o próprio ambiente da vida humana. Não se poderia conceber Deus como objeto de dúvida, mas apenas como sujeito de busca (ou não). Tanto Agostinho como Anselmo falam da busca de Deus nos termos de um círculo, no qual Deus já é concebido como existente, soberano, digno de honra e adoração. O Deus conhecido é o Deus a quem se busca, o Deus que se deseja conhecer mais e melhor.&lt;br /&gt; O “coração inquieto” de Agostinho e a “fé que busca conhecimento” de Anselmo, por outro lado, não podem ser entendidos se lidos a partir da concepção moderna de sujeito – um sujeito racional, centrado, auto-consciente, realizador. Só podem ser adequadamente compreendidos se lidos a partir da noção pré-moderna de sujeito como uma criatura, imperfeita, como que incompleta, fragmentada, angustiosamente crente, permanentemente buscando o Deus que já encontrou. Um Deus que não está “lá fora”, desconhecido, mas que participa da própria busca, que está “aqui dentro”, no coração desassossegado, na mente inquieta, no corpo sofredor e criativo. O sujeito moderno, “que busca autonomia”, que abandonou a fé como caminho da compreensão, criou uma barreira intelectual entre si e o sujeito pré-moderno, “que busca conhecimento (de Deus)” encontra sua autonomia na relação com o próprio Deus, na própria heteronomia.&lt;br /&gt; Não! Caputo não é ingênuo, nem pretende um retorno aos tempos pré-modernos. Ele sabe que as instituições religiosas dominantes desempenharam um papel nefasto no confronto com a razão em busca de autonomia. Não desconhece o suplício de Galileu. Não desconhece o martírio dos hereges. Sabe que a religião pode ser instrumento de poder, de negação do humano, de subordinação ao despotismo, de obscurantismo. Sabe, porém, e melhor, que “religião” não existe. Existem pessoas e instituições praticantes de religião, que podem fazer dela o contrário do que a religião promete. Sabe que os tribunais da Inquisição foram, com razão, substituídos pelo transcendente Tribunal da Razão somente. Por isso também sabe que de tribunal em tribunal, a religiosidade humana, a espiritualidade, o próprio Deus, são meros réus, pobres suplicantes sem advogado capaz de defendê-los da acusação soberana que lhe paira sobre a cabeça.&lt;br /&gt; Não! Não é possível compreender a religião sem orações e lágrimas. Lágrimas compassivas de quem escuta o clamor das pessoas que sofrem, das vítimas do mundo civilizado, organizado, estruturado, cujas instituições desumanizam sob o pretexto de humanizar. Lágrimas de quem escuta o seu próprio clamor, pessoa imperfeita, incompleta, auto-cindida. Lágrimas intensamente passionais, e igualmente densas de intensidade racional. Lágrimas que fecundam o árido solo da oração, visto que quem ora o faz porque experimenta a ausência de seu deus, a não-presença de seu horizonte de sentido, a angústia da certeza incerta da fé. Religião não é questão de verdade ou falsidade. É questão de relacionamento, de intimidade, de fidelidade ou infidelidade, distanciamento, inimizade ou solidariedade. Não se pode compreender a religião se dela abstrairmos os corpos vivos, patéticos, intersubjetivos, corpos que permanentemente tentam se transcender na mente, na cultura, nas artes, no trabalho, na política, no lazer, no amor, na religião...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2821259295945621769?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2821259295945621769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/03/o-ponto-de-partida-da-religiao.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2821259295945621769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2821259295945621769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/03/o-ponto-de-partida-da-religiao.html' title='O ponto de partida da religião'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-6145913730907259442</id><published>2011-02-23T12:03:00.003-03:00</published><updated>2011-02-23T12:05:17.297-03:00</updated><title type='text'>Teologia e Cidadania - Para Pensar!</title><content type='html'>STJ - O Tribunal da Cidadania&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda Seção decidirá possibilidade de união estável para casal homossexual (atualizada)&lt;br /&gt;20/02/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está previsto para a próxima quarta-feira (23) o julgamento de um caso em que se discute a possibilidade de reconhecimento de união estável a um casal de homossexuais do Rio Grande do Sul. O processo é relatado pela ministra Nancy Andrighi e será julgado na Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo foi submetido à Seção em razão da relevância do tema, por decisão dos ministros da Terceira Turma. A Seção é composta pelos dez ministros responsáveis pelos julgamentos de casos relativos a Direito de Família e Direito Privado, reunindo a Terceira e a Quarta Turma do Tribunal. Quando se adota esse procedimento, de “afetar” o processo ao colegiado maior, a intenção dos ministros é uniformizar de forma mais rápida o entendimento das Turmas ou, até mesmo, rever uma jurisprudência consolidada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que propôs a ação afirma ter vivido em “união estável” com o parceiro entre 1993 e 2004, período em que foram adquiridos diversos bens móveis e imóveis, sempre em nome do companheiro. Com o fim do relacionamento, o autor pediu a partilha do patrimônio e a fixação de alimentos, esta última em razão da dependência econômica existente enquanto na constância da união.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz inicial, da Vara de Família, entendeu procedente o pedido. O magistrado reconheceu a união estável e determinou a partilha dos bens adquiridos durante a convivência, além de fixar alimentos no valor de R$ 1 mil até a efetivação da divisão. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), porém, afastou a obrigação de pagar alimentos, mas manteve a sentença quanto ao restante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o TJRS, os alimentos não seriam cabíveis, em razão da pouca idade do autor e sua aptidão para o trabalho. Mas o tribunal local não negou a competência da Vara de Família para o caso, a qual efetivamente reconheceu a existência de união estável, e não de sociedade de fato, na convivência por mais de dez anos do casal homossexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Família efetiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TJRS entendeu que “a união homoafetiva é fato social que se perpetua no tempo, não se podendo admitir a exclusão do abrigamento legal, impondo prevalecer a relação de afeto exteriorizada ao efeito de efetiva constituição de família, sob pena de afronta ao direito pessoal individual à vida, com violação dos princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Diante da prova contida nos autos, mantém-se o reconhecimento proferido na sentença da união estável entre as partes, já que entre os litigantes existiu por mais de dez anos forte relação de afeto com sentimentos e envolvimentos emocionais, numa convivência more uxoria, pública e notória, com comunhão de vida e mútua assistência econômica, sendo a partilha dos bens mera consequência”, concluiu a decisão do TJRS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parceiro obrigado a dividir seus bens alega, no STJ, que a decisão da Justiça gaúcha viola artigos dos códigos civis de 1916 e 2002, além da Lei n. 9.278/1996. Esses artigos se referem, todos, de algum modo, à união estável como união entre um homem e uma mulher, ou às regras da sociedade de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pedido é para que seja declarada a incompetência da Vara de Família para o caso e para que apenas os bens adquiridos na constância da união sejam partilhados, conforme demonstrada a contribuição efetiva de cada parceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presunção de esforço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Terceira Turma, outro processo em andamento pode afirmar a presunção de esforço comum na construção do patrimônio em uniões afetivas. Para a ministra Nancy Andrighi, reconhecer proteção patrimonial similar à do Direito de Família em uniões homoafetivas atende ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana e promove dois objetivos fundamentais da República: a erradicação da marginalização e a promoção do bem de todos, sem qualquer forma de preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O voto da relatora afirma que, na falta de lei específica, o Judiciário não pode ser omisso. Por isso, a analogia deve ser aplicada no caso concreto. O entendimento foi parcialmente seguido pelo ministro Massami Uyeda. Após pedido de vista, o ministro Sidnei Beneti votou contra a presunção de esforço. O julgamento está interrompido por novo pedido de vista, do ministro Paulo de Tarso Sanseverino. Além de seu voto, falta o do desembargador convocado Vasco Della Giustina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sociedade de fato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dezembro, a mesma Terceira Turma decidiu dois casos similares, em que o Ministério Público do Rio Grande do Sul recorreu do entendimento da Justiça gaúcha. Os recursos foram providos pela Turma. Em ambos, um dos parceiros havia falecido e se discutia a sucessão dos bens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela ocasião, os ministros aplicaram a jurisprudência do STJ, estabelecida em 1998 (Resp 148.897), que exige a comprovação de que os bens adquiridos durante a convivência tiveram origem em esforço comum dos companheiros. Segundo esse entendimento, feita a prova da contribuição de cada parceiro na construção do patrimônio comum, pode ser feita a partilha, na proporção do esforço individual. Para essa linha de pensamento, aplica-se a regra da sociedade de fato às uniões homoafetivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses casos pertenceriam, portanto, ao Direito das Obrigações, e não ao Direito de Família. “A repartição dos bens, sob tal premissa, deve acontecer na proporção da contribuição pessoal, direta e efetiva de cada um dos integrantes de dita sociedade”, explicou, em seu voto, o desembargador convocado Vasco Della Giustina. As ações foram devolvidas ao TJRS para novo julgamento, com observação das regras definidas pelo STJ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lacuna legal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em 2008, no julgamento do Resp 820.475, o STJ permitiu o seguimento de uma ação de declaração de união estável entre homossexuais. Por maioria, a Quarta Turma, em voto de desempate do ministro Luis Felipe Salomão, afirmou que a lei não proíbe de forma taxativa a união homoafetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o julgador não pode alegar a ausência de previsão legal para deixar de decidir um caso submetido ao Judiciário, a Turma entendeu válida, em tese, a adoção da técnica de integração por meio da analogia. Assim, ao aplicar a lei, o juiz poderia fazê-la abranger casos não expressamente previstos, mas que, na essência, coincidissem com os abordados pelo legislador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse processo, os parceiros buscavam o reconhecimento de união estável na convivência por mais de 20 anos. Chegaram a se casar no exterior. Mas a Justiça do Rio de Janeiro extinguiu a ação, por entender ser impossível juridicamente a união estável homossexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise naquele julgamento se fixou na questão processual da viabilidade da própria ação. Os ministros não discutiram o mérito do direito dos autores, isto é, a possibilidade efetiva de união estável entre parceiros homoafetivos, como ocorrerá agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministério Público Federal (MPF) recorreu, alegando violação à Constituição, mas o STJ não acolheu os argumentos. Outro recurso, apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda decisão desde maio de 2010 (AI 794.588).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, em abril de 2010, ao julgar outro recurso (Resp 889.852) a Quarta Turma pacificou o entendimento de que as uniões homoafetivas merecem tratamento idêntico ao conferido às uniões estáveis. Na hipótese, os ministros permitiram que o nome da companheira de uma homossexual que havia adotado dois irmãos constasse também dos registros das crianças, sem a especificação da condição paterna ou materna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relator do recurso, ministro Luis Felipe Salomão, observou os fortes vínculos afetivos entre as adotantes e as crianças e concluiu que a situação estava consolidada. “ O Judiciário não pode fechar os olhos para a realidade fenomênica. Vale dizer, no plano da ‘realidade’, são ambas, a requerente e sua companheira, responsáveis pela criação e educação dos dois infantes, de modo que elas, solidariamente, compete a responsabilidade”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião do julgamento, o ministro Aldir Passarinho Júnior destacou que a jurisprudência do STJ vem fortalecendo esta compreensão. Para ele, o Tribunal vem caminhando no sentido de que é necessária maior proteção aos menores adotandos, “que estão muito bem assistidos pelo casal em questão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vanguarda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outros temas, o STJ já se posicionou na vanguarda jurisprudencial. No Resp 395.904, a Sexta Turma entendeu que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) deviam pensão ao companheiro do segurado falecido. O relacionamento durou 18 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O STF ainda não decidiu o recurso contra essa decisão, que já conta com parecer favorável do MPF ao pensionista (RE 495.295). Para o INSS, o beneficiário não seria dependente do segurado, o que impediria o pagamento. O processo deu entrada no Supremo em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o voto do ministro falecido Hélio Quaglia, a legislação previdenciária não pretendeu excluir o conceito de união estável da relação homoafetiva. A Constituição, no campo previdenciário, não teria feito essa exclusão (artigo 201, inciso V). Diante da lacuna legal, o próprio INSS teria editado norma regulamentando os procedimentos para concessão de benefícios a parceiros homossexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra decisão, o STJ permitiu a inscrição do companheiro homossexual em plano de saúde (Resp 238.715). Em seu voto, o ministro aposentado Humberto Gomes de Barros afirmou: “O homossexual não é cidadão de segunda categoria. A opção ou condição sexual não diminui direitos e, muito menos, a dignidade da pessoa humana”. Por isso, a relação homoafetiva geraria direitos analógicos aos da união estável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse caso, os parceiros viviam juntos há sete anos e eram portadores de HIV. O pedido tratava expressamente de união estável, que permitiria a inclusão no plano de assistência médica empresarial. A Justiça gaúcha recusou a declaração de união estável, mas garantiu a inscrição no plano, o que foi mantido pelo STJ. O caso também está pendente de julgamento no STF desde 2006, com parecer do MPF pela manutenção da decisão do STJ (RE 515.872).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em agosto de 2010, o STJ garantiu, novamente, a um casal homossexual feminino a adoção de dois irmãos biológicos. Uma das parceiras já havia adotado as crianças desde o nascimento, e a companheira pediu na Justiça seu ingresso na adoção, com inserção do sobrenome nos filhos. Essa decisão está sendo questionada pelo Ministério Público gaúcho no STF, cujo processo deu entrada em outubro (RE 631.805).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Judiciário gaúcho atendeu o pedido inicial, determinando a inserção da companheira no registro, sem menção específica das palavras “pai” ou “mãe” ou da condição materna ou paterna dos avós. No entender do TJRS, “os estudos especializados não apontam qualquer inconveniente em que crianças sejam adotadas por casais homossexuais, mais importando a qualidade do vínculo e do afeto que permeia o meio familiar em que serão inseridas e que as liga aos seus cuidadores”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É hora de abandonar de vez preconceitos e atitudes hipócritas desprovidas de base científica, adotando-se uma postura de firme defesa da absoluta prioridade que constitucionalmente é assegurada aos direitos das crianças e dos adolescentes”, asseverou o tribunal local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministério Público do Rio Grande do Sul recorreu da decisão, mas o STJ afirmou a prevalência da solução que melhor atendesse aos interesses das crianças. O processo listou diversos estudos científicos sobre o tema indicando a inexistência de inconvenientes na adoção das crianças por casal homossexual. Segundo os estudos, o fundamental é a qualidade do vínculo e do afeto do meio em que serão incluídas as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o ministro Luis Felipe Salomão, “em um mundo pós-moderno de velocidade instantânea da informação, sem fronteiras ou barreiras, sobretudo as culturais e as relativas aos costumes, onde a sociedade transforma-se velozmente, a interpretação da lei deve levar em conta, sempre que possível, os postulados maiores do direito universal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A adoção, antes de mais nada, representa um ato de amor, de desprendimento. Quando efetivada com o objetivo de atender aos interesses do menor, é um gesto de humanidade”, completou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lei e jurisprudência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro João Otávio de Noronha, ao votar nesse processo, respondeu à crítica recorrente de que o Judiciário nacional tem legislado sobre o Direito de Família: “Toda construção de direito familiar no Brasil foi pretoriana. A lei sempre veio a posteriori. Com o concubinato foi assim, com a união estável foi assim”, lembrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No caso, é preciso chamar a atenção para o seguinte: a lei não proíbe, ela garante o direito tanto entre os homoafetivos, como entre os héteros [heterossexuais]. Apenas lhes assegura um direito, não há vedação. Não há nenhum dispositivo que proíba, até porque uma pessoa solteira pode adotar. Então, não estamos aqui violando nenhuma disposição legal, mas construindo em um espaço, em um vácuo a ser preenchido ante a ausência de norma, daí a força criadora da jurisprudência. É exatamente nesse espaço que estamos atuando”, concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Processos: Resp 704803; Resp 633713; Resp 820475; Resp 148897; Resp 889852&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;©1996 - 2011 - Superior Tribunal de Justiça. Todos os direitos reservados. Reprodução permitida se citada a fonte&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;http://www.stj.jus.br/portal_stj/objeto/texto/impressao.wsp?tmp.estilo=&amp;tmp.area=398&amp;tmp.texto=100836&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-6145913730907259442?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/6145913730907259442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/teologia-e-cidadania-para-pensar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6145913730907259442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6145913730907259442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/teologia-e-cidadania-para-pensar.html' title='Teologia e Cidadania - Para Pensar!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-495372495688092459</id><published>2011-02-16T14:54:00.002-02:00</published><updated>2011-02-16T14:57:36.732-02:00</updated><title type='text'>Vidas Medíocres</title><content type='html'>&lt;i&gt;Medíocre&lt;/i&gt; é uma daquelas palavras que podem ser usadas com sentidos contraditórios. Nos dicionários, medíocre é definido como "mediano" (e demais adjetivos), mas também como "que está abaixo da média". Aprendi, no Houaiss, que em Portugal a palavra medíocre é usada como medida de avaliação escolar: "grau de avaliação acadêmica, entre mau e suficiente". Quero aproveitar esse jogo de usos e sentidos, de modo que neste post, &lt;i&gt;medíocre&lt;/i&gt; pode significar mediano ou abaixo da média, e fica por sua conta e risco distinguir tais usos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho prestado atenção em estudantes de teologia, pastores e pastoras, líderes religiosos e gentes semelhantes (pessoas que exercem profissões que influenciam outras pessoas). Para meu desalento, constato que a mediocridade se tornou o padrão aceitável para a maioria delas. No caso de estudantes o que se deseja é fazer o mínimo necessário "para passar"; no caso de pastores, o mínimo necessário "para não perder a igreja"; etc., etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das razões mais frequentes que ouço para justificar a vida medíocre é a do "tempo" - a vida está muito corrida, a gente tem tanta coisa para fazer, o tempo voa ... Assim, enquanto em outros tempos se lia um livro de trezentas páginas (só para efeitos de comparação), agora se lê um de "bolso" com umas cem páginas e olhe lá ... Enquanto se lia textos densos, desafiadores, complexos, agora se pede a escritores que escrevam textos simples, fáceis de ler, "ou, então, as pessoas não vão comprar seu livro" ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de um tempo em que um sermão durava quarenta minutos e o povo da igreja ficava atento, tentando aprender, se questionando sobre o conteúdo pregado. Hoje em dia, sermão tem de ser curtinho, para ter mais "tempo" para o louvor. "Louvor" - que desilusão - esta palavra agora se refere a um "tempão" no culto em que se fica cantando letras sem pé nem cabeça, mas que fazem nossos pés balançarem e nossos cérebros se desligarem, transes evangélicos pseudo-catárticos ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi minha dissertação de mestrado em uma época em que duzentas páginas indicavam um trabalho com bom potencial, enquanto hoje em dia as melhores escolas já pedem no máximo umas cento e vinte - afinal de contas, "ninguém mais tem tempo para ler tanta coisa" ... Menos páginas, menos bibliografia (efetivamente consultada e utilizada), menos qualidade, menos talento ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só dei exemplos do mundo escolar e paroquial, mas a mediocridade está correndo solta por aí: no futebol (lembram-se do tempo em que um jogo de futebol não servia como sonífero?), na música (lembra-se do tempo em que as músicas e letras tinham "qualidade" e "talento"?), no trânsito (graças a deus não tenho mais carro e não vou morrer de stress no volante), nos restaurantes (até as lojas de fast-food já não vendem mais "food", nem atendem "fast"), e a programação da TV aberta? e as twitadas? e os blogues???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mediocridade de mediocridades, tudo é mediocridade", para parafrasear um antigo filósofo judeu, de apelido Qohelet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uma vida medíocre não é digna de ser vivida", para parafrasear outro filósofo antigo, desta vez um grego, Sócrates (que nunca jogou futebol, nem era chegado a uma brahminha no boteco da esquina :) nada contra o talento do dr. Sócrates, mas ele jogava bola em outra época, na qual dentro de campo os medíocres eram obrigados a aplaudir os craques).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para concluir, e para você não dizer que não falei em parceria, a vida medíocre é a vida do contrato - só se faz o que está regrado, regulamentado, normalizado e sacramentado. Por isso, continuo apostando na parceria com O Impossível, sempre fugindo da mediocridade "que assola o país".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá entre nós, que post mediocrezinho, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-495372495688092459?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/495372495688092459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/vidas-mediocres.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/495372495688092459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/495372495688092459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/vidas-mediocres.html' title='Vidas Medíocres'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8629974090570807290</id><published>2011-02-08T18:55:00.000-02:00</published><updated>2011-02-08T18:55:19.435-02:00</updated><title type='text'>Contrato com O Possível</title><content type='html'>Desde os venerandos textos de Aristóteles costuma-se dizer que a política é a “arte do possível”. Teóricos políticos muito distintos uns dos outros usam essa mesma definição, pelo menos como ponto de partida, em seus estudos políticos. Vou aproveitá-la para traçar um contraste entre a &lt;i&gt;Parceria com O Impossível&lt;/i&gt; &amp; o &lt;i&gt;Contrato com O Possível&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo político, &lt;i&gt;O Possível&lt;/i&gt; é quem dita as regras. Há uma distância infinita entre o dever-fazer e o poder-fazer (claro que esta distância é ampliada ou diminuída pelo querer-fazer, embora, na prática, o querer-fazer comumente faça a distância continuar infinita). Todos os governantes e todas as governantes, após campanhas eleitorais em que defendem as mais belas utopias e defendam as bandeiras mais populares, assumem o trono (ou a poltrona) e já se esquecem da retórica eleitoral (e/ou eleitoreira). Sentado no trono, o governante assina um contrato virtual, inegociável e imutável, com &lt;i&gt;O Possível&lt;/i&gt;. Exemplos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a) o salário mínimo no Brasil, para cumprir o texto constitucional, deveria ser maior do que R$2.000,00 (dois mil reais), segundo estimativas do DIEESE. Dona Dilma e seu governo trabalharão para que ele não passe de R$545,00 – pois esse é o valor Possível. Infinita distância entre o dever constitucional e o poder econômico, mediada pelo querer estatal;&lt;br /&gt;(b) as chamadas agências reguladoras deveriam fazer valer o direito e os direitos dos consumidores – mas tente acionar a ANATEL ou a INFRAERO ou qualquer outra dessas agências quando seus direitos forem violados pelas empresas gigantescas que prestam seus maravilhosos serviços à população – dever não é poder;&lt;br /&gt;(c) o salário dos congressistas aumentou 60% (sessenta por cento), da noite para o dia, ou melhor, na calada da noite legislativa, enquanto o dos trabalhadores não aumenta mais do que 10% (dez por cento). Neste caso, querer é poder e se transforma em dever. Ou seja, o contrato com &lt;i&gt;O Possível&lt;/i&gt; torna inviável realizar o dever, mas possibilita que o não-dever se transforme em dever – e este travestido direito não está infinitamente distante do poder-fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia multiplicar os exemplos, mas não quero enfadar-me nem enfadá-lo. O problema do contrato com O Possível é que ele serve apenas para manter o status quo, para dourar a pílula dos excluídos e empobrecidos, para encantar os eleitores com os sonhos natimortos dos candidatos compactuados com &lt;i&gt;O Possível&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O Possível&lt;/i&gt; é ídolo. O grande Ídolo. O maior de todos os ídolos. A ele se curvam todos os poderosos, pois &lt;i&gt;O Possível&lt;/i&gt; recompensa seus adoradores com O Poder. O poder-fazer o que querem-fazer, desde que o querer-fazer não seja compatível com o dever-fazer, desde que o fazer do &lt;i&gt;Possível&lt;/i&gt; não seja atrapalhado pela virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contrato com &lt;i&gt;O Possível&lt;/i&gt; é morte certa. A parceria com O Impossível é vida plenificável. Pesados na balança, será possível que &lt;i&gt;O Possível&lt;/i&gt; vença sempre?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8629974090570807290?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8629974090570807290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/contrato-com-o-possivel.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8629974090570807290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8629974090570807290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/contrato-com-o-possivel.html' title='Contrato com O Possível'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4572290289777489808</id><published>2011-02-01T17:28:00.002-02:00</published><updated>2011-02-01T17:28:43.978-02:00</updated><title type='text'>Parceria com O Impossível</title><content type='html'>“De novo? Não vai mudar de assunto? Esse negócio de parceria já está ficando um pouco chato repetitivo ...”. Peço perdão, mas a repetição, ainda que meio chata, ajuda a gente fazer duas coisas importantes: (a) firmar a memória – em uma época de tanta informação e tão pouco conhecimento, lembrar de que se trata quando falamos de algo, é fundamental; (b) inovar, experimentar, buscar novas descrições das velhas idéias, histórias ou discussões. Tendo oferecido minha auto-justificação, aí vai a &lt;i&gt;repetinovação&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fé, relação com Deus, tem tudo a ver com parceria. Mais; é parceria. Ser uma pessoa religiosa é ser uma pessoa parceira. Parceria, porque esta se define pela não-solidão, pelo não-individualismo; pelo companheirismo, pelo estar-com, pelo viver-para alguém que não eu mesmo, um outro, ou uma outra, ou quaisquer outras formas gramaticais de gênero que se tornem possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parceria com O Impossível. O Impossível é outro nome de Deus. Deus faz as coisas impossíveis – esta frase se repete na Escritura, de variadas formas. Frase que está na boca de muita gente frequentadora de templos e outros espaços sagrados. Que será, porém, que dizemos quando afirmamos crer em O Impossível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, não tem nada (ou quase nada?) a ver com o que costumeiramente ouvimos ou lemos. Não se trata de curar a dor de barriga, resolver o joanete, dar um jeito no casamento, aliviar a depressão, ganhar um dinheirão, progredir na vida, etc. Tais coisas pertencem ao mundo do possível. São coisas que dependem de nós, da cidadania, da alimentação, da previdência, da sorte. Não têm nada a ver com O Impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem nada (ou quase nada?) a ver com o aumento da arrecadação (de dízimos ou de impostos), nem com o crescimento da Igreja, muito menos com o decréscimo do paganismo, ou com a derrocada das religiões rivais, ou toda uma gama de coisas que encanta pastores, padres e fiéis, sejam quais forem os nomes que assumem tais agentes do sagrado nas religiões que disputam ferrenhamente o coração dos crentes – me desculpem: o bolso dos clientes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Impossível tem a ver exatamente com o impossível. O Impossível é aquela divindade que torna possível o impossível, que torna possível a virgem dar à luz, que torna possível o morto ressuscitar e não morrer mais, que torna possível o Império desmoronar, que torna possível às prostitutas e pecadores precederem os fariseus e santos no Reino dos Céus. O Impossível é a divindade que torna possível sairmos da esfera do Possível idolátrico, que nos ajuda a enxergar a banalidade (extremamente importante, mas banal) do Possível, nos ajuda a enxergar o que devemos fazer por nossa própria conta e risco, junto com as outras pessoas que cuidam do Possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais! O Impossível é aquele que nos carrega em suas asas para o espaço celestial do Impossível, da Impossibilidade possível, da Vida que transcende o tempo presente e o futuro viável, que cancela o passado e todas as suas forças repressoras, depressivas, neurotizantes, psicopatológicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Impossível é a divindade que nos torna semelhantes a si mesma. Não iguais, mas semelhantes. Nós continuamos sendo gente do possível, mas libertada do Possível, para viver o Impossível, com O Impossível. O Impossível realiza em quem conviver com ele, o Impossível: amar impossivelmente a Deus acima de todas as coisas possíveis – amando todas as pessoas impossíveis de ser amadas pela gente do Possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Será possível?&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4572290289777489808?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4572290289777489808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/parceria-com-o-impossivel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4572290289777489808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4572290289777489808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/parceria-com-o-impossivel.html' title='Parceria com O Impossível'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7911791968777279784</id><published>2011-02-01T15:45:00.000-02:00</published><updated>2011-02-01T15:45:46.131-02:00</updated><title type='text'>Acabou a moleza!</title><content type='html'>Pois é companheiras e companheiros! Férias sempre duram menos do que a gente gostaria e, para variar, as minhas acabaram ... O companheiro Lula já entrou em gozo permanente de férias e a companheira Dilma vai carregar o piano ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a trabalhar em 17 de janeiro, para cuidar do Processo Seletivo do Mestrado da Unida, com as aulas iniciando no dia 24. Formamos a turma e ficou muita gente na lista de espera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentarei manter minha atividade aqui no blog com a regularidade de pelo menos um post semanal, veremos ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abs!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7911791968777279784?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7911791968777279784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/acabou-moleza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7911791968777279784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7911791968777279784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2011/02/acabou-moleza.html' title='Acabou a moleza!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4276040618835339140</id><published>2010-12-29T14:46:00.001-02:00</published><updated>2010-12-29T14:46:54.869-02:00</updated><title type='text'>Ano Novo e Férias</title><content type='html'>Bem, ainda sou gente ... Nas próximas semanas estarei de férias, distante do computador, da teologia, das ciências das religiões ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica meu desejo de que cada um e cada uma de vocês sempre se renove, pois novo não é o ano que entra, novos somos nós quando nos renovamos e nos deixamos renovar por Deus, que faz novas todas as coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4276040618835339140?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4276040618835339140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/12/ano-novo-e-ferias.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4276040618835339140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4276040618835339140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/12/ano-novo-e-ferias.html' title='Ano Novo e Férias'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-9080873839572096952</id><published>2010-12-29T14:42:00.003-02:00</published><updated>2010-12-29T14:44:12.231-02:00</updated><title type='text'>Mestrado Profissional em Ciências das Religiões</title><content type='html'>Não gosto de fazer propaganda, mas este é um caso especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Faculdade Unida teve aprovado pela CAPES o seu Projeto de Mestrado Profissional em Ciências das Religiões. É o primeiro Mestrado Profissional na área das CdR recomendado pela CAPES. Suas Linhas de Pesquisa são: Religião &amp; Esfera Pública (pesquisas na área do lugar e papel das religiões na vida pública e política do país); e Análise do Discurso religioso(pesquisas na área da interpretação de textos sagrados e análise dos discursos religiosos na mídia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mestrado Profissional tem o mesmo valor do Mestrado Acadêmico, sendo sua especificidade o foco da pesquisa mais voltado para o desenvolvimento técnico e profissional. Não é um curso "mais fácil" do que o Acadêmico, apenas não tem o mesmo enfoque teórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CAPES aprovou 15 vagas semestrais e nosso primeiro Processo Seletivo já está aberto, com exame marcado para dias 19-20 de janeiro de 2011. Para mais informações:&lt;br /&gt;http://www.faculdadeunida.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-9080873839572096952?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/9080873839572096952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/12/mestrado-profissional-em-ciencias-das.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9080873839572096952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9080873839572096952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/12/mestrado-profissional-em-ciencias-das.html' title='Mestrado Profissional em Ciências das Religiões'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-9137843338143194853</id><published>2010-12-21T21:30:00.000-02:00</published><updated>2010-12-21T21:30:53.817-02:00</updated><title type='text'>Natal: uma parceria imensurável</title><content type='html'>Para não dizer que não falei sobre o Natal, uma pequena reflexão, pois com a chegada deste fim de ano, o cansaço já dá o ar de sua des-graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal, nascimento, natividade. Deus se torna, como nós, um nativo. Nascido entre nós. Nascido sob nós, abaixo de nós, no último degrau da escala de valores do império. Escravo nato, um pouco latino-americano, um pouco africano, um pouco mulher, um pouco imigrante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu pequenino rosto infantil encontramos todas as faces que choram e clamam. Em seu rosto crispado na cruz ressoam todos os clamores. Em seu pequenino rosto infantil, a alegria de toda a terra. Em seu rosto resplandescente na ressurreição, o júbilo de todas as pessoas que clamaram e choraram: foram ouvidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal: uma parceria imensurável. Não se trata de Deus chegar perto de nós. Não se trata de abrir as portas para irmos ao Seu encontro. Não se trata de transformar o tempo e o espaço da criação. Trata-se, sim, de Deus se tornar um de nós. Tornar-se nascido. Tornar-se nato. Tornar-se nativo. Tornar-se o que nunca deixou de ser: um de nós. Natal: divinização do humano na humanização do divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mais dois, apenas um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-9137843338143194853?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/9137843338143194853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/12/natal-uma-parceria-imensuravel.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9137843338143194853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9137843338143194853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/12/natal-uma-parceria-imensuravel.html' title='Natal: uma parceria imensurável'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3523126441433404487</id><published>2010-12-08T13:02:00.001-02:00</published><updated>2010-12-08T13:03:34.397-02:00</updated><title type='text'>Parceria: Pró-Compaixão/Solidariedade</title><content type='html'>A ideologia neoliberal é perversa e sem compaixão. Nela só há lugar para as pessoas capazes e competentes, que conseguem cumprir todas as exigências do mercado de trabalho e de consumo. Cada vez mais as empresas exigem maior qualificação para seus trabalhadores, e cada vez mais as máquinas substituem as pessoas no desempenho de funções e realização de serviços – e com isso aumenta o desemprego, a economia informal e a marginalidade. A sociedade atual, dominada pelo “deus Capital (Mamon)” gera um sistema social de exclusão, mediante o qual um número cada vez maior de pessoas é excluído do mercado de trabalho, da educação, da saúde, da dignidade, da própria vida! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resposta, as pessoas cada vez mais se refugiam nas drogas, na violência, nas religiões sem compromisso, no sexo sem amor, no individualismo, no consumismo; ou simplesmente caem para o submundo da miséria, da fome da marginalidade. É a pessoas assim que se dirige o convite divino à parceria (berith): pessoas  sem compaixão, porque acreditam que a competitividade é o melhor meio de eliminar a pobreza e o sofrimento humano; pessoas sem compaixão, porque são vítimas sacrificiais de uma economia perversa, e se tornaram brutalizadas pelo sofrimento; pessoas sem discernimento, porque há tanta informação que não mais se consegue avaliar a veracidade das mesmas; pessoas sem discernimento, porque o consumista é guiado pelo desejo, pura e simplesmente, não pela razão, nem pela inteligência da fé. Para a mensagem da parceria ser viável, porém, as pessoas que nela crêem e por ela vivem, precisam constituir-se como comunidades cheias de compaixão e solidariedade.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Compaixão e solidariedade na comunicação do Evangelho&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;É necessário compaixão e solidariedade para comunicar o Evangelho da parceria, a fim deste se contrapor à má-notícia de que não há mais futuro viável fora do capitalismo. Ao olhar para as pessoas e para as multidões de seus dias, Jesus as via como “ovelhas sem pastor” e demonstrava-lhes compaixão. A compaixão/solidariedade era o motor de suas ações a favor das pessoas (v. Mt 9,36; 14,14; 15,32; 20,34; Mc 6,34; 8,2; Lc 7,13, etc.). Jesus demonstrava, através de seus atos, a compaixão de Deus pelos seus filhos e filhas escravizados ao pecado; demonstrava a solidariedade do Deus encarnado para com a humanidade pecadora (cf. Hb 2,14-17; 4,15-16). Para comunicar o Evangelho não se pode ver o “outro” como adversário – a evangelização não pode gerar inimigos, mas, sim, pessoas reconciliadas com Deus e, consequentemente, com o próximo e com elas mesmas, amigos e amigas de Jesus Cristo (Jo 15,14-15). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para comunicar o Evangelho é necessário resistir à tendência desumanizadora e brutalizante de nossa sociedade; é preciso resistir à tentação de vivermos apenas em função de nós mesmos e de nossos interesses e desejos. Precisamos de solidariedade, compaixão: sentir o sofrimento do outro, como o nosso próprio sofrimento – sensibilidade, empatia. Se somos amigos e amigas de Cristo, fazemos o que Ele manda. E o que Ele manda? “Eu vos escolhi para irdes produzir frutos e para que o vosso fruto permaneça ... O que eu vos ordeno é que vos ameis uns aos outros” (Jo 15,16-17). A comunidade da parceria existe para viver e comunicar o Evangelho – essa é a grande comissão de Jesus (Mt 28,18-20 e paralelos), e esse é o poder do Espírito (At 1,8) – e se ela não o faz, deixa de ser povo de Deus, e se identifica com o mundo; torna-se sal sem sabor, não prestando para nada. A comunidade parceira espalha a boa notícia de que, com Deus, nós podemos mudar a vida das pessoas!&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Compaixão e solidariedade na prática do serviço ao próximo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Assim como Jesus fez acompanhar sua pregação de sinais visíveis do amor de Deus pelos pecadores, também a comunidade compassiva fará sua comunicação da salvação ser acompanhada dos sinais do Reino. Quem ama, é compassivo e solidário com a pessoa toda, não faz divisão entre “alma” e “corpo”, pregando para salvar “a alma” e deixar o “corpo” morrer, ou viver a serviço do Capital. Jesus cuidava das doenças do corpo, das doenças espirituais, dos problemas econômicos e sociais. Paulo, o evangelista aos gentios, recebeu a recomendação de “nos lembrar dos pobres, o que eu tive muito cuidado de fazer” (Gl  2,10). O serviço cristão é a expressão concreta da compaixão evangelizadora da Igreja. Serviço, ou diaconia (transliteração de palavra grega que significa serviço), é o meio pelo qual a comunidade parceira pratica as boas-obras para as quais foi chamada por Deus (Ef 2,10). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos discernir quais são as boas-obras mais urgentes, ou quais as formas mais importantes de ação diaconal. No âmbito da economia, por exemplo, a esmola já perdeu a sua eficácia (que teve em períodos muito antigos na história econômica da humanidade). O socorro econômico através da esmola é insuficiente para livrar os pobres da miséria. É preciso ações mais eficazes. Por exemplo: projetos sociais de capacitação profissional, projetos sociais de desenvolvimento comunitário; movimentos sociais de luta contra o desemprego, contra a fome; movimentos políticos pela adoção de mecanismos de defesa econômica dos cidadãos, garantidos pelo Estado – por exemplo: renda mínima, salário educação, etc. No âmbito da saúde, é preciso também atuar através de projetos de desenvolvimento (ambulatórios, clínicas voluntárias, etc.), e de movimentos sociais e políticos (campanhas contra certos tipos de câncer, instituições especializadas no atendimento a certos tipos de doenças e deficiências, etc.; movimentos políticos que visem forçar o Estado a cumprir as metas de saúde pública mínimas para garantir a dignidade dos cidadãos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma palavra, é preciso que a comunidade parceira atue de forma a contribuir para que a cidadania seja uma verdade prática, e não apenas um direito constitucional. Para que a mensagem da parceria seja entendida, é necessário que a comunidade parceira demonstre os sinais do Reino através de sua vida e da vida de seus membros. Em nossa sociedade, na qual a pessoa só é vista como consumidora, ou como produtora de bens (ou, então, é tornada invisível), precisamos ajudar a desenvolver a cidadania das pessoas. Como cidadãos do Reino do Deus parceiro, somos chamados a lutar para sermos cidadãs e cidadãos de um país justo e livre e para demonstrar solidariedade plena para com os não-cidadãos! Para fazer isso, o Espírito que ungiu Jesus, também pode nos ungir (cf. Lc 4,18-21; 7,18-23). Praticando a cidadania, motivada pela parceria divina, a comunidade da fé pode se tornar parceira de quem, no mundo atual, precisa da emancipação e liberdade que o sistema capitalista é incapaz de oferecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3523126441433404487?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3523126441433404487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/12/parceria-pro-compaixaosolidariedade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3523126441433404487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3523126441433404487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/12/parceria-pro-compaixaosolidariedade.html' title='Parceria: Pró-Compaixão/Solidariedade'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-1494685856778557577</id><published>2010-11-30T16:50:00.000-02:00</published><updated>2010-11-30T16:50:13.101-02:00</updated><title type='text'>Parceria: Pró-Equidade</title><content type='html'>Voltemos à reflexão sobre a &lt;i&gt;berith&lt;/i&gt; na Escritura judaico-cristã. Vitalidade, Liberdade, Inclusividade – essas características da parceria divina foram brevemente discutidas em momentos anteriores. Hoje nosso foco recai sobre a quarta característica da parceria: a equidade. Opto pelo termo equidade ao invés de igualdade, porque o primeiro permite uma descrição mais adequada, na medida em que o seu uso corrente na língua não se confunde com a ausência de diferenças ou desigualdades. Equidade significa, basicamente, tratamento igualmente adequado em situações desiguais, a imparcialidade no trato, o reconhecimento dos direitos de cada pessoa independentemente de mérito particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Torá judaica, o livro do Deuteronômio, em uma seção que vai de 14:22 a 15:23, tematiza a reestruturação da sociedade com vistas à equidade. O texto bíblico pressupõe que, ao longo da vida, as desigualdades surgem – seja por causas naturais (em uma economia agrícola pré-moderna, qualquer desarranjo das condições naturais poderia tornar necessitada uma família), ou por causas humanamente impostas (tributação, cobrança de empréstimos, etc.). Cinco cláusulas ético-legislativas visam a recomposição da equidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira delas é a “lei do dízimo” (14:22-29), dividida em duas partes: o dízimo anual (22-27) e o dízimo trienal (28-29). O dízimo anual deveria ser levado ao lugar de culto e consumido em uma grande festa, pelos ofertantes, suas famílias, seus empregados, servos e por todas as pessoas necessitadas. Já o dízimo trienal deveria ser recolhido e estocado para servir às necessidades de “órfãos, viúvas, imigrantes e levitas (sacerdotes)”, grupos de pessoas que não possuíam terras e, assim, não poderiam se sustentar. Com esta formulação, a lei deuteronômica modifica a função do dízimo nas leis sacerdotais e monárquicas – nas quais o dízimo era uma espécie de imposto estatal ou religioso – gerando desigualdade, na medida em que privava o produtor e sua comunidade de parte do fruto do seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda norma (15:1-6), conhecida como ano “sabático”, ou “da remissão”, é uma reformulação de antiga norma pré-monárquica, que determinava o descanso da terra agrícola a cada sete anos. Na forma deuteronômica, a lei demanda o perdão de todas as dívidas de judeus no sétimo ano do ciclo sabático (tornando, assim, compulsória e permanente uma regra que reis poderiam utilizar a seu arbítrio). Trata-se do perdão de dívidas contraídas para sustento da família e não de dívidas para consumo de supérfluos, investimento ou similar (não era uma economia monetária nem capitalista). O texto afirma que o perdão deve ser proclamado em relação às dívidas do “próximo” ou do “irmão”, de modo que o devedor e sua família pudessem reorganizar-se e se restabelecer em sua própria terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira norma é a mais interessante (7-11), pois tematiza o empréstimo no sexto ano do ciclo sabático. Para um credor, emprestar no sexto ano do ciclo sabático praticamente equivaleria a dar o dinheiro ou o produto, pois com a chegada do sétimo ano a dívida teria de ser perdoada. Por isso, a norma enfatiza as paixões do possível credor: “não endurecerás teu coração, nem fecharás a tua mão ... não seja maligno teu olho ... não seja maligno teu coração ... generosamente darás”. A norma coloca o ser humano acima da economia, acima da relação comercial, acima da dívida financeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quarta norma (12-18) tematiza a libertação dos escravos – escravizados especialmente em função de dívidas contraídas e não pagas. Tal servidão só poderia durar seis anos. No sétimo ano (não do ciclo sabático, mas do período específico de serviço ao credor) o escravo deveria ser libertado e, ao sair da servidão, deveria receber produto suficiente (com liberalidade) para retomar o trabalho agrícola em sua própria terra. Aqui a motivação da norma é econômica: ao trabalhar por seis anos, qualquer dívida outrora contraída já teria sido paga e com sobras! Uma cláusula da norma é intrigante para nós ocidentais modernos: a pessoa poderia escolher não aceitar a libertação e permanecer como escrava da família do credor. Estranho. Mas, de novo, o valor é: a pessoa está acima da economia e das normas legais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quinta norma é a mais estranha para nós (19-23), pois trata do sacrifício de primogênitos de animais como expressão de temor e gratidão a Deus. Tais animais seriam consumidos, como os dízimos, em festas religiosas com a participação de toda a família do ofertante. Caso o animal tivesse alguma impureza que o impedisse de ser consagrado na festa religiosa, deveria ser comido na casa da família, em uma festa “sagrada não-litúrgica” (alguns chamariam esta cláusula de “secular”, mas como a motivação é teológica, não acho apropriado tal termo). A motivação, mais uma vez, é a equidade: todas as pessoas poderiam aproveitar a vida reproduzida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parceria divina visa a equidade. É claro que hoje em dia as normas deuteronômicas enquanto tais se tornaram pesadamente anacrônicas. O que importa, porém, é o valor subjacente às mesmas: equidade, reestruturação da vida social com vistas a proporcionar boas condições de vida a todos os membros do povo – sem relação com seu possível mérito ou demérito. Trata-se de uma visão político-econômica que, por um lado, está na base da visão moderna da dignidade humana e dos direitos das pessoas; mas, por outro, contesta a visão liberal capitalista dessa dignidade e direitos – centrada em mérito e conquista – e lhe opõe uma descrição dos direitos humanos baseada na simples graça, na dádiva ou, se preferirmos, na necessidade e na igual dignidade de todas as pessoas, independentemente do lugar social que ocupam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-1494685856778557577?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/1494685856778557577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/parceria-pro-equidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1494685856778557577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1494685856778557577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/parceria-pro-equidade.html' title='Parceria: Pró-Equidade'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-184623472923065421</id><published>2010-11-27T12:53:00.001-02:00</published><updated>2010-11-27T12:54:52.760-02:00</updated><title type='text'>“Guerra” no Rio de Janeiro</title><content type='html'>Todas as pessoas que acompanham o noticiário sobre os últimos dias de combate entre o Estado e o Crime Organizado no Rio de Janeiro reconhecem a situação de terror, caos e mortandade que se estabeleceu. Situação que os cariocas estão vivenciando, alguns como perpetradores, a maioria como vítimas inocentes de uma crônica situação de injustiça e exclusão social – que tenho comentado, em termos abstratos, neste blog mais de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta forte do Estado, polícia, exército, armas, equipamentos de guerra, não resolve a situação de violência. É necessária, um mal necessário, prefiro dizer. Resolve situações imediatas, conquista territórios específicos, delimita os agentes do confronto, demonstra as possibilidades e os limites estratégicos e de poder de fogo das partes envolvidas no conflito. Visa restabelecer a “ordem pública” violada pelo quase-Estado paralelo que o crime organizado tem conseguido criar e manter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resolver, porém, essa crise aparentemente interminável? Insisto: polícia e exército nas ruas não é a solução, assim como não o são mais presídios, celas, tecnologias de vigilância. Males necessários (talvez expressão de desespero e impotência), mas não solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos caminhos para a solução: quando o acesso à vida digna e boa mediante as vias “normais e ordeiras” estiver tão disponível e for tão atraente quanto o acesso oferecido pelo crime, cada vez menos pessoas irão buscar no crime o seu projeto de vida. Ora, adolescentes e jovens envolvidos no crime organizado sabem que a vida encurta. Mas lhes parece mais viável viver intensamente uma vida curta, do que sobreviver mal uma vida longa e chata. Quando o acesso “digno” à vida digna for universalizado, menos pessoas irão buscar nas drogas (cigarro, álcool, maconha, crack, etc.) a paz e o reconhecimento que não encontram no seu cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro caminho, simultâneo: quando formos capazes de modificar o conjunto hierarquizado de valores que legitima a violência sistêmica que gera e mantém pessoas sob o risco permanente da indignidade da vida, menos e menos pessoas optarão pelos caminhos ilegais e criminosos para alcançar o “sonho brasileiro”. Ou seja, quando o “sonho brasileiro” não for mais medido pela capacidade de consumo e pelo volume de dinheiro possuído, mas passar a ser medido pela qualidade da educação, da solidariedade, da cidadania, etc. Quando a auto-imagem e a auto-estima não forem mais construídas a partir da “posse”, mas da “partilha e da comunhão”, ou reconhecimento mútuo, as ofertas do crime não terão atração tão sedutora. Quando a cidadania não for mais obstaculizada pelas injustas gradações e privilégios que ainda são dominantes no Brasil, o “jeitinho” brasileiro não passará pelos caminhos da transgressão impotente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas sugestões apenas. Não a receita mágica, não a panacéia, não o projeto em plenitude. Dois caminhos a serem trilhados perseverantemente, jeitos não-jeitinhos-mas-jeitosos de refazer a nossa história e de fazer valer a máxima "o Rio de Janeiro continua lindo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as palavras atribuídas a Jesus nos Evangelhos, encontramos algumas falas que nos encaminham à reflexão transformadora: “onde está o teu tesouro, aí está o teu coração”; “bem-aventuradas as pessoas que têm fome e sede de justiça, serão saciadas”; “bem-aventuradas as pessoas que praticam a paz, verão a Deus”; “não acumulem tesouros na terra,onde a traça e a ferrugem comem e corroem”; “amarás o teu próximo, como a ti mesmo”. Não são pérolas de pensamento positivo. Não são mantras mágicos que repetidos farão do inferno um paraíso. São sínteses de sabedoria que convidam, que exigem reflexão, estudo, discernimento. São sinais que apontam para ações e relações capazes de vencer o mal com o bem. São, para todas e todos nós, con-vocações!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-184623472923065421?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/184623472923065421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/guerra-no-rio-de-janeiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/184623472923065421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/184623472923065421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/guerra-no-rio-de-janeiro.html' title='“Guerra” no Rio de Janeiro'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8963984267851966270</id><published>2010-11-23T15:50:00.001-02:00</published><updated>2010-11-23T15:54:06.920-02:00</updated><title type='text'>Exclusão: Impedimentos à Parceria Includente</title><content type='html'>Semana passada apresentei as características básicas da inclusividade como elemento constitutivo da parceria (&lt;i&gt;berith&lt;/i&gt;) entre YHWH e sua criação. Hoje quero destacar o que impede a inclusão, assim como, anteriormente, contrapus capitalismo, individualismo consumista e "religião" como obstáculos à vitalidade e à liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitalismo, individualismo consumista e "religião" também são obstáculos à inclusividade da parceria divino-criacional. De que maneira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mecanismo de exclusão é a &lt;i&gt;invisibilização&lt;/i&gt; do "outro". Nas sociedades capitalistas, parcela significativa da população é tornada invisível para que a injustiça estruturada-estruturante no/do capitalismo não seja percebida. No Brasil, por exemplo, cerca de um terço da população é constituída por essa gente invisível. Tais pessoas são excluídas do convívio social visível a fim de que não nos vejamos confrontados com o preço pago pela nossa "vida boa". Quem são essas pessoas? Podemos nomeá-las como pobres, miseráveis, vagabundos, bandidos, gentalha, ralé, ou termos assemelhados. São as pessoas que, para a ideologia capitalista, constituem o grupo de &lt;i&gt;fracassados&lt;/i&gt;. Pessoas que não "conseguiram" aproveitar as oportunidades de educação, trabalho e ascensão social oferecidas livremente a todas cidadãs e cidadãos dos países democráticos. Gente que não conseguiu atingir o ideal heróico e excludente do "self-made (wo)man".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente que não está qualificada para os postos formais do mercado de trabalho "digno" e se vê obrigada a aceitar qualquer trabalho, por mais indigno que seja. Gente que cata os lixos que descartamos; gente que se embebeda com as bebidas que produzimos para o lazer dos bem-sucedidos e para afogar as mágoas dos fracassados; gente que vende o prazer sexual enquanto o corpo ainda consegue atrair compradores (é claro que estou falando do sexo por 10, 20 ou tantos reais); gente que é aprovada sem mérito no sistema escolar público que não consegue lidar com sua própria incapacidade de enfrentar o sistema capitalista e, depois, não será aceita pelo "mercado"; gente que lava e "guarda" os carros que simbolizam a ascensão social e o prestígio do consumo; gente que sobrevive apenas às custas da lenta e progressiva morte advinda das drogas que encobrem o "fracasso"; gente que, enfim, irá encher os bancos das igrejas que oferecem solução mágica para problemas nada mágicos, soluções que nem todos os Harry Potter do mundo da fantasia conseguem conjurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro mecanismo, indissoluvelmente ligado ao primeiro, é o da &lt;i&gt;culpabilização&lt;/i&gt; do "outro". Essa gente excluída pelo sistema capitalista é não só tornada invisível, mas também culpabilizada pela sua própria condição de vítimas de uma injustiça social estruturada e estruturante da vida de seus corpos invisíveis. Já mencionara, e repito: as pessoas invisíveis são descritas como perdedoras, preguiçosas, indolentes, incapazes de aproveitar as oportunidades que o capitalismo e a democracia colocam ao alcance de todas as pessoas (a quem o sistema tem interesse em aproveitar). Gente que não alcançou o &lt;i&gt;mérito&lt;/i&gt; necessário para ser enxergada; gente que não se esforçou o bastante; gente que não se sacrificou para alcançar o que "toda pessoa honesta e trabalhadora" alcança: dinheiro suficiente para viver sua vidinha individualista e consumista no sistema capitalista; gente que não teve fé suficiente para sair da própria desgraça e cair nas graças do deus Mamom (dinheiro ou mercado, atualizando um dito atribuído a Jesus no Evangelho de Mateus, no chamado sermão da montanha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Culpabilização que é especialidade das instituições eclesiásticas cristãs que proliferam em nossa &lt;i&gt;terra brasilis&lt;/i&gt;. Há várias maneiras de usar a Bíblia e a tradição cristã para culpabilizar as pessoas já condenadas pelo "mundo". A mais famosa e eficaz dessas maneiras é a perversão do conceito bíblico do &lt;b&gt;pecado&lt;/b&gt;. Um conceito que, na Bíblia em geral, funciona principalmente como demarcador da distância ontológica (essencial) entre YHWH e a criação; mas que, em nosso discurso "cristão" é reduzido ao componente ético-moral. Conceito que legitima o círculo vicioso do sistema excludente: "você bebe porque é pecador, é pecador porque bebe" (podemos substituir o verbo beber por qualquer outro dos comportamentos que invisibiliza os excluídos do sistema vigente). Conceito que, ao invés de ressaltar a graça perdoadora de YHWH, caricaturiza o caráter de Deus como o de um rígido Juiz que distribui sentenças condenatórias a quem não pratica as obras necessárias para merecer a graça. E entre tais obras incluo a "fé" tão decantada em nosso discurso protestante, mas que de "fé" não tem quase nada, reduzida a uma obra meritória - posto que, de resposta à graça já outorgada, se torna em &lt;b&gt;condição&lt;/b&gt; para recebê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você acha que estou exagerando? É possível. Mas então olhe para os irmãos e irmãs da igreja, olhe para seus amigos e amigas, olhe para seus e suas colegas de trabalho ou estudo. A gentalha invisível está bem representada nesses espaços sociais "dignos" do mundo capitalista que eu e você frequentamos piedosamente? Ou, quem sabe, em sua igreja, bêbados não são retirados do templo, prostitutas são bem recebidas, pessoas de rua encontram teto para não dormir ao relento, crianças que cheiram cola conseguem encontrar comida e afeto???&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8963984267851966270?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8963984267851966270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/exclusao-impedimentos-parceria.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8963984267851966270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8963984267851966270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/exclusao-impedimentos-parceria.html' title='Exclusão: Impedimentos à Parceria Includente'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5395803073045529686</id><published>2010-11-16T16:53:00.000-02:00</published><updated>2010-11-16T16:53:51.481-02:00</updated><title type='text'>Parceria: Pró-Inclusividade</title><content type='html'>Dando continuidade aos elementos constituintes da teologia da parceria na escritura judaico-cristã. Juntamente com vitalidade e liberdade, a inclusividade é um dos aspectos da parceria entre YHWH e sua criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclusividade é um termo debatido, polêmico. Talvez seja bom começar pelo que não seria inclusividade na parceria. Não é inclusividade a &lt;i&gt;assimilação&lt;/i&gt; do diferente pelo grupo maior ou mais poderoso. Incluir não implica em exigir a aceitação, pelo incluído, da cultura do incluidor. Também não é &lt;i&gt;incorporação&lt;/i&gt; - termo mais institucional, que descreve o desaparecimento do incorporado no incorporador - um tipo mais perverso de assimilação. Inclusividade também não é mera &lt;i&gt;aceitação&lt;/i&gt;. Aceitar não conduz necessariamente à inclusão, pois é possível aceitar o outro sem que ele/ela faça parte do mesmo projeto de vida - aceitar sem se envolver, sem se comprometer, sem se relacionar. Também não é aceitar em um sentido passivo de não questionar o que a pessoa incluída faz ou pensa, ou tem como projeto de vida. A parceria de YHWH, quando inclui, &lt;b&gt;transforma&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começando pelo negativo, você mesmo/a pode deduzir o aspecto positivo. Antes, porém, de ir para essa dimensão, um pequeno desvio. O conceito bíblico mais importante, a meu ver, neste momento, para entender a inclusividade é o de &lt;i&gt;pecado&lt;/i&gt;. É claro que, neste caso, não podemos pensar no pecado como um termo ético ou moral, mas devemos pensar nele como termo ontológico. Pecado é um modo-de-ser, é uma espécie de natureza, um tipo de DNA da criatura. A escritura judaico-cristã insiste: "todos pecaram". Todos e todas estamos incluídas e incluídos nesta categoria que não permite hierarquias, gradações, privilégios. Todas as pessoas que vivem são pecadoras - finitas, não-plenas, em-processo, em-busca-de, inter-dependentes, mortais. Se todos pecaram, todas as distinções que nós seres humanos inventamos não têm valor algum, pois todas são negações da parceria na medida em que são recusas de aceitar a nossa condição de humanos, apenas ou demasiadamente humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esta revisão do conceito de pecado, podemos redescrever a noção de conversão. Conversão é uma reviravolta, uma retomada de posição, parar de acaminhar na direção da morte e começar a caminhar na direção da vida. Para essa retomada, é necessário o arrependimento (que não se trata de remorso ou ato similar), a tomada de consciência da nossa pecaminosidade, da nossa finitude. Sei que é politicamente incorreto falar de pecado, arrependimento, conversão. Incorreto, mas necessário. Foi o pensamento cartesiano, o humanista, o iluminista e seus assemelhados que transformaram o ser humano em super-humano, em ser-em-direção-ao-progresso-para-o-qual-nasceu. Humanos, somos perfeitos, plenos, racionais. Tão racionalmente plenos que, mesmo reconhecendo as atrocidades dos mundos pré-modernos, as repetimos com elevada dose de sutileza e humanismo ilustrado. Não somos como os antigos, que dividiam o mundo entre gregos e bárbaros, com-alma e sem-alma. Hoje sabmeos que todos somos iguais em dignidade - somos diferentes apenas na conta bancária, no status social. Nossos binarismos são racionais, científicos. É desse caminho que precisamos nos arrepender e encetar meia-volta em direção oposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrependidas e convertidas, as pessoas estão incluídas na parceria de YHWH. Nessa parceria, o projeto de vida transformador, pró-vitalidade e pró-liberdade envolve todas as participantes - inclusivamente, sem gradações, privilégios ou hierarquias. Todos os membros da parceria contribuem criativamente para realizar a própria parceria, para concretizar as suas próprias dimensões. Entrar na parceria não é tão fácil, mas permanecer nele é menos fácil ainda - há que se adentrar em um novo estilo de vida, ainda-em-construção, inacabado, utópico. Inclusividade que não significa uniformidade, comodidade, banalidade. Incluir para transformar sem-violência. Transformação que é auto-transformação-em-parceria. Incluir todas as pessoas que, de direito, são iguais; embora, de fato, diferentes. Diferenças que não excluem, não assimilam, não incorporam. Diferenças que, includentemente, enriquecem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5395803073045529686?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5395803073045529686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/parceria-pro-inclusividade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5395803073045529686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5395803073045529686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/parceria-pro-inclusividade.html' title='Parceria: Pró-Inclusividade'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-1918553018436718793</id><published>2010-11-09T17:03:00.001-02:00</published><updated>2010-11-09T17:05:43.659-02:00</updated><title type='text'>Vitalidade e Liberdade - Obstáculos Contemporâneos</title><content type='html'>Em posts anteriores apresentei a vitalidade e a liberdade como elementos constituintes da parceria entre YHWH e sua criação. Quero destacar, neste, alguns dos obstáculos fundamentais que, na contemporaneidade, se interpõem à vitalidade e à liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começando com o mais abstrato: o sistema econômico capitalista. Ficou meio fora de moda criticar o capitalismo de modo radical. Afinal de contas, vivemos na época do pensamento único, do fim das ideologias e das utopias...&lt;br /&gt;Não tenho problema, porém, em estar fora de moda se for necessário. O capitalismo tornou-se um sistema econômico que coloca obstáculos de elevada monta à vitalidade. Apenas exemplos: Posso começar com a crise ambiental que vivemos e que, apesar das grandes reuniões e eventos, ainda não está próxima de ser superada. No final das contas, entre ambiente e lucro, o capitalismo elege o lucro. O capitalismo é gerador de miséria e exclusão, além de manter os trabalhadores dentro de patamares baixos de remuneração - doutra forma a tal de mais-valia (ainda que o conceito mereça revisão) não consegue formar parte do lucro. Ok! Não temos nenhum outro sistema econômico preparado para entrar e substituir o capitalismo. Mas quando o capitalismo iniciou, ele estava na mesma condição em relação ao feudalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semelhantemente, o capitalismo não é compatível com a liberdade. É moeda corrente nos estudos sociológicos sobre a modernidade - pelo menos entre sociólogos tais como Sousa Santos, José Maurício Domingues, Jessé Souza etc. - que o capitalismo moderno oferece liberdade à troca de mercadorias, mas gera dependência para os trabalhadores e as pessoas que vivem à sua órbita. Em outras palavras, a liberdade formal da cidadania não é acompanhada pela liberdade material da economia. O Estado de bem-estar social não conseguiu superar a dependência, e o atual modelo neoliberal está ainda mais longe de favorecer a liberdade plena do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro obstáculo, que tem tudo a ver com o primeiro, é o individualismo consumista. Este tornou-se a forma cultural de vida predominante no Ocidente contemporâneo. Pessoas individualistas e consumistas não são capazes de atuar pela vitalidade e pela liberdade, a não ser em auto-benefício - o que, de fato, constitui-se em negação de ambas, posto que não se configura como ação parceira-pactual. O individualismo consumista vincula a identidade da pessoa aos objetos que pode consumir, despersonalizando-a e despersonalizando também as relações inter-pessoais. Semelhantemente, o individualismo consumista gera obstáculos tremendos à responsabilidade pública e, consequentemente, à solidariedade ativa e concreta em defesa dos direitos das vítimas da injustiça cristalizada no capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um último obstáculo a ser mostrado neste post (não último na realidade - deveria falar da ciência, da mídia, do estado...) é a própria religião. A forma contemporânea da religiosidade no Ocidente - nas igrejas e denominações cristãs bem como em outras formas e instituições religiosas - é de cunho individualista, competitivo, consumista e alienante. Na linguagem da carta paulina aos romanos, é uma religiosidade "conformada ao presente século", ou seja, com a cara do mundo presente. Uma religiosidade que abandonou a utopia, que abandonou a esperança, que renunciou à luta pela justiça e à busca pelo reinado de Deus (cf. o Sermão do Monte em Mateus 6), optando pela busca do dinheiro e tudo o que ele pode comprar. Trocou YHWH por Mamon, configurando-se em religiosidade tipicamente idolátrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se queremos viver de modo concreto a parceria de YHWH, não podemos ser românticos, mas, sim, proféticos. Não podemos nos conformar, mas resistir. Resistir duramente ao "sistema" idolátrico que gera não-vitalidade e não-liberdade; posto que só oferece vitalidade e liberdade para quem as acumula e entesoura exclusivamente para si mesmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-1918553018436718793?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/1918553018436718793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/vitalidade-e-liberdade-obstaculos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1918553018436718793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1918553018436718793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/vitalidade-e-liberdade-obstaculos.html' title='Vitalidade e Liberdade - Obstáculos Contemporâneos'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4060050275592168417</id><published>2010-11-03T13:32:00.000-02:00</published><updated>2010-11-03T13:32:52.493-02:00</updated><title type='text'>Novos Blogs na Lista</title><content type='html'>Você deve ter percebido que incluí três novos blogs na relação de blogs interessantes. Tirei um, porque ele estava ficando muito desinteressante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três novos: (1)o primeiro desses novos fica sempre no final da lista, pois não permite que as atualizações sejam lidas diretamente pelo sistema blogger - é um blog de artistas cristãos; (2) o blog de um amigo, ex-doutorando da EST, agora doutor, o André, que se especializou em teologia queer - assim, as discussões sobre homossexualidade passam pelo blog dele e só entro no assunto de vez em quando; (3) o blog de Isa Medeiros - "Preguiça Mental". Não a conheço. Não sei de que religião ela é. O seu blog porém é muito interessante, com um jeitão profético, criativo e bem-humorado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4060050275592168417?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4060050275592168417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/novos-blogs-na-lista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4060050275592168417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4060050275592168417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/novos-blogs-na-lista.html' title='Novos Blogs na Lista'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8415053979225980667</id><published>2010-11-03T13:24:00.001-02:00</published><updated>2010-11-03T13:28:03.871-02:00</updated><title type='text'>Parceria: Pró-Liberdade</title><content type='html'>Continuo as reflexões em gotas sobre a &lt;i&gt;berith&lt;/i&gt;. Lembrando: (1) &lt;i&gt;berith&lt;/i&gt; = parceria/relação pessoal mas não individualista; (2) &lt;i&gt;berith&lt;/i&gt; possui várias dimensões, definidas pelos tipos de parceria/relacionamento que são por ela normatizados; (3) a primeira dimensão sobre que refleti foi a "pró-vitalidade" - a parceria de YHWH, a partir do ato criador, é com toda a sua criação e não apenas com os seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda dimensão da &lt;b&gt;parceria&lt;/b&gt; que desejo ressaltar é a da liberdade. YHWH, pró-vitalidade é também pró-liberdade. Ao criar o mundo, faz desse mundo todo parceiro de seu ato criador, mediante o repartir a responsabilidade de gerar e sustentar a vida. Essa responsabilidade é o modo da parceria YHWH-criação estabelecer a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, liberdade não pode ser vista, então, como o direito de fazer o que se quer fazer. Esta concepção é meramente individualista, voluntarista e pró-mortalidade. É melhor pensar na liberdade em outros termos. Por exemplo: nos escritos de Hegel se pode encontrar uma concepção de liberdade como superação da vontade individual a partir do reconhecimento dos direitos e das necessidades dos outros na totalidade social - ou liberdade como vida ética, concretizada no direito universalizável. Esse direito, porém, não pode ser meramente externo ao ser humano, pois, se fosse, não serviria para a liberdade - pois liberdade presupõe não ser determinado exteriormente. Citando o próprio Hegel: “A verdadeira liberdade, enquanto eticidade, é não ter a vontade como seu fim, conteúdo subjetivo, isto é, egoísta, e sim conteúdo universal” (&lt;i&gt;Enciclopédia das Ciências Filosóficas&lt;/i&gt;, Loyola, São Paulo, vol. 1, p. 263).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia dar outros exemplos. Fico por aqui. Citei Hegel como um modo de também nos divertirmos. Eu, em particular, sou avesso ao sistema hegeliano. Cito porque, mesmo não aceitando um sistema, podemos dele extrair conceitos e ressignificá-los. Daí: liberdade não é fazer o que eu quero, mas, sim: liberdade é viver a parceria pró-vitalidade (isto ressignifica a noção hegeliana de eticidade). Ser livre é poder fazer tudo aquilo que possibilita a vitalidade. Mas só sou livre em parceria, ou, somente na comunhão com Deus e com sua criação, posso ser livre. Até porque, fora da relação com a criação e com YHWH criador/a, sou apenas um ser em direção à morte. Nunca um ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao texto do Gênesis. Os primeiros onze capítulos mostram como a liberdade é perdida na medida em que recusamos a parceria pró-vitalidade. O pecado &lt;i&gt;originante&lt;/i&gt; (não "original" - briga da teologia sistemática) pode ser descrito como a tentativa de viver em liberdade sem a parceria - em outras palavras, a proibição simbólica de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal não visava a manutenção de Adão e Eva na inocência infantil. Visava, ao contrário, que Adão e Eva aprendessem que somente na parceria com YHWH o conhecimento do bem e do mal lhes serviria como veículo de liberdade e não de servidão. Daí pecado originante: querer ser livre fora da parceria é a origem de todos os pecados possíveis e imagináveis. ("Que volta estranha!" Talvez você esteja meio perdido com o meu argumento. De fato, deixei muita coisa implícita neste parágrafo. Uma dica para você preencher o argumento, se quiser: leia o Gênesis 2-3 à luz da discussão de Nietazsche e Foucault sobre o saber como poder e o poder como meio de colocar o outro em servidão.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um salto no tempo e espaço. De Gênesis a Gálatas. "Para a liberdade Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão" (5:1). "Vós fostes chamados à liberdade, irmãos. Entretanto, que a liberdade não sirva de pretexto para a carne, mas, em amor, colocai-vos a serviço uns dos outros" (5:13). Liberdade só existe na parceria com a pessoa messiânica Jesus - fora da parceria, retornamos ao jugo da escravidão ao mundo, ao pecado, à Lei e à carne. Retornamos ao mundo da liberdade como mero dever - externamente imposto sobre nós - seja por Deus, seja pela natureza, seja pelo Direito/Lei, seja pela cultura, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade só existe na parceria de amor/serviço mútuos que prestamos uns aos outros. Liberdade é liberdade do egoísmo para a liberdade enquanto amar. É a liberdade do dever, para a liberdade enquanto possibilidade. É a liberdade da morte, para a liberdade enquanto vitalidade. Vitalidade que se concretiza no serviço amoroso a todas e todos os parceiros na criação divina. Liberdade é não receber a imposição do dever de nenhuma força externa a nós. O dever (ressignificando Kant) brota de dentro de nós, na relação de parceria pró-vitalidade, com YHWH e toda a criação. Assim, dever é sinônimo de possibilidade. Amo as outras pessoas e criaturas de YHWH porque, na parceria, posso amá-las - e , ao amá-las, também amo a mim mesmo, pois me coloco no lugar de ser amado por todos os demais parceiros e parceiras da parceria pró-vitalidade. Podemos descrever, então, a liberdade, também como &lt;b&gt;hospitalidade&lt;/b&gt; - acolher o outro, &lt;i&gt;não-convidado&lt;/i&gt;, como co-habitante na minha casa. (Aqui, estão implícitas muitas das discussões éticas de Emanuel Levinas e Jacques Derrida, assim como uma das parábolas de Jesus, a do banquete em Lucas 14:12-14.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso, agora, dar o salto da linguagem pessoal para a das relações institucionalizadas em nossas sociedades complexas do mundo contemporâneo. Deixo este salto para você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8415053979225980667?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8415053979225980667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/parceria-pro-liberdade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8415053979225980667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8415053979225980667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/parceria-pro-liberdade.html' title='Parceria: Pró-Liberdade'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2285034813868336415</id><published>2010-11-01T10:49:00.000-02:00</published><updated>2010-11-01T10:49:12.513-02:00</updated><title type='text'>Perguntar não ofende!</title><content type='html'>Candidata eleita Presidente da República: por que não agradeceu a Deus pelos votos que a elegeram neste segundo turno e invocou Sua ajuda para governar sabiamente o país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Candidato derrotado no segundo turno: por que não agradeceu a Deus e invocou Sua ajuda agora que a "luta continua"?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2285034813868336415?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2285034813868336415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/perguntar-nao-ofende.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2285034813868336415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2285034813868336415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/11/perguntar-nao-ofende.html' title='Perguntar não ofende!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7886238276818968086</id><published>2010-10-29T14:26:00.001-02:00</published><updated>2010-10-29T14:29:40.472-02:00</updated><title type='text'>Parceria: Pró-Vitalidade</title><content type='html'>Volto ao tema da &lt;i&gt;berith&lt;/i&gt; - parceria, aliança ... - a partir do Antigo Testamento. Ao preferir um termo tão frágil quanto o termo parceria e ao descrevê-lo a partir de sua fragilidade - relação pessoal - é preciso acrescentar qualificativos a fim de que a teologia não seja romântica, personalista, individualista e alienada. A fim de que não seja tais coisas, mas de modo que não seja mais do que frágil palavra crítica, reflexiva, discurso, esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pró-vitalidade. Evite o termo pró-vida por causa de sua utilização no debate sobre legalidade do aborto, tema que não tratarei aqui e agora. Pró-vitalidade. Estou pensando nos dois relatos iniciais da Torá - que são dois relatos sobre a criação divina (Gn 1:1-2:4a e Gn 2:4b-3:24). A Escritura inicia, teologicamente falando, com a afirmação de Elohim-YHWH como Criador de todas as coisas que existem. Deus é pró-vitalidade: ele a vivencia plenamente, ele a reparte com suas criaturas, ele a torna normativa para a parte da criação que entra em parceria pessoal com o/a criador/a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é vitalidade? Cito um teólogo sistemático fora-da-caixa: “Iremos interpretar vitalidade como &lt;i&gt;amor pela vida&lt;/i&gt;. Este amor pela vida vincula os seres humanos com todos os demais seres vivos, que não estão apenas vivos, mas querem viver. Desafia, também, os seres humanos em sua estranha liberdade para a vida; pois a vida, que pode ser deliberadamente negada, tem de ser afirmada antes de poder ser vivida. O amor pela vida diz sim à vida a despeito de suas doenças, deformidades e enfermidades, e abre a porta para uma vida contra a morte.” (MOLTMANN, Jürgen. &lt;b&gt;The Spirit of Life&lt;/b&gt;. A universal affirmation, Minneapolis, Fortress Press, 1992, p. 86)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parceria YHWH/nós-humanos, o amor pela vida é a categoria normativa chave. O amor pela vida de todas as criaturas, pois todas as criaturas divinas (minerais, vegetais, animais...) se constituem como um harmonioso-conflitivo ambiente interconectado e interdependente - simultaneamente conflitivo e harmonioso. Um lembrete: os primeiros animais a serem abençoados por Elohim-YHWH não foram os animais-humanos (Gênesis 1:20-25).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a parceria é pró-vitalidade, ela é contra que? Contra a violência. Contra a opressão. Contra a injustiça. Contra a miséria. Contra o abuso dos recursos planetários-cósmicos. Contra a acumulação de capital. Contra o consumismo. Etc. - Você deve definir o que cabe no "etc.". "Contra", porque muita gente prefere a força de amar a sua própria vida em vez de amar a vida de toda a criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ela é pró-vitalidade, ela é pró que? A parceria divina-humana é a favor de vida digna para todas as criaturas. É a favor, primariamente, das criaturas cuja vida em plenitude esteja ameaçada pelo que nós-humanos fazemos. A favor dos minerais, vegetais e animais que não têm vez e voz nas grandes decisões políticas e éticas. É a favor das pessoas empobrecidas, marginalizadas, abandonadas, excluídas - pelo sistema político-econômico-tecnocientífico-midiático. Pessoas cujo clamor Elohim-YHWH ouve, mas a maioria de nós-humanos é incapaz de ouvir, pois só consegue ouvir sua própria voz altissonante que diz "compre", "tenha", "determine", "seja famoso/a"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parceria pró-vitalidade é uma afirmação teológica frágil que deseja reafirmar, em pleno século XXI, as grandes bandeiras éticas de teologias como a liberal, a do evangelho social, a da libertação, a negra, a feminista, a da missão integral ...&lt;br /&gt;Note bem: as grandes bandeiras éticas - o que é bem diferente de querer reafirmar os conceitos teológicos e suas sistematizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, todas essas teologia, &lt;i&gt;enquanto formas sistemáticas de conceituação&lt;/i&gt;, já estão fora de seu prazo de validade. Enquanto, porém, houver pobres neste mundo, discriminação por sexo, raça, cor, credo, injustiça social, etc. o grito dessas teologias continua em plena validade. Uma parceria pró-vitalidade é uma parceria libertadora, emancipadora, humanizadora, eco-transformadora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de romantismo. Nada de individualismo. Nada de ideologismo. Muito, sim, de con-vocação à responsabilidade, à solidariedade, à cidadania ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7886238276818968086?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7886238276818968086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/parceria-pro-vitalidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7886238276818968086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7886238276818968086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/parceria-pro-vitalidade.html' title='Parceria: Pró-Vitalidade'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2136784217146377336</id><published>2010-10-27T09:40:00.001-02:00</published><updated>2010-10-27T09:48:35.491-02:00</updated><title type='text'>Alunos universitários agridem colegas da Unesp em "rodeio de gordas"</title><content type='html'>Só para registrar, copiando da Folha de São Paulo, edição online. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que passa na cabeça de universitários que fazem de suas colegas "animais de rodeio"? Não é só machismo. Não é só ignorância. É algo mais, muito pior. E na maior cara de pau, segundo a reportagem da Folha, os responsáveis por tal estupidez ainda se defenderam: "é só brincadeira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma sociedade consumista, dinheirista, que idolatra as "medidas certas" das modelos esqueléticas, a "alimentação saudável" dos corpos de academia, cada vez mais se pratica a desumanização. Já não basta o estigma social colocado sobre as pessoas que não correspondem aos padrões de medição corpórea? Já não basta o sexismo ainda existente e imperante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/820901-alunos-universitarios-agridem-colegas-da-unesp-em-rodeio-de-gordas.shtml&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso acontece em meio a avanços tímidos da equidade entre homens-mulheres na sociedade brasileira. Confiram:&lt;br /&gt;http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/10/12/brasil-volta-cair-em-ranking-de-igualdade-entre-sexos-922766697.asp&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2136784217146377336?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2136784217146377336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/alunos-universitarios-agridem-colegas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2136784217146377336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2136784217146377336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/alunos-universitarios-agridem-colegas.html' title='Alunos universitários agridem colegas da Unesp em &quot;rodeio de gordas&quot;'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4043419823949386761</id><published>2010-10-25T13:22:00.001-02:00</published><updated>2010-10-25T13:24:28.604-02:00</updated><title type='text'>Que tipo de parceria?</title><content type='html'>Como afirmei no post anterior, penso que o termo &lt;i&gt;parceria&lt;/i&gt; é a melhor tradução para o português do significado teológico (propriamente dito) da palavra hebraica &lt;i&gt;berith&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte das traduções modernas da Bíblia, porém, prefere o termo aliança - que não é ruim - mas ainda assim prefiro parceria. Por quê? Porque a palavra parceria possui em seu núcleo semântico a idéia de um relacionamento interpessoal, &lt;i&gt;não mediado&lt;/i&gt; institucionalmente, &lt;i&gt;nem intermediado&lt;/i&gt; pessoalmente. Para a versão protestante de cristianismo, a relação da pessoa com Deus é uma relação não-humanamente-mediada (seja por mediação pessoal, seja, especialmente, por mediação institucional). Isto não significa, é claro, que a relação com Deus seja concebida de modo individualista, nem que seja concebida em oposição à participação da pessoa em uma comunidade eclesial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ênfase principal recai sobre o fato de que a relação com Deus é pessoal, ou seja, individual e intransferível. "Eu" me relaciono com Deus, a parceria é entre duas pessoas um "eu" e um "tu", entre as quais nada pode se intrometer para definir os termos da relação. Não é possível manter relação com Deus mediante procuração, ou mediante vicariedade, ou mediante solidariedade. "Eu" e "tu" são parceiros enquanto se mantêm na relação eu-tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, em função do individualismo que infesta as culturas ocidentais, é importante destacar que a pessoalidade sempre implica em intersubjetividade (ou interpessoalidade, embora este termo não seja comumente usado). A intersubjetividade presente na pessoalidade da parceria, entretanto, não é do caráter da intermediação, nem da representação, mas, da &lt;i&gt;apresentação&lt;/i&gt; (no sentido de pessoas apresentando pessoas a outras pessoas). Uma vez apresentadas, o conjunto das pessoas envolvidas passa a formar uma comunidade, uma comunhão de pessoas que se comunicam, buscando a construção de um projeto comum de vida em parceria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocada desta maneira, a significação teológica da parceria se revela prisioneira de uma grande dose de fragilidade. Relações interpessoais podem terminar a qualquer momento. Podem ser cooptadas institucionalmente e transformadas em relações contratuais. Podem ser manipuladas de tal forma que a parceria se extinga e ocorra em seu lugar o uso de uma pessoa por outra(s). Talvez por isso encontremos um dito "enigmático" de Jesus no evangelho de Lucas: o reino de deus é tomado violentamente. Talvez por isso Paulo tenha destacado o poder da fraqueza de Deus. Talvez por isso as virtudes "teologais" sejam fé, amor e esperança - virtudes frágeis, duas das quais meramente temporárias, sendo que somente o amor permanece além e aquém da temporalidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4043419823949386761?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4043419823949386761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/que-tipo-de-parceria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4043419823949386761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4043419823949386761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/que-tipo-de-parceria.html' title='Que tipo de parceria?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7670254975117430567</id><published>2010-10-22T15:09:00.001-02:00</published><updated>2010-10-22T15:11:37.505-02:00</updated><title type='text'>Deus, nosso parceiro.</title><content type='html'>Mudando de Assunto!  Chega de brincadeiras de mau-gosto. Vamos voltar aos papos teológicos mais agradáveis. Já expus minha indignação. É hora do prazer e da diversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último fim de semana lecionei em Petrópolis um tema de teologia do antigo testamento - o da aliança (BERITH em hebraico). Nas discussões acadêmicas há um imenso material sobre o tema. Aprendi muito com os especialistas que eu li. Mas, acho que ainda há lugar para uma descrição diferente do significado desse conceito da aliança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que característica do ser-agir de YHWH é destacada pelo uso dessa palavra/termo no AT? Para mim, a melhor síntese desse uso pode ser feita pela palavra "parceria". O conceito teológico da aliança no AT nos apresenta um Deus parceiro da gente, parceiro de toda a criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras parceria e parceiro não têm feito parte do vocabulário técnico da teologia. A linguagem técnica prefere aliança, pacto, tratado, contrato, decreto, etc. Essas palavras têm sua vez, não nego. Mas. Mas, porém, todavia ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliança é, antes, aquém e acima de tudo, uma parceria que Deus faz com sua criação. Deus se aproxima da gente e da criação. Parceiro é quem se aproxima, quem anda junto, quem suporta a/o outro/a parceiro nos seus limties, quem se alegra com a/o parceira/o nas suas alegrias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é, me parece, YHWH. Parceiro. ParceirA, também, por que não? A soberania, a transcendência, a exaltação, a santidade e os demais atributos inefáveis de YHWH não anulam este aspecto do sentido da palavra bíblica "aliança". YHWH é parceiro, amigo, companheiro, camarada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que nós, muita vez, abusamos dos parceiros. Achamos que camarada é gente pra usar e abusar. Nós é que somos parceiros "meia-boca". YHWH é parceira/o de primeira qualidade. Fiel o tempo todo. Sempre fiel. Sempre companheir@. A questão para a gente refletir é: e eu, desfruto fielmente da parceria de YHWH, ou fico sacaneando o/a parceiro/a?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu sei que permaneço fiel? Quando eu não deixo minha infidelidade durar mais tempo do que o humanamente necessário. Quando eu passo mais tempo do que eu costumo sendo parceiro das pessoas que precisam de mim. Quando o dinheiro, o prestígio, a influência, o poder, o ganho não são meus parceiros, mas apenas objetos que uso e jogo fora quando gastos. Com certeza tem mais coisa a se dizer sobre isto ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7670254975117430567?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7670254975117430567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/deus-nosso-parceiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7670254975117430567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7670254975117430567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/deus-nosso-parceiro.html' title='Deus, nosso parceiro.'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-390872613123694441</id><published>2010-10-19T14:21:00.001-02:00</published><updated>2010-10-19T14:26:11.662-02:00</updated><title type='text'>Blasfêmia?</title><content type='html'>Blasfêmia é um termo que saiu fora de moda. No mundo do "politicamente correto" e da "liberdade de expressão", a acusação de blasfêmia (uma fala que desonra a Deus, ou a instituição religiosa que representa Deus, ou a religião mesma) é normalmente vista como retrógrada, autoritária, intolerante - lembremos dos casos em que o Islamismo foi acusado de tal atitude - a condenação de Salman Rushdie e o episódio dos cartoons. Houve casos em que Igrejas cristãs se posicionaram radicalmente contrárias a certos filmes ou obras de arte, recentemente - e embora não tenham usado tal palavra, a acusação de intolerância foi levantada imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, porém, avaliar o atual momento da campanha eleitoral pela presidência da República? Uma candidata se reúne com lideranças evangélicas(?) e, ao ouvir uma exigência vazia, assume um compromisso inútil (a carta sobre o aborto). Vazia e inútil, por quê? Porque já há vários projetos de lei em discussão no Congresso Nacional sobre a descriminalização parcial ou total do aborto (em acréscimo às exceções já previstas em lei). Ora, a troco de que a futura-esperançosa presidente da república promete que não tomará iniciativa no envio de projetos de lei ao Congresso relativos ao aborto, se tais já existem e se qualquer deputado ou senador pode fazê-lo? e cito a sua carta: "3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País." Bela e vazia e inútil e astuta promessa - astuta, porque a candidata não disse ser contra a descriminalização do aborto, pois se o tivesse dito, teria de explicar a mudança (suposta ou real) de posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos mais um exemplo de inutilidade: "Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro (sic!) governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no país." Ora, a troco de que a candidata promete que irá cumprir a Constituição se eleita? Não fará nada mais do que sua obrigação constitucional como principal executiva do país! Isto sem contar com a possibilidade de derrubada do veto presidencial, e sem contar com o Supremo Tribunal Federal, corte que é responsável pela análise de casos de possível violação da constituição por leis ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, quem pediu ignorantemente o compromisso, recebeu o que pediu. Evangélicos (quem são eles?) abandonaram a altiva alienação da política partidária e assumiram a ignorante participação na campanha. Cá entre nós, muito pior!, mas bota muito nisso!!! Que é tal conversa, senão blasfêmia? Deus é desonrado pela ignorância dos que se pretendem seus representantes, é desonrado pela sagacidade política da candidata que angaria votos cristãos com promessas vazias e compromissos inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da campanha, nada melhor. Pior, até! A campanha do candidato José Serra conta agora com um novo santinho, em que a frase "Jesus é a verdade e a justiça" recebe o peso da autoridade da assinatura do candidato. Usar o nome e o caráter de Jesus para ganhar votos, senhor candidato, é blasfêmia! Desonra o nome de Deus ser vinculado servilmente a propósitos eleitorais (ou eleitoreiros?) e ser subordinado à autoridade do futuro-esperançoso presidente da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os folhetos e textos - supostamente - de autoria da CNBB contra a candidata Dilma? (o que é negado pelos seus líderes) - cito a fonte da notícia, não da defesa da CNBB: "Neste domingo (17), a Polícia Federal apreendeu em uma gráfica em São Paulo, a pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), folhetos com o texto intitulado "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", assinado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O folheto relaciona a candidata do PT à defesa da legalização do aborto. Segundo a gráfica, os folhetos foram encomendados pela Diocese de Guarulhos (SP)." http://www.jusbrasil.com.br/politica/6076943/serra-nega-participacao-do-psdb-em-folhetos-religiosos-contra-dilma). Ultraje à CNBB ter seu nome usado dessa maneira. Blasfêmia! Desonra a Deus que seu Santo nome seja desonrado em prol da fé na vitória eleitoral de tal ou qual candidato(a).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blasfêmia, porque Deus é desonrado quando candidatos à presidência de uma república democrática reduzem a campanha a questões morais-religiosas e desconsideram os cidadãos não-cristãos que aqui habitam. Como Deus não faz acepção de pessoas, mas faz cair sol e chuva sobre "justos e injustos", a parcialidade religiosa da campanha é uma afronta contra o nome de Deus. (Ah! antes que nos esqueçamos: Jesus morreu e ressuscitou pelos injustos, não pelos justos ...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que Deus não é um todo poderoso ancião vingador, doutra sorte ai de nós, brasileiros, que seríamos vítimas das iras e maldições da divindade desonrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda é tempo de pedir perdão. Quem se habilita?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-390872613123694441?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/390872613123694441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/blasfemia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/390872613123694441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/390872613123694441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/blasfemia.html' title='Blasfêmia?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-889249125937775090</id><published>2010-10-13T09:17:00.000-03:00</published><updated>2010-10-13T09:17:09.584-03:00</updated><title type='text'>Em quem votar nesta eleição? Critérios Teológicos?</title><content type='html'>Nas últimas semanas tenho acompanhado as polêmicas religiosas relativas à escolha de candidato à presidência da República, em relação às quais já fiz alguns posts aqui no blog. Desejo retomar o assunto, tentando responder às perguntas do título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Começo com a segunda: existem critérios teológicos específicos para a escolha de um(a) candidato(a) a um cargo estatal? Minha resposta é simples e direta: &lt;b&gt;não&lt;/b&gt;! Critérios teológicos existem em âmbito mais geral, mais abstrato, tais como justiça social, eqüidade, liberdade, etc. Este tipo de critérios não permite um vínculo causal direto com a escolha de tal ou qual candidato a um cargo qualquer, mesmo o da presidência da república.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os critérios de cunho mais genérico nos fazem perguntar pelo projeto político do partido (ou coligação de partidos) pelo qual o/a candidato/a concorre ao cargo estatal. Por exemplo: se elegermos tal projeto político, podemos esperar uma melhoria nas condições de vida da população mais pobre? podemos esperar maior eqüidade social e econômica? podemos esperar maior dose de liberdade individual com respeito à lei e aos direitos do próximo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocando a questão da maneira acima, parece-me que fica bastante claro que não é possível formular uma relação causal pura e simples entre opção teológica e opção eleitoral. Entretanto, na linha do último post, tal forma de ver a questão possui uma importante implicação ética: que faremos nós, eleitoras e eleitores, para ajudar o governo eleito a cumprir sua vocação? Que faremos nós para fiscalizar o cumprimento do projeto político que elegemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Encaminho-me à primeira pergunta. Em quem votar neste segundo turno nas eleições para presidente da república?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar: não devemos impor, por razões éticas, ou por razões teológicas, à comunidade eclesial, este ou aquele candidato. Não podemos, do ponto de vista dos direitos fundamentais e da ética cristã, definir o voto de quem quer que seja. Em outras palavras: dizer que um cristão deve votar na Dilma ou no Serra, por razões éticas ou teológicas, é ferir o princípio ético e jurídico das liberdades fundamentais da pessoa humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, não resta, então, nada a fazer no tocante à escolha de candidatos? Pelo contrário. Há muito que se fazer. Pastores, pastoras, padres, e demais líderes cristãos e de outras religiões, em uma sociedade democrática, deveriam ser pessoas capazes de orientar as suas comunidades sobre o sentido amplo da política e da escolha eleitoral. &lt;b&gt;Orientar&lt;/b&gt;, insisto, e &lt;i&gt;não direcionar&lt;/i&gt;. Se dizemos que a comunidade deve votar neste ou naquela, contribuímos para a manutenção da dependência ética e intelectual dos membros da comunidade. Em termos teológicos: negamos a nossa vocação de líderes que edificam, e assumimos a condição de líderes que infantilizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos ajudar nossas comunidades a formular critérios &lt;i&gt;políticos&lt;/i&gt; para a escolha pessoal, livre e responsável. Lembro-me de um post antigo aqui no blog, em que me perguntava que tipo de ensino o jogador de futebol Neymar recebia de seu pastor, na igreja evangélica a que pertence, pois ele dizia não se interessar por política quando perguntado sobre em quem votaria para presidente. Ou não recebia nenhuma orientação, ou recebia a pior possível: uma teologia dualista que afirma que nossa cidadania é apenas e tão somente celestial, de modo que a terrena não tem valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, voltando à polêmica, nosso voto será decidido especificamente pela questão da descriminalização do aborto, então será um péssimo voto. As questões éticas vinculadas ao aborto são importantes e complexas, não devemos menosprezá-las. Entretanto, o papel da presidência da república transcende em muito a questão ética do aborto. Tem a ver com a ética pública em sentido amplo: governar visando o maior grau possível de justiça para o maior número possível de pessoas em seus contextos sócio-culturais e econômicos. Governar, a partir de um projeto partidário, mas transcendendo esse projeto, visando a melhoria da vida de toda a população. Governar de modo que o compromisso pessoal e individual de cada cidadão com a plena cidadania cresça e se concretize na defesa dos direitos de todas as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é capaz de fazer essas coisas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-889249125937775090?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/889249125937775090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/em-quem-votar-nesta-eleicao-criterios.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/889249125937775090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/889249125937775090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/em-quem-votar-nesta-eleicao-criterios.html' title='Em quem votar nesta eleição? Critérios Teológicos?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7929162282454839506</id><published>2010-10-08T16:09:00.003-03:00</published><updated>2010-10-08T16:17:30.181-03:00</updated><title type='text'>Política Cristã? Buscando viver eticamente</title><content type='html'>Exercer eticamente a cidadania é um desafio ético prioritário em sociedades democráticas. A ação cidadã não se restringe ao voto e ao cumprimento das leis do país. A ação cidadã implica, exige que a ação de cada cidadã e cidadão seja dirigida à construção de uma sociedade cada vez mais justa, livre, harmoniosa e pacífica. Ser cidadão significa participar ativamente da vida pública do país, seja na esfera da política partidária, seja na esfera dos movimentos sociais, seja na esfera das instituições governamentais (municipais, estaduais e federais), seja na das instituições mistas (conselhos tutelares, etc.), seja no chamado Terceiro Setor, seja no âmbito micro-social do bairro, da vizinhança. Participar ativamente de modo a que cada vez mais pessoas sejam beneficiadas pela justiça, e se implante mais e mais o bem comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No regime político em que vivemos, as relações de poder estruturadas não são apenas as relações especificamente estatais. As sociedades democráticas capitalistas contemporâneas possuem também outros tipos de relações estruturadas de poder: o poder econômico, o poder científico-tecnológico, e o poder midiático. Uma ética política evangélica também tem de formular valores e princípios apropriados para o exercício das relações de poder no âmbito dessas estruturações sociais. Na estruturação econômica capitalista, as relações de poder são declaradamente assimétricas e egocêntricas. Segundo teóricos do capitalismo, o egoísmo é a forma mais eficaz do amor ao próximo: somente quem almeja o maior lucro possível e trabalha para alcançá-lo irá contribuir para o sucesso da ordem econômica. É claro que, para fazer isto,  a ética econômica é centrada na concorrência, na competição. Então, agir contra o bem econômico do próximo pode ser visto como uma virtude!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se reconhecemos que o poder econômico, na atualidade, engloba todos os demais poderes, inclusive o poder estatal, precisamos reconhecer que o maior e mais prioritário desafio ético de nosso tempo é o da transformação das relações de poder econômico. Neste caso, a forma concreta da cidadania deverá ser dupla: resistência contra a fome devoradora do capital e prática criativa da solidariedade econômica, que significa a inclusão do maior número de pessoas possível na atividade econômica e no desfrutar do produto econômico do país (em outras palavras, justa distribuição da renda...). Isto não implica, necessariamente, em uma revolução estrutural econômica de tipo comunista ou socialista. Implica, sim, pelo menos em uma ordenação jurídica e funcional do mercado e do capital que diminuam ao máximo possível os efeitos perversos do sistema capitalistas, e previnam o máximo possível o funcionamento de mecanismos sócio-econômicos injustos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No âmbito das relações de poder científicas e midiáticas, bastante aparentadas entre si, na medida em que ambas disputam a verdade e a opinião pública, o eixo ético deverá ser o do discernimento, o da apropriação crítica dos produtos técnico-científicos e midiáticos, associado ao da inclusão. No caso específico da tecnologia, a lógica da solidariedade e do bem-comum exige, do ponto de vista ético, que os avanços tecnológicos não fiquem restritos apenas a quem tem dinheiro para pagar por eles. Os avanços tecnológicos precisam beneficiar toda a população, e não apenas uma elite ou um segmento privilegiado da população de um país. No caso específico da mídia, a lógica do bem-comum exige que os conteúdos e os programas veiculados não defendam unilateralmente uma concepção de sociedade ou um conjunto único de valores. A mídia precisa ser democrática, ser porta-voz da pluralidade de opiniões e valores da sociedade democrática, e não só a dos patrocinadores das emissoras. Se no caso da tecnologia é preciso ampliar o acesso aos seus benefícios, no caso da mídia é preciso ampliar o acesso à produção de programas e conteúdos e sua conseqüente difusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não é possível formular uma ética política evangélica que exclua a natureza não-humana de sua abrangência e preocupação. Dentre as vítimas das relações injustas, dominadoras, de poder no mundo ocidental contemporâneo, a natureza é uma das mais afetadas, se não a mais afetada. Neste caso, o eixo ético político evangélico será o do cuidado da criação divina confiada ao ser humano para seu sustento e prazer. O cuidado deverá ser realizado tanto em dimensão macro-ecológica, quanto em dimensão micro-ecológica. Por exemplo, em âmbito micro-ecológico cada cidadã e cidadão planetário deveria cuidar do consumo da água, do uso de elementos poluentes, da preservação de jardins e praças, etc. Em âmbito macro-ecológico, proteger eco-sistemas da depredação e degradação, proteger espécies ameaças da extinção. Como em todas as outras dimensões da ética política na atualidade, a dimensão ecológica também deverá ser igualmente local e global.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7929162282454839506?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7929162282454839506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/tava-demorando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7929162282454839506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7929162282454839506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/tava-demorando.html' title='Política Cristã? Buscando viver eticamente'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8531835022357449256</id><published>2010-10-08T11:52:00.000-03:00</published><updated>2010-10-08T11:52:16.637-03:00</updated><title type='text'>Moralidade e Voto</title><content type='html'>Não entrarei no mérito das questões éticas/morais sobre aborto, homossexualismo, etc. Meu tópico é o da vinculação entre posições morais de candidatos à presidência e a definição pessoal do voto por cristãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo com uma pergunta: se quem muda a legislação do país é o Congresso Nacional, e não o Presidente da República, não seria muito mais importante do que perguntar pela posição do candidato à presidência sobre questões morais, fazer uma sabatina com todos os candidados ao legislativo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço uma segunda pergunta: que relação existe entre a posição de um candidato sobre um tema específico da moralidade e a possibilidade desse candidato, se eleito, realizar um governo que atenda às necessidades e interesses da justiça e do bem comum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceira pergunta: se nós protestantes acreditamos que todos os seres humanos são igualmente pecadores, por que um eventual pecado específico deveria ser usado para negar o voto a uma pessoa? Que critérios teológicos usaríamos para fazer esse tipo de escolha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta pergunta: não é estranho que candidatos agora fiquem cortejando lideranças evangélicas para garantir sua eleição? Ou você acha que tal afinidade com os evangélicos é algo "de coração"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar: não deveríamos, como cristãos, perguntar aos candidatos a sua posição sobre justiça social, honestidade, integridade, violência, política externa, tributação ... ?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8531835022357449256?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8531835022357449256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/moralidade-e-voto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8531835022357449256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8531835022357449256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/10/moralidade-e-voto.html' title='Moralidade e Voto'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-945993363488887434</id><published>2010-09-26T11:35:00.000-03:00</published><updated>2010-09-26T11:35:44.388-03:00</updated><title type='text'>Evangélicos - Em busca de inteligência política</title><content type='html'>Eu não queria mais falar sobre eleições e política neste ano. Mas não é possível calar. Pronunciamentos de líderes evangélicos sobre a política tem me causado revolta e assombro. Não me assombro com pronunciamentos de pseudo-evangélicos, de líderes politiqueiros, dinheiristas e chefes de igrejas-empresas. Revolto-me com pronunciamentos de líderes evangélicos honestos, cristãos comprometidos com a justiça, com a melhoria da vida humana, gente de caráter e testemunho dignos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pessoas assim não se poderia esperar pronunciamentos absolutamente néscios, sem um pingo de sabedoria, sem o mínimo de discernimento espiritual que se deveria esperar de líderes dignos. Não conheço todos os pronunciantes, conheço alguns, dentre esses há gente que eu admiro e respeito, embora sempre tenha me preocupado com a falta de clareza nos posicionamentos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A clareza agora é cristalina! Uma clara confusão entre moralismo e medo, por um lado, e ignorância política por outro. Fizeram-me lembrar de um artigo absolutamente inútil que Robinson Cavalcanti publicou na Ultimato, há meses, denunciando uma suposta conspiração gay e atéia contra a igreja. Contestei tal artigo, mas seu autor não se dignou a me responder. Recebi uma resposta de um líder evangélico, leigo, que dizia mais ou menos o seguinte: "o artigo pode não ter nenhuma prova, nehuma evidência, mas tem razão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só posso fazer um apelo: a meu grande amigo e um de meus padrinhos de casamento - retrate-se urgentemente. Voce não merecia estar sendo lembrado por um vídeo esdrúxulo em que demoniza partidos políticos e se vangloria de algo que não passa de falta de conhecimento sobre política e de ausência de discernimento e sabedoria. Voce é muito melhor do que esse vídeo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reforço o apelo: a pastores, pastoras, líderes leigos evangélicos honestos - retratem-se. Aprendam. Busquem inteligência política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos mais confundir moralismo com medo, passividade com neutralidade política. Não há neutralidade em política. Não há ausência de política no exercício do poder religioso. Não se confundam. não se enganem. As pregações pastorais são, sempre, políticas. São políticas por que exercícios de poder. Só quem não saiu do jardim de infância ainda pensa que política só tem a ver com partidos e eleições. Política tem a ver com o exercício do poder, em todas as relações, em todos os níveis da vida social. Pregação do evangelho é, sempre, política - posto que anúncio do Reino de Deus - poder que questiona todo e qualquer exercício dominador do poder, por pessoas, partidos, leis e instituições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evangélicos, aprendamos a viver a integralidade da missão. Não basta afirmar "missão integral", há que se aprender a integralidade da missão - e isto exige inteligência política.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-945993363488887434?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/945993363488887434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/09/evangelicos-em-busca-de-inteligencia.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/945993363488887434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/945993363488887434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/09/evangelicos-em-busca-de-inteligencia.html' title='Evangélicos - Em busca de inteligência política'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2444167083041364767</id><published>2010-09-21T15:26:00.000-03:00</published><updated>2010-09-21T15:26:04.017-03:00</updated><title type='text'>O olfato de YHWH</title><content type='html'>No mundo moderno, a filosofia e a ciência subordinaram o olfato (juntamente com o paladar e o tato) à visão e audição, posto que aquele pouco podia oferecer à construção de conceitos, comparativamente aos sentidos da visão e da audição. Montaigne chegou a afirmar (injustificadamente) que um mundo ideal é um mundo inodoro, posto que seria o mundo puro das crianças.&lt;br /&gt; No mundo contemporâneo, o olfato volta a ocupar lugar de destaque na reflexão filosófica e científica, em função de suas aplicações práticas: “Nos dois últimos séculos os odores ganham espaço de investigação e a cultura do corpo desodorizado, motiva a produção imensurável de produtos que mascaram os odores do corpo: desodorantes, cremes, sabões, pós e pomadas. Surge uma nova apropriação do sentido do olfato pelo mercado, através da comercialização dos odores, com produtos médico/sanitários amplamente utilizados pela enfermagem. Incluso ao controle dos odores do corpo, se promovem o diagnóstico, tratamento e vigilância dos odores ambientais em todos os espaços da atividade humana, públicos ou privados.” (ESTÉTICA DOS ODORES: O SENTIDO DO OLFATO E A ENFERMAGEM)&lt;br /&gt; O culto ao corpo agradavelmente aromatizado é profundamente ambíguo. Se, por um lado, exalta a beleza e o prazer; por outro, oculta sob o aroma de perfumes prazerosos o pútrido cheiro da morte que se estende às pessoas excluídas da vida consumista. Por isso, recuperar a discussão bíblica sobre o olfato é importante para a construção de uma teologia relevante para a humanidade contemporânea. Segue um início sugestivo dessa recuperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Um aroma ambíguo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; Em Êxodo, Levítico e Números é usada 37 vezes a expressão “cheiro suave” referindo-se aos sacrifícios ofertados a Deus, por exemplo: Lv 6:21 “Numa assadeira se fará com azeite; bem embebida a trarás; em pedaços cozidos oferecerás a oferta de cereais por cheiro suave ao Senhor”. O termo incenso é usado 53 vezes nesses mesmos livros, indicando também o aroma que deveria permanecer no templo, especialmente durante os sacrifícios. Em Deuteronômio, porém, o sacrifício não é descrito como “cheiro suave” e somente uma vez é usado o termo “incenso” (33,10). No próprio Pentateuco encontramos a tensão que a visão sacrificial oferecia à reflexão teológica vétero-israelita. Essa tensão está presente sobremodo na tradição profética.&lt;br /&gt; A ambigüidade do odor dos sacrifícios e do incenso está em que eles podem ser um péssimo cheiro perante o Senhor, como no caso da rebelião de Corá em Números 16: “35 Então saiu fogo do Senhor, e consumiu os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o incenso. 36 Então disse o Senhor a Moisés: 37 Dize a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, que tire os incensários do meio do incêndio; e espalha tu o fogo longe; porque se tornaram santos 38 os incensários daqueles que pecaram contra as suas almas; deles se façam chapas, de obra batida, para cobertura do altar; porquanto os trouxeram perante o Senhor, por isso se tornaram santos; e serão por sinal aos filhos de Israel. 39 Eleazar, pois, o sacerdote, tomou os incensários de bronze, os quais aqueles que foram queimados tinham oferecido; e os converteram em chapas para cobertura do altar, 40 para servir de memória aos filhos de Israel, a fim de que nenhum estranho, ninguém que não seja da descendência de Arão, se chegue para queimar incenso perante o Senhor, para que não seja como Corá e a sua companhia; conforme o Senhor dissera a Eleazar por intermédio de Moisés.” &lt;br /&gt; A mesma valoração negativa se faz quando os sacrifícios e o incenso são, ou ofertados a outros deuses, ou encobrem a injustiça. Então, tornam-se abomináveis a YHWH, por exemplo:&lt;br /&gt;(a) Ezequiel 6:13 Então sabereis que eu sou o Senhor, quando os seus mortos estiverem estendidos no meio dos seus ídolos, em redor dos seus altares, em todo outeiro alto, em todos os cumes dos montes, e debaixo de toda árvore verde, e debaixo de todo carvalho frondoso, lugares onde ofereciam suave cheiro a todos os seus ídolos;&lt;br /&gt;(b) Isaías 1:13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembléias ... não posso suportar a iniqüidade e o ajuntamento solene!&lt;br /&gt;(c) 2 Reis 17:11 (Israel) “... queimaram incenso em todos os altos, como as nações que o Senhor expulsara de diante deles; cometeram ações iníquas, provocando à ira o Senhor”; e 2 Reis 23:5 (Judá) “Destituiu os sacerdotes idólatras que os reis de Judá haviam constituído para queimarem incenso sobre os altos nas cidades de Judá, e ao redor de Jerusalém, como também os que queimavam incenso a Baal, ao sol, à lua, aos planetas, e a todo o exército do céu”.&lt;br /&gt; Em oposição ao regime sacrificial, o Salmo 141:2 “Suba a minha oração, como incenso, diante de ti, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde!” apresenta a oração como um perfume que sobe até Deus e o comove a agir favoravelmente! &lt;br /&gt; Estes exemplos mostram que já na discussão teológica do antigo Israel o acesso sacrificial a Deus era questionado. Quando o autor de Hebreus afirma que o sacrifício de Jesus é definitivo e elimina a lógica sacrificial enquanto tal, está dando continuidade a este tipo de reflexão profética sobre a inutilidade do sacrifício. A persistência da lógica sacrificial no Cristianismo revela uma inconsistência nas práticas cristãs. Inconsistência que tem servido para a manutenção de situações de injustiça e opressão, legitimadas pela crença de que o sacrifício é um pequeno preço a ser pago para alcançar a vida eterna ou, na teologia da prosperidade, as bênçãos de Deus no presente. O Deus de judeus e cristãos, porém, não necessita de sacrifícios e abomina a lógica sacrificial. Autores como René Girard e Franz Hinkelammert, críticos da lógica sacrificial, mereceriam ser mais estudados em nossos dias posto que são por demais relevantes em sua celebração acadêmica da vida!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2444167083041364767?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2444167083041364767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/09/o-olfato-de-yhwh.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2444167083041364767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2444167083041364767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/09/o-olfato-de-yhwh.html' title='O olfato de YHWH'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5525828269067175357</id><published>2010-09-10T16:10:00.001-03:00</published><updated>2010-09-10T16:11:15.984-03:00</updated><title type='text'>Deus Imprevisivelmente Fiel</title><content type='html'>No post anterior destaquei a imprevisibilidade de Deus. No testemunho bíblico, Deus é retratado como imprevisível, mas fiel - imprevisivelmente fiel. Fiel é a pessoa em quem se pode confiar, de quem se pode depender quando necessário. A fidelidade é a permanência, em uma pessoa, das ações e dos valores que permitem a ela, e aquelas com quem ela se relaciona, se re-conhecer e ser re-conhecida. A fidelidade é a permanência na mudança, no devir constante da construção e reconstrução da identidade pessoal, social, cultural, política, religiosa. A fidelidade é a marca dos relacionamentos confiáveis, que dão segurança, estabilidade em meio à incerteza e imprevisibilidade da vida. Segundo Sponville, a fidelidade é a virtude da memória: “É este o dever da memória: piedade e gratidão pelo passado. O duro dever, o exigente dever, o imprescritível dever de ser fiel!”  E se fidelidade é o dever da memória, reconhecemos a fidelidade de Javé em sua memória: pois Javé se lembra de seus compromissos, mas se esquece dos pecados de seu povo! Memória que não é só re-viver o passado, mas também re-significá-lo, transformando-o no presente e futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fidelidade  é virtude relacional, e a sua validade depende do objeto de sua atração: "a fidelidade só deve dirigir-se ao que vale, e proporcionalmente – se ouso dizer, já que se trata de grandezas por natureza não-quantificáveis – ao valor do que vale. Fidelidade primeiro ao sofrimento, à coragem desinteressada, ao amor...”  Embora não se referindo a Deus, o texto de Sponville é fiel ao caráter de Javé: deus fiel ao seu povo que sofre (Ele é o Deus que ouve o clamor), fiel à salvação de seu povo (desce e liberta corajosamente se solidarizando com o povo que sofre), fiel à aliança que estabelece com os seus (hesed divina, amor misericordioso e fiel que sustenta a relação familiar de Javé com seu povo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio às vicissitudes da história, Javé permanece fiel, e porque Ele é fiel, também "o justo viverá por sua fidelidade” (Hc 2,4). Javé é fiel sim, mas não previsível. Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, os pensamentos de Javé não são os nossos pensamentos (Is 55,8), por isso somos incapazes de capturar a Sua fidelidade e domesticar Javé conforme nossa imagem e semelhança. No entanto, a fidelidade de Javé não é sinônimo de previsibilidade. Javé é imprevisivelmente fiel: teimoso, se preferirmos um adjetivo menos polido; zeloso, se escolhermos um adjetivo extraído das Escrituras. O povo de Israel celebrava a fidelidade de Javé, mas vez após vez, foi confundido por Javé para aprender  que não poderia controlar o seu deus como faziam outros povos do Antigo Oriente. Para aprender que somente Javé é Deus, somente Ele mesmo é Javé – deus e não ser humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5525828269067175357?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5525828269067175357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/09/deus-imprevisivelmente-fiel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5525828269067175357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5525828269067175357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/09/deus-imprevisivelmente-fiel.html' title='Deus Imprevisivelmente Fiel'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8945259495567848268</id><published>2010-08-30T13:44:00.000-03:00</published><updated>2010-08-30T13:44:35.286-03:00</updated><title type='text'>O Deus Imprevisível</title><content type='html'>Apesar de ortodoxamente afirmarmos que Deus é transcendente, muita vez nossa teologia faz de Deus um imanete e previsível mestre-cerimônias. Sempre que me pego escorregando para esse lamaçal, me lembro da imprevisibilidade de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imprevisibilidade de Deus é a salvaguarda de sua liberdade, é a proteção contra a idolatração de Deus, sua redução a um mero gênio da lâmpada, a um mero guardião de interesses pessoais ou nacionais. Houve quem tentasse aprisionar Deus em uma lógica sapiencial duvidosa, contra a qual um livro como o de Jó se insurgiu. Afinal de contas, quem foi o conselheiro de Javé na criação do mundo? Como prever as ações de alguém que é tão sublime e exaltado? De um deus que se mantém oculto, mesmo quando revelado (Is 45,15)? O mistério é característico de Deus, que não age sem revelar seus segredos aos seus servos (Am 3,7), e que tornou plenamente manifesto o mistério da Sua graça fiel em Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é imprevisível, mas não arbitrário. Fielmente imprevisível, a sua liberdade não O move de Seus propósitos amorosos, de Seus compromissos solenes. Fidelidade imprevisível, lembrada após o dilúvio, e simbolizada pelo arco da aliança, na bela linguagem mitopoética de Gn 9,8-19. Imprevisibilidade fiel, daquele que jamais se esquece de seu amor, renovando a cada manhã a sua misericórdia, a sua solidariedade para com as pessoas que sofrem (Lm 3,22-23), pois "grande é a tua fidelidade”!&lt;br /&gt;Imprevisível, mas não volúvel. Deus não troca de amores como quem troca de roupa a cada novo dia. Imprevisivelmente fiel, Ele/a é amante constante, jamais se afastando de quem precisa de sua amorosa companhia. Amante fiel de toda a sua criação, Deus não se retira, não se retrai, não a abandona à sua própria sorte. Amante fiel de toda a humanidade que clama, apegou-se a Israel, a ele se afeiçoou, por causa de Abraão, e de Abraão se afeiçoou por causa de toda a humanidade (cf. Dt 7,7-11; Gn 12,1ss). Amante fiel, enviou seu filho amado ao mundo ...&lt;br /&gt;Imprevisível como a vida, imprevisível como o cosmos. Imprevisível como Ele mesmo, Deus é fiel e nos acolhe em sua família, em seu círculo de amizades, de relacionamentos - transcendendo, aí sim, as barreiras de raça, cor, sexo, classe, educação ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imprevisível, Deus permanece fiel a toda a criação. O Senhor, acima de tudo, permanece fiel a Si mesmo. Amante e amigo, a sua fidelidade é imprevisivelmente constante e firme. Imprevisivelmente fiel, o compromisso solidário de Deus-Mãe de todos nós se renova a cada instante, renovando conjuntamente toda a sua criação (cf. Is 43,19). Fielmente imprevisível, Deus jamais se rende à mesmice, ao marasmo, ao tradicionalismo, à paralisia do próprio medo. Fielmente imprevisível, faz-se notar por sua coragem de viver entre nós, de habitar em Sua criação, de descer para nos fazer subir (cf. Êx 3,6-10)ao encontro de sua presença cuidadora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8945259495567848268?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8945259495567848268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/08/o-deus-imprevisivel.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8945259495567848268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8945259495567848268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/08/o-deus-imprevisivel.html' title='O Deus Imprevisível'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-1345465332234064863</id><published>2010-08-20T15:37:00.000-03:00</published><updated>2010-08-20T15:37:08.597-03:00</updated><title type='text'>Recesso Forçado</title><content type='html'>Pessoal,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voltarei logo a bloguear. Nas últimas semanas tenho tido de atender a prazos e demandas profissionais que fogem ao meu controle, diminuindo ainda mais o tempinho que tenho para o blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-1345465332234064863?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/1345465332234064863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/08/recesso-forcado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1345465332234064863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1345465332234064863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/08/recesso-forcado.html' title='Recesso Forçado'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5989780455209692615</id><published>2010-07-23T11:11:00.000-03:00</published><updated>2010-07-23T11:11:23.622-03:00</updated><title type='text'>Teologia: ciência de Deus? Conhecimento de Deus? Saber de Deus?</title><content type='html'>Supostamente este é um blog teológico. Então, que é teologia, afinal de contas? É hora de jogar um jogo, o jogo das definições, das delimitações, das demarcações - melhor ainda, um jogo de desconstrução. Desconstruir é o alter-ego do de-finir (estabelecer o fim), é um in-finir, ou seja, um não-estabelecer-o-fim. Joguemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Idade Média, preconceituosamente chamada de Idade das Trevas, a definição mais comum da teologia era a de "ciência de Deus". Ciência era um conhecimento certo, verdadeiro, indubitável. Teologia era a ciência de Deus, posto que era a colocação em conceitos da revelação do próprio Deus com o suporte da razão. Por isso, era a rainha das ciências, posto que a ciência mais verdadeira das verdadeiras ciências. Até a filosofia foi colocada sob a teologia (&lt;i&gt;ancilla theologiae&lt;/i&gt;), serva da teologia, a senhora da Verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Modernidade, primeiro a Filosofia, depois a Ciência (ciências), destronaram a teologia. Ela deixa de ser definida como ciência, e passa a ser conhecimento de Deus. Uma espécie de "ciência de segunda categoria", pois à teologia faltam os principais elementos caracterizadores da Verdadeira Ciência: empiria, replicação da experiência, matematização e modelização, predizibilidade e, mais recentemente, falseabilidade. Se por um tempo a teologia tornou-se &lt;i&gt;ancilla philosophiae&lt;/i&gt;, enfim ela se torna inútil, atópica - ou seja, sem lugar na Univer(si)dade, no lugar onde a única Verdade é constituída - o universo da Ciência com sua pretensão de uma teoria única de tudo - a universidade-universalidade-univerdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, teólogos e instituições eclesiásticas espernearam. Até hoje há os que tentam refazer o percurso e recolocar a teologia no lugar da Ciência. Quase ninguém mais a pensa como rainha das ciências, mas ainda são muitas as pessoas e instituições que desejam realocar a teologia na Universidade-universalidade-univerdade da Ciência certa e verdadeira. Louvável atitude. Dignificante busca. Salvar a teologia do cativeiro do conhecimento e ressituá-la na liberdade da Ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digna e louvável mas, a meu ver, equivocada. Prefiro de-finir desconstrutivamente a teologia como um saber. Saber, que tem a ver com sabor, gosto, paladar, prazer. Saber, que tem a ver com sabedoria, saber-viver, viver-bem. Saber, que tem a ver com bem-dizer, bendizer, dizer para-bem. Saber não é nem conhecimento, nem Ciência. Também não é um meio-termo entre conhecimento e Ciência. É, sem-o-ser, anti-conhecimento e anti-Ciência. É, sem-o-ser, mais-que-conhecimento e mais-que-Ciência, menos-que-conhecimento e menos-que-Ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teologia é um saber que não se encanta com sua própria cria - conceitos, leis, normas, teorias. É um saber que se encanta com o seu caminho - "sabeirar" (viver-saber), saborear, "sabedoriar". Saber-viver-benfazejamente. Não é, como a filosofia, saber-viver-bem, embora também ande nos caminhos da filosofia. Não é, como a ciência, saber-fazer-direito, embora também navegue em águas científicas. Teologia é um saber-fazer-bem-a-alguém. Um saber, para cristãs e cristãos, cujo modelo foi o Messias Jesus, alguém que soube-fazer-bem-a-quem-nem-sempre-recebia-bem-o-bem-feito. Saber-sabor-prazer-sabedoria. Louca-sabedoria, porém, mais sábia que a sabedoria da Filosofia ou da Ciência. Mais sábia, por que sabe que é saber-imperfeito-incompleto-limitado-parcial-temporário-transitório-transeunte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser por isso que muita gente não gosta de teologia. Deve ser por isso que muitos teólogos almejam fazer Teologia-Ciência. O saber teológico exige que a gente aprenda a viver no caminho. Teologia é saber navegante, que só aporta para poder voltar a navegar. Aproprio-me &lt;b&gt;infielmente&lt;/b&gt; das palavras de Fernando Pessoa:&lt;br /&gt;"Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:&lt;br /&gt;"Navegar é preciso; viver não é preciso".&lt;br /&gt;   Quero para mim o espírito [d]esta frase,&lt;br /&gt;   transformada a forma para a casar como eu sou:&lt;br /&gt;Viver não é necessário; o que é necessário é criar".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5989780455209692615?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5989780455209692615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/teologia-ciencia-de-deus-conhecimento.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5989780455209692615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5989780455209692615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/teologia-ciencia-de-deus-conhecimento.html' title='Teologia: ciência de Deus? Conhecimento de Deus? Saber de Deus?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-729814601594940072</id><published>2010-07-16T12:05:00.000-03:00</published><updated>2010-07-16T12:05:53.522-03:00</updated><title type='text'>"Xemá Israel", Dt 6,4-9</title><content type='html'>"Ouve, ó Israel: YHWH, nosso Deus, YHWH um. Portanto, amarás a YHWH teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força. Que estas palavras que hoje te ordeno estejam em teu coração! Tu as inculcarás aos teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando em teu caminho, deitado e de pé. Tu as atarás também à tua mão como um sinal, e serão como um frontal entre teus olhos; tu as escreverás nos umbrais da tua casa e nas tuas portas." Dt 6,4-9&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No primeiro verso do texto encontramos a afirmação fundamental da fé judaica: YHWH, nosso Deus, YHWH um. Propositadamente mantive a forma gramatical do texto hebraico “YHWH um” (sem verbo entre o sujeito e o predicativo do sujeito), que tem recebido diversas interpretações e traduções. A afirmação YHWH um destaca diferentes dimensões da fé deuteronômica: (a) YHWH é o único Deus de Israel, no sentido da exclusividade, ou seja, independentemente de quantos deuses tenham existido ou possam existir, para Israel há somente um Deus – YHWH – somente a Ele Israel adora, somente a Ele Israel é fiel, somente YHWH é a fonte de vida para Israel; (b) YHWH é um Deus pluralmente singular, no sentido de que Ele não precisa de outros deuses para repartir as tarefas (no pensamento vétero-oriental, os deuses tinham funções especializadas, por isso era necessário crer em vários deuses que cumpriam essas diferentes tarefas, tais como guerrear, fazer chover, curar doenças, etc.). Como Deus pluralmente singular, YHWH é suficiente, Israel não necessita de nenhum outro Deus para atender as suas necessidades – ou seja, YHWH não é um deus especialista, parcial; e (c) YHWH é o único Deus não feito por mãos humanas, os demais deuses são ídolos, fabricação de mãos humanas e não são capazes de agir. O aniconismo  da fé israelita não se restringia apenas à ausência do uso de imagens da divindade, mas era expressão da sua crença na exclusividade e singularidade de YHWH. Por outro lado, a expressão “YHWH nosso Deus” destaca a aliança entre o Senhor e o povo israelita – aliança de amor, amizade, companheirismo, fidelidade e soberania de YHWH sobre Israel e a favor de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Conseqüentemente, o povo que faz aliança com o fiel e único Deus, é convocado a construir sua identidade a partir do amor a Deus. A escolha do verbo amar no livro do Deuteronômio tem significado muito especial. O livro do Deuteronômio adota e adapta o estilo dos tratados internacionais assírios. Nesses tratados, o rei de um país mais fraco que se associava ao rei de um país mais forte assumia o compromisso de amar o rei mais poderoso. Semelhantemente, os juramentos assírios feitos por oficiais que iniciavam seu serviço ao rei assírio faziam a mesma exigência: o oficial do rei se comprometia a amar ao rei. Assim, ao convocar Israel a amar a YHWH, o Deuteronômio não só destaca a relação de aliança entre Deus e o povo, como afirma que YHWH é o único rei de Israel, o único rei a quem Israel deveria ser fiel, o único rei a quem deveria servir. A repetição da palavra todo(a) e a soma dos termos coração, alma e força indicam que o compromisso de Israel com YHWH deveria ser integral. Assim como YHWH é um, o povo de Israel deveria ser unido em um único propósito: ser fiel a YHWH. O coração do israelita não poderia se dividir entre seu Deus e outros deuses, entre YHWH e outras lealdades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dessa forma, as palavras de YHWH, sua instrução (torá), deveriam ocupar o pensamento do israelita o tempo todo, e deveriam ser ensinadas de geração em geração. Eis aqui a peculiaridade deuteronômica em relação à teologia sacerdotal – ao invés de enfatizar a santidade e a pureza, mantidas através da participação na vida litúrgica no Templo, a teologia deuteronômica enfatiza o estudo das palavras de YHWH e sua prática na vida cotidiana, como demonstração da fidelidade de Israel ao seu único Deus. Todo o tempo, todas as dimensões da vida, todas as gerações do povo de Deus são convocadas à meditação, estudo e prática da Torá de YHWH. Se viver dessa maneira, Israel dará testemunho da singularidade e exclusividade de YHWH a todos os povos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-729814601594940072?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/729814601594940072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/xema-israel-dt-64-9.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/729814601594940072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/729814601594940072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/xema-israel-dt-64-9.html' title='&quot;Xemá Israel&quot;, Dt 6,4-9'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-93269352905432767</id><published>2010-07-11T11:11:00.001-03:00</published><updated>2010-07-11T11:15:13.739-03:00</updated><title type='text'>Expectativas e Realidade - um complexo relacionamento</title><content type='html'>Do ponto de vista abstrato, o tema deste post é "o que é ser humano". Trazendo para um espaço mais concreto e cotidiano, o tema pode ser descrito como "que posso esperar da minha vida?", ou, se você for uma pessoa mais proativa: "como conduzir a minha vida a fim de chegar aonde desejo?" Tratarei desse tema teologicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo com as expectativas. Uma das descrições possíveis da pessoa humana à luz da Escritura cristã é a de que nós somos seres desejantes, seres cheios de expectativas, atraídos ao futuro, ao desconhecido, ao desafiador. Um exemplo dessa característica humana na Bíblia é o relato do "pecado" de Adão e Eva, em Gênesis capítulo 2. Atraídos pela expectativa de serem como deus, ambos decidiram comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Tradicionalmente, a leitura desse texto bíblico nas igrejas cristãs ressalta apenas o aspecto negativo do pecado - na tradição calvinista, uma de suas correntes teológicas afirma inclusive que o ser humano é "totalmente depravado", ou seja, que mesmo quando faz o bem, o mal está presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que devemos olhar para o texto a partir de outro ponto de vista - o de quem procura descobrir o "bem" no "mal" praticado por Adão e Eva (representantes simbólicos de toda a humanidade). O "bem" nesse mal é o deixar aflorar o desejo, a pulsão para a vida além da rotina, para além do cotidiano, para além da mesmice. Adão e Eva, humanos, buscam transcender a si mesmos, procuram na sabedoria e no poder (a serpente é símbolo dessas duas práticas humanas) um caminho para, simplesmente, ir além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde, então, o "mal" nesse "bem"? No excesso do objeto desejado, na expectativa absolutamente impossível de ser atingida, no exagero de transcendência almejada. "Querer ser como deus" é o objeto excessivo, insustentável, inatingível, impraticável. Exagero fruto de menos sabedoria, de menos inteligência, de menos percepção das possibilidades e limites da aventura da existência humana. Deixe-me dar um exemplo extraído do campo dos esportes. O futebol é uma dimensão integrante da cultura e da identidade brasileiras. A tal ponto está internalizado em nosso modo de ser que, para muita gente, o Brasil (a seleleção de futebol, que não é o Brasil, convenhamos...) tem a obrigação de jogar bem, bonito, dar espetáculo e  ainda ganhar a Copa do Mundo - "A copa do mundo é nossa, com brasileiro, não há quem possa...". Expectativa completamente excessiva, exagerada - por isso, tanto choro e ranger de dentes quando deixamos a Copa &lt;i&gt;apenas&lt;/i&gt; entre os oito melhores times do mundo. No esporte, perder faz parte do que deve ser esperado. Quem não sabe cultivar a expectativa da derrota não consegue, também, encontrar os limites da expectativa da vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seres desejantes que constantemente tropeçamos na &lt;i&gt;realidade&lt;/i&gt;. Uma palavra tão imponente quanto indefinível. Não interessa entrar nos detalhes da reflexão filosófica sobre &lt;b&gt;a&lt;/b&gt; realidade. Sejamos mais econômicos. Realidade é o que está entre nosso desejo e sua consumação, entre nossa expectativa e sua realização. Por isso falamos em "choque de realidade", que se dá quando o desejo não é consumado, a expectativa não é realizada, a transcendência não é alcançada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando para a teologia do humano na escritura cristã, a &lt;i&gt;realidade&lt;/i&gt; com que temos de lidar em nossa condição de desejantes é a da &lt;i&gt;morte&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;, a da finitude, a da incompletude e imperfeição de nosso modo de ser e viver. Morte que, de inúmeras maneiras, se instala nas sociedades e suas economias, culturas, estruturas políticas, relações interpessoais, instituições, etc. Por isso, imagino, é que o autor de Eclesiastes escreveu que é melhor estar na casa do luto no que na da alegria - na casa da alegria o desejo não encontra limites, mas na casa do luto encontramos sabedoria para temperar nosso desejo com a dose certa de realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminando ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que vivemos em uma época cultural em que a sabedoria do luto se esvaiu. Foi trocada pela excessividade da alegria, do prazer, da adrenalina. Excesso de consumir - coisas e pessoas, sonhos e ilusões, experiências e sensações. Exagero de transcendência - transcender a nossa finitude, encontrar o espaço ilimitado do desejo nunca mais postergado, sempre realizado na próxima compra, no próximo consumo, na próxima sensação ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornamo-nos algo-além-do-humano e, assim, menos-do-que-humano; em uma paródia infeliz do sonho ambíguo de Nietzsche - das Übermensch. Ainda nietzscheanamente falando - nossa cultura matou Deus, e colocou no lugar dele o "sonho de consumo": o desejo ilimitado, a expectativa irrefreável, a transcendência inalcançável.  Ao invés de irmos ao luto do divino, festejamos a sua ausência. Precisávamos, apenas, de amor à sabedoria - mas acabamos nos enredando nas "logias" (tecno-, -sofia, teo-, bio-, etc...). Imagino que se voltarmos à simplicidade do desejo-em-simplicidade, encontraremos formas muito mais interessantes e auto-realizadoras de satisfação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-93269352905432767?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/93269352905432767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/expectativas-e-realidade-um-complexo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/93269352905432767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/93269352905432767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/expectativas-e-realidade-um-complexo.html' title='Expectativas e Realidade - um complexo relacionamento'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3919380060886105275</id><published>2010-07-06T09:00:00.000-03:00</published><updated>2010-07-06T09:00:47.985-03:00</updated><title type='text'>“Não carregarás o nome de YHWH, teu Deus, para a infâmia”</title><content type='html'>Eu sei que é uma tradução literariamente ruim, estamos acostumados com "não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão". A tradução, porém, tenta expressar com mais força, em português, o sentido da terceira palavra do Decálogo (Dez Palavras, mais conhecido na tradição cristã como os Dez Mandamentos). O texto descreve a pessoa (crente em um deus) como portadora, carregadora do nome divino – ou seja, o que a pessoa faz, repercute na pessoa de Deus. Se eu vivo uma vida nula, inútil, carrego o nome divino comigo para a nulidade. Se vivo uma vida injusta, carrego o nome divino juntamente comigo para o “Hall da Infâmia”. Por quê? Na cultura hebraica antiga, o nome não é apenas um rótulo, um identificador, mas uma aposta, uma descrição de caráter, uma declaração de identidade. Assim, carregar o nome divino é carregar a identidade divina, carregar a sua reputação, a sua respeitabilidade, a sua legitimidade. Daí, a palavra radical – “não carregarás ...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição judaica, desde tempos antigos, tem dado tanta importância a esta palavra que chegou a banir da fala pública o próprio nome divino. Quando, na leitura bíblica, um judeu encontra o nome de seu Deus, ao invés de pronunciá-lo, usa a palavra “Adonai” (Meu Senhor). Pode parecer excesso de literalismo, ou até mesmo de legalismo. Penso, porém, que devemos olhar para esta tradição com mais simpatia – é um excesso, sim, mas de reverência, de cuidado com a reputação divina. Excesso nascido do reconhecimento da nossa incapacidade (humana) de cumprir a promessa de nossa vocação divina: “como eu sei que, mais cedo ou mais tarde, vou caminhar para a infâmia, então é melhor cuidar preventivamente do Nome”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, cristãos, não sabemos bem o que fazer com esta palavra do Decálogo, até porque nosso Deus não tem nome. É apenas Deus, um título, um rótulo, um conceito. E abusamos desse “nome” em nossa fala cotidiana. Em algumas culturas, “Oh God!” é uma expressão gritada na hora do orgasmo (o que não é de todo ruim, pois o prazer é uma dádiva divina). Não, o problema não é a ligação do nome com o prazer, mas a banalização do nome, especialmente quando o prazer alcançado não tem nada a ver com a vocação divina para o prazer. No Brasil, expressões como “meu deus”ou “ai meu deus” (e semelhantes), tornaram-se interjeições proferidas a qualquer momento, ao ponto de não sabermos mais quando têm a ver com o clamor e a oração ou quando são apenas um substituto para um palavrão, ou outra interjeição qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Não vou concluir o post com uma lição de moral. A questão aqui é teológica. A grande blasfêmia, a grande negação desta palavra do Decálogo está no modo metafísico da teologia. Que expressão majestosa, cheia de pompa e circunstância. Mas que é esse tal de “modo metafísico” da teologia? Uma teologia é metafísica quando ela é tão forte, tão cheia de si, tão segura e arrogante, que controla o Nome e o reduz a conceitos, modos de expressão litúrgica, experiências, doutrinas ou equivalentes. Em outras palavras, uma teologia metafísica chama tanto a atenção para si mesma, que esquecemos de Deus – ou, talvez melhor dizendo – confundimos a teologia com o próprio Deus e cremos mais na teologia do que em Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma teologia que leva a sério esta terceira palavra do Decálogo suspende a certeza certa e forte sobre o Nome e fala de Deus em uma reverente atitude de certeza incerta. Certeza, não conceitual, mas pessoal – quando me perguntam sobre as provas da existência de Deus, só tenho uma: “conversamos diariamente” (uma prova que não prova nada, convenhamos!). Incerta, não por ignorância, mas por fé: “certeza do que esperamos, convicção do que não vemos”. Uma boa teologia, para mim, é uma teologia pós-metafísica, não-metafísica, ou fraca (ou qualquer outro rótulo que você preferir). É uma teologia que não chama a atenção para a sua própria palavra, mas encaminha a atenção para a palavra inefável (indizível) – o Nome. É uma teologia repleta de certezas incertas, que faz com que as pessoas que a lêem tenham mais perguntas do que respostas, mais admiração e espanto do que conhecimento sólido e definitivo; mais reverência e humildade do que intimidade e familiaridade com o Nome. Ou seja, uma boa teologia não carrega o Nome para a infâmia – se ela for para o Hall da Infâmia, irá sozinha. Mas, se chegar ao Hall da Fama, estará em excelente companhia!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3919380060886105275?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3919380060886105275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/nao-carregaras-o-nome-de-yhwh-teu-deus.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3919380060886105275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3919380060886105275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/nao-carregaras-o-nome-de-yhwh-teu-deus.html' title='“Não carregarás o nome de YHWH, teu Deus, para a infâmia”'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-9137039680110400226</id><published>2010-07-01T15:23:00.000-03:00</published><updated>2010-07-01T15:23:22.244-03:00</updated><title type='text'>Religião Verdadeira!?</title><content type='html'>Uma das características do comportamento religioso, especialmente quando há uma organização institucional presente, é a crença de que só uma religião é verdadeira. E, é claro, a religião verdadeira é a &lt;i&gt;minha&lt;/i&gt;. No caso do Cristianismo, é muito comum ouvir pessoas e instituições fazendo essa afirmação com base em textos bíblicos como "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, neinguém vem ao Pai senão por mim", ou "E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lidos superficialmente, estes textos realmente sugerem que só há uma religião verdadeira, a cristã. Entretanto, como a superfície dos textos normalmente não diz praticamente nada, precisamos prestar mais atenção ao que esses versículos de fato afirmam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note bem: não se está falando do Cristianismo, mas de Jesus - Ele é o único caminho e o único salvador. Não podemos confundir Jesus com as Igrejas Cristãs, nem com as doutrinas e confissões de fé, nem com as comunidades ditas cristãs. Jesus é uma pessoa, uma pessoa peculiar, divino-humana, diferente de todas as demais pessoas e irredutível a qualquer forma religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus é, antes de tudo, um &lt;i&gt;caminho&lt;/i&gt;, como diz o texto de João. Assim, sua proposta não é a de hierarquizar religiões, mas de hierarquizar caminhos, estilos de vida. Como se diz no sermão do monte, segundo o evangelho de Mateus: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus". Não se trata, então, de religião, de confissão, mas de ação, de existência semelhante à do Messias Jesus. Quem faz a vontade do Pai celestial? Quem vive como Jesus, quem ama como Jesus, quem sofre como Jesus, quem ganha dinheiro como Jesus, quem morre como Jesus, quem ressuscita como Jesus ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, então, de acordo com um sermão apocalíptico de Jesus, segundo Mateus: "Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, ainda, segundo Paulo, o apóstolo dos protestantes: "Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo. E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que tais coisas praticam. E tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras; a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em favor o bem, procuram glória, e honra e incorrupção; mas ira e indignação aos que são contenciosos, e desobedientes à iniqüidade; tribulação e angústia sobre a alma de todo homem que pratica o mal, primeiramente do judeu, e também do grego; glória, porém, e honra e paz a todo aquele que pratica o bem, primeiramente ao judeu, e também ao grego; pois para com Deus não há acepção de pessoas". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo estes dois textos bíblicos sem comentário ou interpretação. Quem sabe a força chocante desses textos seja a melhor resposta para quem acredita ter a religião verdadeira e classifica todos os demais como idólatras, perdidos, etc. Quem sabe a força chocante desses textos seja o melhor desafio para quem acha que basta ser religioso para ser salvo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-9137039680110400226?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/9137039680110400226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/religiao-verdadeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9137039680110400226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9137039680110400226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/07/religiao-verdadeira.html' title='Religião Verdadeira!?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7079411676859380198</id><published>2010-06-29T12:00:00.001-03:00</published><updated>2010-06-29T12:00:33.818-03:00</updated><title type='text'>Nova foto</title><content type='html'>Como na foto anterior, a cara do guri não aparecia, coloquei uma nova - só do gurizinho, que é a cara do avô, é claro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7079411676859380198?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7079411676859380198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/06/nova-foto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7079411676859380198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7079411676859380198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/06/nova-foto.html' title='Nova foto'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-824410104309860704</id><published>2010-06-29T10:00:00.000-03:00</published><updated>2010-06-29T10:00:04.590-03:00</updated><title type='text'>Creio no Deus Criador, mas não sou criacionista!</title><content type='html'>Parece uma contradição, não é? Afirmar que Deus criou o mundo e negar ser criacionista. Parece, mas não é. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. O criacionismo é um conceito teológico-filosófico que afirma duas coisas simultaneamente: (a) Deus criou o mundo; (b) Deus criou o mundo exatamente da maneira como a Bíblia descreve. Ao afirmar essas duas coisas simultaneamente, nega uma terceira: (c) Logo, o mundo não pode ter passado por um processo evolutivo. Em síntese, criacionismo é um conceito teo-filosófico desenhado para combater o evolucionismo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Evolucionismo, tão ruim quanto o criacionismo. O evolucionismo também afirma duas coisas simultaneamente: (a) o mundo se desenvolveu a partir de um início muito simples para uma realidade bastante complexa; (b) esse desenvolvimento, evolutivo em sua natureza, não tem lógica, a não ser a do acaso. Conseqüentemente, o evolucionismo nega uma terceira crença: (c) Logo, o mundo não pode ter sido criado por um ser inteligente. Assim como o criacionismo é um conceito desenhado para combater o evolucionismo, este é um conceito filo-teológico criado para combater o criacionismo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. E daí? Daí que os dois estão redondamente enganados. Para ser mais exato, matematicamente falando, os dois estão errados em 2/3 dois terços de suas definições. Em ambos os casos, acertam apenas na letra (a), e erram nas letras (b) e (c). Do ponto de vista da fé cristã, afirmar que Deus criou o mundo é uma afirmação correta, mas afirmar que ele o criou exatamente da maneira como está descrito na Bíblia é errado - assim como negar a possibilidade de um mecanismo evolutivo. Do ponto de vista da ciência, afirmar que o mundo passa por um processo de desenvolvimento do simples para o complexo é correto (pelo menos por enquanto), mas afirmar que esse proceso é uma &lt;i&gt;evolução&lt;/i&gt; é errado, posto que evolução é um conceito que pressupõe uma inteligência normativa - assim como é errado, cientificamente falando, negar a &lt;i&gt;possibilidade&lt;/i&gt; de um ser inteligente ter criado o mundo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Que quer dizer a Bíblia quando fala do Deus criador e descreve o ato criador? A pista começa, para cristãos, em Hebreus 11,3: "Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem". É "pela fé" e não "pela ciência" que afirmamos que Deus criou o mundo pela sua palavra. Com isto em mente, voltamos para Gênesis 1-2 e podemos nos livrar do dilema "criacionismo vs. evolucionismo). Como? Em Gn 1-2 não encontramos descrições de &lt;i&gt;como&lt;/i&gt; Deus criou o mundo, mas descrições de &lt;i&gt;para quê&lt;/i&gt; Deus criou o mundo. Deus criou o mundo para que o ser humano cuidasse do mundo assim como Deus cuida do ser humano. (Ponto Final!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. E a evolução? Ora, se Gn 1-2 não descreve como, mas para quê Deus criou o mundo, os cientistas têm terreno livre para tentar descrever como o mundo chegou a ser o que é. E o evolucionismo? Bem, aí a coisa muda de figura, posto que o evolucionismo não só afirma como, mas também quer explicar para quê o mundo existe. Ao chegar a ese ponto, o evolucionismo deixa de ser ciência e se torna filosofia, moral, ou até mesmo religião. Não é à toa, então, que criacionistas e evolucionistas vivem brigando entre si - ambos consideram que têm o direito de explicar integralmente como &amp; para quê o mundo existe;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Eu não quero entrar nessa briga, pois é uma briga errada. A briga boa, penso eu, junto com Richard Rorty, Gianni Vattimo, Charles Taylor e outros pensadores e pensadoras, tem a ver com os limites da religião e da ciência. A religião nos ajuda a explicar para quê o mundo existe e nós existimos nele. A ciência nos ajuda a explicar como o mundo existe e nós existimos nele. Quando ultrapassam esses limites, religião e ciência nos atrapalham. Quando ficam dentro desses limites e conversam uma com a outra, religião e ciência se ajudam e nos ajudam;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Creio, sim, em um Deus Criador. Creio, sim, que o mundo em que vivemos é fruto da ação de Deus. Por isso, aceito o trabalho de cientistas que se esforçam para explicar este mundo em que nós vivemos. Por isso, me esforço para entender e dizer a outras pessoas para quê vivemos neste mundo, dialogando com as ciências, com as filosofias, com as religiões. Por isso, não aceito que um cientista, supostamente cheio da autoridade da Verdade, me ensine para quê vivemos neste mundo. Por isso, não aceito que um teólogo, supostamente cheio da autoridade da Verdade, me ensine como este mundo existe. Por isso, não aceito que teólogos e cientistas briguem por motivos errados. Vale mais a pena conversar do que brigar, uma vez que nem teólogos, nem cientistas são capazes de oferecer respostas &lt;i&gt;perfeitas&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;completas&lt;/i&gt; às importantes perguntas relativas ao como e ao para quê o mundo existe e nós existimos nele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-824410104309860704?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/824410104309860704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/06/creio-no-deus-criador-mas-nao-sou.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/824410104309860704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/824410104309860704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/06/creio-no-deus-criador-mas-nao-sou.html' title='Creio no Deus Criador, mas não sou criacionista!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4469890058989603989</id><published>2010-06-14T11:06:00.002-03:00</published><updated>2010-06-14T11:08:51.849-03:00</updated><title type='text'>Religião e Ética, de novo</title><content type='html'>Uma semana sem postar - muito trabalho e muitos problemas com vírus (informáticos) e arquivos infectados ... Os imprevistos e as rotinas do dia-a-dia também atrapalham a disposição blogueirante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, vamos lá. Problemas informáticos à parte, que são de solução relativamente simples, na última postagem comecei a tratar de um problema bem mais complicado e de solução muito difícil, senão impossível. Para muitos praticantes da religião, o que realmente importa é o rito, o culto, ou o êxtase, a emoção, a interioridade. São esses que eu chamei de "espirituais", mas poderia chamar de subjetivistas, interioristas, intimistas, ou coisa semelhante. Para esse tipo de experiência religiosa, a relação com a ética é de radical distinção. Religião é uma coisa, ética é outra. A religião e a ética ficam em compartimentos separados do cérebro e do resto do corpo também. Possuem fontes diferentes e seguem caminhos diferentes. Por isso, é relativamente comum que tais religiosos sejam eticamente inconseqüentes. Apesar de autores e autoras que afirmam ser a ética predominantemente uma questão de decisões emocionais, penso e vejo a ética (minha e de outros)como uma prática predominantemente argumentativa, ou racional - seja uma racionalidade meramente instrumental (o mais curto caminho para conseguir o objetivo desejado), sejam outros tipos de racionalidade, mais abrangentes, mais amplos. Como a experiência religiosa drena a maior parte das energias para o investimento emocional, faltam forças para a reflexão ética que, passa, então, a ser subordinada à emoção religiosa. A religião ajuda a lidar com o stress do dia-a-dia, gerando um mundo virtual de bênçãos e maldições, de modo que a energia investida na religião acaba por se traduzir em "lucros" materiais e éticos - lucros virtuais ou reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ética cristã "padrão", por outro lado, não segue um caminho distinto do da experiência religiosa cristã. Por quê? Porque a experiência religiosa cristã "neo-testamentária" é eminentemente pessoal e se constitui de fidelidade e amor (a Deus e ao próximo e a mim-mesmo). O problema a ser enfrentado pelos crentes cristãos é o da doutrina milenar das igrejas, que afirma que a experiência religiosa cristã é, eminentemente, de crença e obediência (à instituição mediadora da experiência). Os "espirituais" apenas trocaram a crença pela emoção, e a obediência passou a ser dirigida ao "agente do sagrado" mais próximo do crente - pastor, padre, santo, freira, bispo, apóstolo, ou seja qual for o nome ou título do mediador da experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desafio, então, é recanalizar nossa busca e nossas energias religiosas para a relação pessoal com Deus, mediante a relação pessoal com o próximo e comigo mesmo. A mediação da relação com Deus, então, não é mais a doutrina, nem a emoção, mas a fidelidade amorosa e o amor fiel ao Outro como Próximo e ao Si-Mesmo como Outro (Paul Ricoeur). Pode parecer uma descrição "humanista" ou "secularista" da fe cristã, mas não é. Veja os seguintes textos bíblicos: "se vos amardes uns aos outros como eu (Jesus) vos amei, todos saberão que sois meus discípulos" (João 13,34-35); ou "se alguém diz: 'Eu amo a Deus', e odeia seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu" (I João 4,20-21), ou "Mas dirá alguém: 'Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras" (Tiago 2,18); ou, para não dizer que não citei Paulo: "Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás a teu próximo como a ti mesmo" (Gálatas 5,14), ou "Porque no Messias Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor" (Gálatas 5,6).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só assim, pelo menos na visão cristã neotestamentária, religião e ética caminham juntas - no caminho do amor ao próximo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4469890058989603989?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4469890058989603989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/06/religiao-e-etica-de-novo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4469890058989603989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4469890058989603989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/06/religiao-e-etica-de-novo.html' title='Religião e Ética, de novo'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5275888341339427385</id><published>2010-06-06T08:30:00.001-03:00</published><updated>2010-06-06T08:32:16.247-03:00</updated><title type='text'>Religião e Ética</title><content type='html'>Há muitos discursos anti-religiosos hoje em dia. A maior parte deles se baseia em simples preconceito, ora pessoal, ora intelectual - preconceito que podemos traçar pelo menos até as origens da Modernidade, quando por justas razões se criticava a instituição eclesiástica alinhada com os governos imperiais, o que se chama até hoje de Cristandade e é uma mancha terrível no Cristianismo. Justas razões servem, também, para encobrir más atitudes e o preconceito anti-religioso é uma dessas má atitudes encobertas por boas razões. Mas, deixo de lado o preconceito anti-religioso. Não gosto de defender as religiões, seja porque elas não precisam de defensores, seja porque há tanta pluralidade no campo religioso, inclusive dentro de grandes instituições religiosas, que defender ou atacar a religião, ou as religiões, sempre recairá em um generalismo inconseqüente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu tema é outro. Um discurso apologético das religiões é o que afirma que a prática religiosa torna as pessoas mais éticas, mais conscientes da sua culpa, mais abertas à correção de seus próprios rumos. Bem, por um lado, conheço várias pessoas em relação às quais tais afirmações tenham validade - mas também conheço bem mais gente para as quais não têm. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma variante desse discurso apologético se dá no âmbito interno da disputa entre denominações cristãs. Uma disputa antiga e que, até onde consigo enxergar, não cessará tão cedo, ou mesmo jamais cessará. Mencionarei apenas uma dessas disputas, a disputa entre "espirituais" e "doutrinários". Evito os termos mais comuns dessa disputa "pentecostais" versus "tradicionais", exatamente por causa do generalismo perigoso que tais termos acarretam, como se todos os pentecostais fossem iguais e todos os tradicionais idem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão, a meu ver, é que no âmbito do Cristianismo há, recorrentemente, uma disputa entre pessoas e instituições que assumem ser &lt;b&gt;mais espirituais&lt;/b&gt; do que outras pessoas e instituições. O problema é que tais pessoas "mais espirituais" definem a espiritualidade a partir de sua própria experiência religiosa, que se torna o padrão para julgar outras pessoas e instituições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, porém, dia após dia indícios de que tal espiritualidade superior não é compatível com a fé cristã se avolumam. Ser cristão não é uma questão de "experiência", ou de "espiritualidade" mas de amor ao próximo e integridade pessoal e institucional. De nada adiantam experiências fantásticas, êxtases cúlticos, fervores na oração, etc., se tais não se fazem acompanhar de amor e integridade. De fato, sem amor e integridade só nos restam desculpas e discursos auto-apologéticos e acusatórios contra os que não são como nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos reinventar o padrão da espiritualidade cristã, a partir da simplicidade do amor e da integridade (que não é sinônimo de perfeição!). Religião e ética não caminham juntas automaticamente, especialmente no Cristianismo. Ser cristão implica em diariamente enfrentar o desafio de caminhar em amor e integridade, porque cristãs e cristãos sabem que são "pecadores", ou seja, são pessoas que normalmente não caminham em amor e integridade, e sabem que não basta ter uma "experiência" espiritual fantástica na vida para deixarmos de ser o que somos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez pecador, sempre pecador. A única diferença entre as pessoas é que algumas dentre as pecadoras assumem sua pecaminosidade e a enfrentam com amor e integridade. Outras, ou não a assumem, ou a enfrentam com "espiritualidade". Se você preferir linguagem religiosa, umas assumem o caminho do Messias Jesus, outras não. Mas só um lembrete: o caminho do Messias Jesus não é o caminho das Igrejas e das "espiritualidades" ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5275888341339427385?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5275888341339427385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/06/religiao-e-etica.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5275888341339427385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5275888341339427385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/06/religiao-e-etica.html' title='Religião e Ética'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-9083932093460975399</id><published>2010-05-30T11:04:00.000-03:00</published><updated>2010-05-30T11:04:14.711-03:00</updated><title type='text'>"Foi a vontade de Deus!"; "Deus levou para um lugar melhor!"</title><content type='html'>Tem razão, as sentenças do título pertencem a um velório ou enterro. Nunca me conformei com esse sentimento fatalista. Depois que comecei a estudar teologia fui descobrindo o modo fundamentalista desse sentimento: a onipotência de Deus, entendida de modo tão mecânico que que, de um jeito ou de outro, tudo o que acontece tem nele a sua causa última. Essa idéia tem suas variações, tanto no meio acadêmico, quanto no fundamentalista, quanto nos ambientes eclesiais. A forma mais comum de lider com essa forma mecânica de onipotência divina tem sido a de atribuir a Deus distintos graus de vontade: determinativa, ordenativa, permissiva e semelhantes. Especialmente esta última tem servido de explicação satisfatória para muita gente. Por quê? Porque em certo sentido ela isenta deus de responsabilidade pelo sofrimento humano - ele &lt;i&gt;só&lt;/i&gt; permitiu - ao mesmo tempo que mantém sua onipotência. Por outro lado, garante uma boa dose de "livre-arbítrio" temperada com culpa para o ser humano. No final, todo mundo ganha - exceto quem sofre, é claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa visão da divindade é muito mais próxima da do filósofo Aristóteles do que das escrituras judaico-cristãs. É claro que o casamento entre filosofia e teologia, em seus modos metafísicos: tudo se explica a partir de uma única causa, tudo subsiste como uma grande unidade ontológica (de natureza ou essência), tudo se explica a partir de uma única e verdadeira explicação racional-especulativa (não-científica, mas filosófica ou teológica) tem durado por séculos. Heidegger foi um dos filósofos que descreveu criticamente esse casamento e chamou essa família de &lt;i&gt;ontoteologia&lt;/i&gt; - literalmente, teologia do ser ou, para brincar com as palavras, ser da teologia; ou teologia filosófica ou, ainda, filosofia teológica. Seja como for, essa visão de Deus tem assombrado as igrejas cristãs até hoje, e pior, tem feito parte das doutrinas oficiais e dos dogmas de várias (se não de todas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se queremos encontrar explicações teológicas cristãs para o sofrimento, porém, temos de abandonar essa concepção metafísica e mecânica da divindade. O deus de quem a escritura dá testemunho é radicalmente diferente dessa imagem ontoteológica. Na escritura, deus é tão poderoso quanto fraco, tão racional quanto emotivo, tão fiel quanto imprevisível. A pessoalidade atribuída a deus na escritura, conquanto não possa ser interpretada literalmente, afasta completamente qualquer possibilidade de descrever deus em termos metafísicos, mecânicos ou estáticos. Como pode ser todo-poderoso um deus que morre na cruz? Como pode ser todo-poderoso um deus que chora e sofre com a dor de sua criação? Como pode ser todo-poderoso um deus apaixonado e apaixonante? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atribuição a deus de qualidades iniciadas com "oni-" (potência, presença, etc.) só gera confusão conceitual ao lado de uma muleta emocional para nós, seres humanos, que não sabemos assumir a nossa finitude. Deus é in-finito, de modo que seria menos complicado, talvez, que falássemos dele como in-potente, in-presente, in-sciente, in-... Fica esquisito, não é? Mas é melhor ser esquisito do que descrever deus de formas antagônicas ao seu agir testemunhado na escritura e experimentado por inúmeras pessoas, em várias culturas, em todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse usar o prefixo oni- para Deus só conseguiria falar dele como oni-amante, oni-misericordioso, oni-fiel, oni-gracioso, oni-amigo. Mas, pensando melhor, também para essas qualificações eu deveria usar o prefixo &lt;i&gt;in&lt;/i&gt;. In-misericordioso, in-amante, in-gracioso, in-fiel (sic!). Aí a coisa complica. "In" é um prefixo privativo, a partir do qual só se pode fazer uma teologia negativa. Que tal, então, in-oni-potente, in-oni-sciente, etc.?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma última elucubração. E se assumirmos o prefixo "in" como um prefixo de parceria, de localização interna (in-tímo, in-terior, in-terno, etc.)? Ora, então, se uma criança morre antes da hora, deus morre também com ela. Se o Haiti é arrasado por furacões e ondas, deus fica desabrigado também. Se tsunamis arrasam as costas de ilhas e outras terras não-cristãs, deus se afoga junto com elas. Mas se deus não é nosso hiper-super-herói, para que crer nele? Complicado demais, não é? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final das contas, é melhor amar a deus do que tentar explicá-lo. Ora, se um cônjuge jamais consegue entender seu par ou sua ímpar, por que deveríamos ser capazes de entender e explicar deus?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-9083932093460975399?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/9083932093460975399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/foi-vontade-de-deus-deus-levou-para-um.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9083932093460975399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9083932093460975399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/foi-vontade-de-deus-deus-levou-para-um.html' title='&quot;Foi a vontade de Deus!&quot;; &quot;Deus levou para um lugar melhor!&quot;'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5485473545661226274</id><published>2010-05-28T17:32:00.001-03:00</published><updated>2010-05-28T17:33:46.686-03:00</updated><title type='text'>Vida sintética</title><content type='html'>Jornais de todo o mundo repercutem a nota divulgada por J. Craig Venter sobre o sucesso dele e sua equipe na criação de um genoma a partir do qual produziu uma célula auto-replicante.&lt;br /&gt;Em inglês, a nota dos cientistas: "We report the design, synthesis, and assembly of the 1.08-Mbp Mycoplasma mycoides JCVI-syn1.0 genome starting from digitized genome sequence information and its transplantation into a Mycoplasma capricolum  recipient cell to create new Mycoplasma mycoides cells that are controlled only by the synthetic chromosome. The only DNA in the cells is the designed synthetic DNA sequence, including "watermark" sequences and other designed gene deletions and polymorphisms, and mutations acquired during the building process. The new cells have expected phenotypic properties and are capable of continuous self-replication." (http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/science.1190719). A tradução é mais ou menos a seguinte (como não sou especialista em biologia, não posso garantir a correção da tradução de termos técnicos): "Relatamos o desenho, síntese e reunião do genoma 1.08-Mbp Mycoplasma mycoides JCVI-syn1.0 a partir da informação digitalizada da seqüência-genoma e seu transplante em uma célula recipiente Mycoplasma capricolum, para criar novas células micoides Mycoplasma que são controladas apenas pelo cromossoma sintético. O único DNA nas células é a seqüência sintética desenhada, incluindo seqüências "marca d'água" e outros polimorfismos e supressões de genes, bem como mutações adquiridas durante o processo de construção. As novas células têm as propriedades fenotípicas esperadas e são capazes de contínua auto-replicação."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, a criação de formas não-naturais de vida em laboratório se concretizou nessa experiência que, certamente, será ponto-de-partida para vários outros experimentos. As implicaçoes éticas do experimento bem-sucedido já foram objeto de uma reunião no Congresso norte-americano, bem como suscitaram vários debates acadêmicos. Paul Rabinow, por exemplo, estudioso foucaultiano de antropologia e ética, afirmou: "este experimento certamente irá reconfigurar a imaginação ética" (21 MAY 2010 VOL 328 SCIENCE www.sciencemag.org). A discussão bio-ética em que o experimento mencionado está implicada já tem dado vários e significativos passos, ainda que em constante evolução e mutação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescento, irá reconfigurar também a imaginação teológica. A noção de &lt;i&gt;vida&lt;/i&gt; tem sido usada por teólogos e eticistas cristãos para defender diversos postulados éticos no tocante a aborto, desenvolvimento sustentável, entre outros; bem como para indicar uma peculiaridade de Deus em relação ao ser humano - sua atividade como Criador. Embora o conceito teológico seja mais facilmente defensável, posto que Deus criou a partir do "nada", ou seja, não usou matéria pré-existente, várias de suas formulações terão de ser revistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que a teologia, mais uma vez, será a última a entrar pra valer nessa temática?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5485473545661226274?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5485473545661226274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/vida-sintetica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5485473545661226274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5485473545661226274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/vida-sintetica.html' title='Vida sintética'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4030916783529237678</id><published>2010-05-24T15:36:00.001-03:00</published><updated>2010-05-24T15:37:20.739-03:00</updated><title type='text'>Bem &amp; Mal - um dualismo teimosamente persistente</title><content type='html'>Lembro-me de filmes e seriados que assistia em minha infância - Zorro, Bonanza, National Kid, Túnel do Tempo (WOW, que desfile de velharias...). Assisto filmes e seriados ainda hoje em dia, tipo, NCIS, Criminal Minds, CSI, etc. O mesmo vale para novelas e seriados nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abismo tecnológico separa esses dois momentos da televisão. Entretanto, do ponto de vista da visão de mundo, quase tudo continua como dantes. O dualismo, ou maniqueísmo ético ainda me impressiona e me espanta. Sua persistência é teimosa, ou sua teimosia é persistente. Maniqueísmo que é reforçado pelos pseudo-jornalísticos programas "policiais" dos Datenas da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é muito simples: no mundo há gente boa e gente ruim. Mocinhos e Bandidos. Mocinhas e Bandidas. Você se identifica com os(as) mocinhas(os) e demoniza as(os) bandidos(as). Fácil. Tudo se resolve num piscar de olhos. Bandidagem pra cadeia e, quem sabe, até uma penazinha de morte não seria bemvinda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infleizmente, galera (ainda se usa esta gíria?), as coisas não são bem assim. Bandidagem é uma característica de todos e de todas nós. Na linguagem do apóstolo Paulo, o "velho ser" continua vivinho em cada pessoa, dando suas cartas, jogando com o "novo ser", tensionando a nossa existência momento após momento. Na maioria das vezes conseguimos restringir a nossa própria bandidagem a limites socialmente aceitáveis. Muita gente, porém, gosta de ultrapassar limites, ou não tem sequer alternativa, a não ser ultrapassar os limites do socialmente aceitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solução? Não tenho! Lição: aprendi que podemos viver sob essa permanente tensão reprimindo a nossa bandidagem com alguma eficácia, especialmente quando aceitamos nossa finitude e permitimos, pela fé, que Deus entre no jogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Advertência: Deus não é o gênio da lâmpda mágica de Aladim, nem o Eraser (do filme estrelado pelo grandioso e injustamente ainda não premiado pelo Oscar de melhor ator) Arnold Schwarzenegger. Deus não mata o(a) bandido(a) dentro de nós. Deus prefere energizar a(o) mocinha(o) e mandar um recadinho: "se vira"!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4030916783529237678?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4030916783529237678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/bem-mal-um-dualismo-teimosamente.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4030916783529237678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4030916783529237678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/bem-mal-um-dualismo-teimosamente.html' title='Bem &amp; Mal - um dualismo teimosamente persistente'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3971771025072722155</id><published>2010-05-20T10:49:00.000-03:00</published><updated>2010-05-20T10:49:16.966-03:00</updated><title type='text'>Irracionalmente fraco, mas sabiamente poderoso</title><content type='html'>Falar a respeito de Deus é sempre assumir um risco. O risco de falar demais, ou de menos, ou de falar erradamente, ou de falar quando se deveria calar. Uma das razões desse risco está na própria finitude humana e na infinitude(?) divina. Essa diferença radical entre criaturas e criador obriga as criaturas a falar do criador mediante o uso de paradoxos (como a palavra dialética é muito marcada pelas discussões filosóficas, deixo-a de lado, pelo menos por enquanto). A irracional fraqueza de Deus só pode ser entendida paradoxalmente. Sim, continuo afirmando o que escrevi no post anterior, mas a afirmação da fragilidade louca de Deus só faz sentido para nós quando acompanhada da paradoxal afirmação de que Deus é sabiamente poderoso. Bem, não estou inventando nada. No texto de I Coríntios que citei no post anterior Paulo usa  linguagem paradoxal: "Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto dos paradoxos, ele nos permitem brincar com as palavras. Você conhece alguma pessoa simultaneamente poderosa e sábia? Eu não! Você conhece alguma pessoa poderosamente fraca? Também não! Mas Deus é assim. Pelo menos paradoxalmente falando. Em outro texto do Novo Testamento, nos Evangelhos, encontramos um dito de Jesus: "Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para libertação da criação". Os paradoxos? (1) Filho do Homem - de cara, esse título diz que Jesus não é exatamente filho de Deus, mas de gente, como o profeta Ezequiel, no Antigo Testamento, que recebe esse título no livro que tem o seu nome. Escondido no título, porém, está uma grandiosidade. Um Filho do Homem aparece em Daniel capítulo 7, e é um poderoso libertador; (2) Seja Jesus um Filho do Homem à moda de Ezequiel, ou à de Daniel, nem profeta, nem libertador são, na visão normal da gente, servidores (aliás, você conhece servidores públicos que servem?). São gente importante. Deveriam mandar, comandar, ser exaltados, idolatrados. Tá certo que nenhum deles era um Pelé, uma Giselle Bündchen, um Usain Bolt ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único jeito sábio de usar o poder é servir às pessoas, é viver em benefício de tudo o que existe. Esse é o poder sábio de Deus. Ele não precisa de templos, de dízimos, de sacrifícios, de orações, de louvores, de teologias. Ele não precisa de nada, não precisa receber nada em troca de seu serviço, de seu amor, de seu poder. De fato, nós não servimos para nada do ponto de vista do Deus poderoso (sem sabedoria). Ele estaria muito melhor vivendo sozinho em sua trindade eterna.  Mas! Não, não o Deus-pai de Jesus, companheiro do Espírito Santo. Quer mais um paradoxo? Deus precisa de nós. Deus precisa de Sua Criação. Sofrer necessidade - esse é o sábio poder de Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3971771025072722155?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3971771025072722155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/irracionalmente-fraco-mas-sabiamente.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3971771025072722155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3971771025072722155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/irracionalmente-fraco-mas-sabiamente.html' title='Irracionalmente fraco, mas sabiamente poderoso'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7886412986763452797</id><published>2010-05-16T13:31:00.001-03:00</published><updated>2010-05-16T13:34:26.999-03:00</updated><title type='text'>A irracional fraqueza de Deus</title><content type='html'>Sim! Deus é irracionalmente fraco. Não, não estou ficando louco (talvez esteja, ou talvez já seja há tempos). Quem inventou essa história de deus ser fraco foi um famoso teólogo dos tempos antigos, um tal de Paulo. Em uma de suas cartas teológicas escreveu: "Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homenns. Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos. nem muitos os nobres que são chamados. Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são; para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus." ( I Coríntios 1:25-29)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fraqueza e a irracionalidade de Deus são contrapostas por Paulo à sabedoria e poder humanos. Seu alvo principal é o Império Romano santificado pela filosofia dos gregos como o centro de poder que gpvernava impiedosamente todo o seu território, graças à força dos seus exércitos. Um poder que era ideologicamente legitimado pela pregação da Paz Romana, um anúncio de salvação - os povos conquistados deveriam ser gratos aos romanos, por que estes haviam trazido ordem para a vida caótica em que os bárbaros e incivilizados povos viviam. Isso é típico dos poderosos: o mundo deles é o único mundo verdadeiro, pacífico, harmonioso, ordeiro - positivismo antes da modernidade: ordem e progresso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tal poder, Deus somente pode se apresentar como um Deus fraco. Deus não mata os inimigos, não conquista os povos, não impõe sua ordem e paz sobre as pessoas e nações. Ele não comanda, ele propõe. Ele não ordena, convida. Ele não mata, morre pelos inimigos. A paz de Deus é uma dádiva frágil - quem a quiser, a recebe. Quem não a quiser, fique à vontade para escolhar outra paz para sua vida. Por isso, não consigo acreditar no Deus que os poderosos Estados (Unidos e outros) anunciam; nem no Deus que as poderosas Empresas Eclesiásticas vendem através das Mídias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fraco, assim, só pode ser irracional. As traduções da Bíblia normalmente escolhem a palavra "louco" para traduzir a palavra do texto grego (&lt;i&gt;môrón&lt;/i&gt;). Não é uma escolha ruim - afinal de contas, a loucura é o avesso da razão moderna; os loucos são os bodes expiatórios da sociedade científica, pacientes do poder psiquiátrico, psicológico, psicanalítico e outros psi-poderes. Assim as sociedades modernas lidam com Deus - colocam-no fora do espaço público, internam-no em clínicas sofisticadas, sob os valiosos cuidados dos detentores do saber. Quanto mais leio obras de teologia filosófica ou de filosofia teísta, tanto mais prefiro o Deus louco de Paulo. Por isso, também gosto de traduzir a palavra grega por irracional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que até é mais libertador falar em Deus como um ser irracional, pois já que fomos criados à Sua imagem e semelhança, também somos predominantemente irracionais. Afinal de contas, não foi o desejo do conhecimento (da ciência, da razão) que fez de Adão e Eva os pecadores ancestrais de toda a humanidade? Não tem sido a grande Razão que fez do mundo contemporâneo uma global jaula de ferro polivalentemente racional - Razão de Estado, Razão do Mercado, Razão Científica, Razão Midiática?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que você acha? Tenho ou não tenho razão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7886412986763452797?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7886412986763452797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/irracional-fraqueza-de-deus.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7886412986763452797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7886412986763452797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/irracional-fraqueza-de-deus.html' title='A irracional fraqueza de Deus'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-1415976462482306513</id><published>2010-05-14T08:11:00.000-03:00</published><updated>2010-05-14T08:11:11.595-03:00</updated><title type='text'>Deus resolve ...</title><content type='html'>Há muitas maneiras de descrever a fé em Deus. Assim também há muitas maneiras de descrever Deus. Muita vez Deus fica do tamanho da fé individual. Muita vez Deus é descrito com "D" mas não passa de um deus com "d". Difícil, complicado é saber distinguir uma descrição de outra, distinguir entre Deus e deus ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Bíblia, em muitos trechos, essa distinção é feita através do uso do termo ídolo. Ídolos são deuses com "d" minúsculo. Em um momento de grande inspiração, um profeta judeu desconhecido descreveu os ídolos como produtos humanos, fabricados por mãos humanas (Isaías 44:9-20). Se esse profeta tivesse vivido no século XX, teria sido acusado de materialista, marxista, comunista ... Seja ela (por que não uma profetisa?) materialista ou não, ofereceu um importante critério para sabermos quem é deus com "d" minúsculo. Deus vira (d)eus quando ele é criado à imagem e semelhança da pessoa crente. Quando Deus fica do meu tamanho, ele foi transformado em (d)eus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de alguns deuses com "d" minúsculo e vou mencionar um desses: o deus que resolve todos os problemas da gente. Ídolo? "Não!" muita gente dirá. Esse é o Deus de Verdade (tudo com inicial maiúscula!). O que faz de Deus Deus é o Seu poder. "Deus não manda recado, Ele faz!". Quando o ser humano não tem mais poder, não consegue mais resolver, então é hora de acreditar em Deus, pois Deus resolve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deus que resolve parece ser um (D)eus mesmo. Ele tem poder sobre-humano, capacidade transcendental, inteligência sobrenatural. "Tem de ser Deus!" Afinal de contas, não é assim que tradições cristãs têm descrito Deus há muito tempo: Onipotente, Onipresente, Onisciente, Eterno, Imortal? Parece, então, que Deus é exatamente o contrário da gente - ele é mais parecido com os ricos e poderosos do que com as pessoas comuns. Esse deus tem a cara dos nossos sonhos mais ocultos de grandeza (afinal de contas, sonhar "grande" não é muito correto. Pelo menos quem já ficou rico e quem manda pensa assim...). Não é à toa que quando a gente tenta achar um exemplo para falar de (D)eus a gente pensa em reis, em pessoas poderosas, em gente melhor do que a gente - em uma palavra: ídolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem. Eu penso o contrário. Esse (D)eus não passa de um (d)eus, um ídolo, uma projeção de nossas frustrações e delírios (diriam Feuerbach e Cia. Ltda.). Por quê? Porque quando a Bíblia resolve dar um exemplo visível de como é Deus, esse exemplo é Jesus. Filho de trabalhadores, cuja mãe não tem lá uma reputação das melhores, nazareno (para os Judeus fiéis os nazarenos eram religiosamente inferiores), amigo de pecadores e pecadoras, festeiro (o primeiro milagre de Jesus, no Evangelho de João, foi transformar água em vinho - veja bem: água em vinho, não "vinho em água!"), o Rei dos Reis que morreu em uma cruz a morte dos criminosos políticos, dos subversivos - dos "materialistas"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus resolve? Um colega de Jesus na cruz matou a charada: "Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós também" (Lucas 23:39). Ele acreditava em (d)eus. Mas Jesus não. Jesus acreditava em (D)eus. Por isso, não se salvou. O Filho morreu. Deus não "resolveu".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-1415976462482306513?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/1415976462482306513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/deus-resolve.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1415976462482306513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1415976462482306513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/deus-resolve.html' title='Deus resolve ...'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8529349018727029126</id><published>2010-05-11T18:11:00.000-03:00</published><updated>2010-05-11T18:11:01.008-03:00</updated><title type='text'>A seleção do Dunga e a vida cristã</title><content type='html'>Não! Não vou explicar quem faltou, quem não deveria ter ido, etc. Quero aproveitar a entrevista do Dunga e a falação nacional sobre o tema para tratar de um texto bíblico: "Não sabeis que aqueles que correm no estádio, correm todos, mas um só ganha o prêmio? Correi, portanto, de maneira a consegui-lo. Os atletas se abstêm de tudo; eles, para ganharem uma coroa perecível; nós, porém, para ganharmos uma coroa imperecível..." (I Coríntios 9,24-27).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos dois futebolistas se desconvocaram da seleção - Ronaldinho Gaúcho e Adriano (sem contar o Ronaldo Fenômeno, carta fora do baralho há mais tempo). Por quê? Por que deixaram de ser atletas, se ocuparam em "aproveitar a vida" inutilmente, se gastando em noitadas, baladas, bebidas, mulheres, etc. Uma visão muito frágil da vida, pseudo-hedonista, confundindo liberdade com falta de auto-controle, confundindo juventude com estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida cristã e na vida, em geral, disciplina é fundamental. Não a disciplina militar, autoritária, mas o auto-controle que é fruto do Espírito na vida das pessoas (Gálatas 5,23). A sociedade consumista transmite uma mensagem estúpida para adolescentes e jovens: "divirtam-se", "aproveitem a vida", "aproveite enquanto é jovem"... Quem não tem domínio próprio, gasta a vida inteira na juventude e não aproveita nem a juventude nem a idade madura, nem a velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade é autonomia, sim, mas principalmente, liberdade é o auto-domínio, é não se deixar aprisionar pelos próprios desejos (não importa se bons ou ruins), é ser criativo, viver de cabeça erguida em direção ao futuro que criamos livre e sabiamente. Liberdade é amar ao próximo como amamos a nós mesmos, pois assim não seremos dominados pelo próximo cuja demanda de amor pode ser opressora, nem seremos dominados por nós mesmos, pois nossas auto-demandas são aterradoras. Liberdade é ter um alvo sabiamente estabelecido, imanentemente transcendente, que nos desafia dia após dia à excelência,à auto-transcendência, à rejeição radical da mediocridde que paira em nosso dia-a-dia brasileiro contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cultura brasileira, a noção de disciplina é mal vista. Precisamos resgatá-la da idéia autoritária, moralizante, institucional de subserviência a algo, alguém, ou a alguma instituição. Por isso, não concordo com o apelo dunguiano e jorginhiano ao "patriotismo". Prefiro Caetano: "mas eu não tenho pátria, eu tenho mátria e quero frátria".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8529349018727029126?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8529349018727029126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/selecao-do-dunga-e-vida-crista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8529349018727029126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8529349018727029126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/selecao-do-dunga-e-vida-crista.html' title='A seleção do Dunga e a vida cristã'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2373755108762217544</id><published>2010-05-10T15:58:00.000-03:00</published><updated>2010-05-10T15:58:04.163-03:00</updated><title type='text'>Compaixão e solidariedade na proclamação do Evangelho</title><content type='html'>Quando a igreja se torna um bom negócio, ela pode manter o adjetivo "cristã", mas sua prática é pouco coerente com o adjetivo. Nos negócios, o que interessa é lucrar, fazer o outro perder, sem dó, sem solidariedade. Por isso, igrejas empresariais são monstrengos marqueteiros que reduzem o Evangelho de Jesus a um pacote de bens de consumo descartáveis. Só o que interessa é transformar fiéis em clientes e você sabe como é, clientes são apenas cifras para estatísticas e balanços, não existem enquanto pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de compaixão e solidariedade para proclamar o Evangelho! Ao olhar para as pessoas e para as multidões de seus dias, Jesus as via como “ovelhas sem pastor” e demonstrava-lhes compaixão. A compaixão (solidariedade) era o motor de suas ações a favor das pessoas (v. Mt 9,36; 14,14; 15,32; 20,34; Mc 6,34; 8,2; Lc 7,13, etc.). Jesus demonstrava, através de seus atos, a compaixão de Deus pelos seus filhos e filhas escravizados ao pecado; demonstrava a solidariedade do Deus encarnado para com a humanidade pecadora (cf. Hb 2,14-17; 4,15-16). Para pregar o Evangelho não posso ver o “outro” como adversário – a evangelização não pode gerar inimigos, mas, sim, pessoas reconciliadas com Deus e, conseqüentemente conosco e com elas mesmas, amigos e amigas de Jesus Cristo (Jo 15,14-15). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para pregarmos o Evangelho precisamos resistir à tendência desumanizadora e brutalizante de nossa sociedade; precisamos resistir à tentação de vivermos apenas em função de nós mesmos e de nossos interesses e desejos. Precisamos de solidariedade, compaixão: sentir o sofrimento do outro, como o nosso próprio sofrimento. Se somos amigos e amigas de Cristo, fazemos o que Ele manda. E o que Ele manda? “Eu vos escolhi para irdes produzir frutos e para que o vosso fruto permaneça ... O que eu vos ordeno é que vos ameis uns aos outros” (Jo 15,16-17). A Igreja existe para anunciar o Evangelho – essa é a grande comissão de Jesus (Mt 28,18-20 e paralelos), e esse é o poder do Espírito (At 1,8) – e se ela não o faz, deixa de ser povo de Deus, e se identifica com o mundo; torna-se sal sem sabor, não prestando para nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus nos chama para que tenhamos compaixão de todas as pessoas; para que anunciemos o seu Evangelho, que é a boa notícia de que Deus pode mudar a vida das pessoas, para que de consumistas se tornem ativistas da paixão solidária. Mas para fazer isso, não dá pra ser igreja marqueteira, nem mega-igreja, nem igreja da prosperidade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2373755108762217544?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2373755108762217544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/compaixao-e-solidariedade-na.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2373755108762217544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2373755108762217544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/compaixao-e-solidariedade-na.html' title='Compaixão e solidariedade na proclamação do Evangelho'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-6702603613273675515</id><published>2010-05-06T07:51:00.003-03:00</published><updated>2010-05-06T14:01:29.662-03:00</updated><title type='text'>Conflitos Passionais - Relendo Gênesis 1-11</title><content type='html'>Nesta semana a Faculdade Unida está recebendo Milton Schwantes para palestras e aulas na pós-graduação. Para quem não o conhece, Milton é um dos pioneiros da exegese tipicamente latino-americana, junto com Carlos Mesters, José Severino Croatto, Ana Flora Anderson, etc. Em uma das palestras ele tratou de Gn 1-11 sob a perspectiva político-econômica. Em "reação" à sua fala, abordei Gn 1-11 sob a perspectiva das paixões (afetos, emoções). Caso vc não se lembre, Gn 1-11 é um conjunto de textos que fala das origens - criação do mundo (1-2), pecado (3) civilização (4-5), dilúvio (6-9), nações (10) e povos semitas (11). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois pares de paixões que tematicamente perpassam esse bloco de Gn 1-11. Um deles é o par das paixões da dominação, do Império, da injustiça: arrogância e crueldade. A pessoa arrogante é aquela que se considera mais do que realmente é e, simultaneamente, considera os outros como menos do que realmente são. Por isso, ela se arroga ao direito de mandar, dominar, derrotar, conquistar... A arrogância, comumente, é acompanhada pela crueldade, a paixão que pode ser descrita como aquela que leva a pessoa a tratar maldosamente outras, com violência, humilhando, menosprezando, maltratando outras pessoas ou seres não-humanos (a gente vê a crueldade nas criancinhas, por exemplo, nos momentos de prazer que elas têm em destruir coisas...). Quando Gn 6 descreve o pecado humano que estava na base do dilúvio, os termos hebraicos todos giram ao redor da crueldade e arrogância. Quando Gn 9, após o dilúvio, quer mostrar que o ser humano é, enquanto humano, pecador, descreve Noé (o justo "salvador" da humanidade) bêbado, amaldiçoando um de seus filhos - o arrogante pai foi cruel para com seu filho, só porque o rapaz viu o pai pelado. Que Deus aceite conviver e prometa não mais destruir essa humanidade "pecadora" mostra o amor de YHWH, ou o que, no Cristianismo costumamos chamar de graça de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro par de paixões é antagônico ao primeiro. São as paixões que mostram a semelhança entre o ser humano e o Criador, são as paixões da "imagem de Deus", usando um termo do próprio Gn. São as paixões da criatividade e do cuidado. A criatividade é a paixão que nos leva a criar idéias, valores, objetos, relações, etc. É a paixão da não-preguiça, do não-acomodamento, a paixão da auto-transcendência, que está muito ligada ao amor, pois criar também é criar novas vidas na relação amorosa. Criatividade é, também, a paixão da não-arrogância, pois a pessoa criativa normalmente sabe que não é completa, perfeita, que ainda precisa se auto-transcender, de modo que não consegue pensar de si como mais do que realmente é. O cuidado é a paixão do tratar bem ao próximo, de fazer bem aos outros. É o contrário da crueldade. Quem cuida protege a vida, protege o sonho, o desejo, o bem-estar do outro. Cuidado é a paixão da auto-doação ao próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gn 1-11 tenta ensinar que esse par de paixões duplas-antagônicas está presente em cada pessoa e em cada realização humana. A nossa responsabilidade é restringir a arrogância-crueldade mediante a valorização da criatividade-cuidado, "cuidando" que nossa criatividade não seja arrogante e nosso cuidado não seja cruel. Pena que algumas religiões e filosofias pensem que se pode restringir a arrogância-crueldade apenas com boas doutrinas ou boas idéias ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-6702603613273675515?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/6702603613273675515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/conflitos-passionais-relendo-genesis-1.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6702603613273675515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6702603613273675515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/conflitos-passionais-relendo-genesis-1.html' title='Conflitos Passionais - Relendo Gênesis 1-11'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3520955430686379611</id><published>2010-05-03T09:29:00.003-03:00</published><updated>2010-05-05T14:10:55.506-03:00</updated><title type='text'>Religião e Eleição - de novo?</title><content type='html'>Noticiado em vários jornais, a partir da reportagem de um jornalista da Folha: prefeitura de Camboriú e governo do estado de SC, segundo o jornalista, patrocinaram evento evangélico (Gideões e/ou Assembléia de Deus) com mais de 500 mil reais (valor corrigido!), em apoio ao candidato José Serra.(http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u729314.shtml).&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u729314.shtml"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já começou ... É claro que os representantes dos governos citados negaram a acusação. É claro que o TRE de SC terá de averiguar o caso - assim como o TRE-SP terá de averiguar se houve propaganda eleitoral ilegal no evento de Primeiro de Maio com Lula e Dilma. É claro que fé e eleições não têm nada a ver uma com a outra. É claro que Estado e Igreja estão devidamente separados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tão claro. A instituição religiosa nas sociedades contemporâneas é uma fonte indispensável de votos. Especialmente os chamados "evangélicos" tão fáceis de serem manipulados por seus líderes. A aceitação do carisma da liderança é algo tão forte em meios "evangélicos" que a inteligência política e a responsabilidade sócio-cultural desaparecem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio de SC é apenas o primeiro de muitos, infelizmente. As igrejas continuarão a servir de palanque eleitoreiro, pois líderes supostamente "religiosos", auto-proclamados "pastores do rebanho de Deus" são, apenas, pastores de si mesmos. A esses líderes se dirige a velha, mas cada vez mais nova e pertinente, palavra crítica de Ezequiel 34:1-10 que assim conclui: "Assim diz o Senhor Iahweh: Eis-me contra os pastores. Das suas mãos requererei prestação de contas a respeito do rebanho e os impedirei de apascentar meu rebanho. Deste modo os pastores não tornarão a apascentar-se a si mesmos. Livrarei minhas ovelhas da sua boca e não continuarão a servir-lhes de presa" (Bíblia de Jerusalém).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igrejas deveriam ajudar seus membros a serem melhores cidadãos e cidadãs - mais conscientes, mais responsáveis, mais participantes ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3520955430686379611?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3520955430686379611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/religiao-e-eleicao-de-novo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3520955430686379611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3520955430686379611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/05/religiao-e-eleicao-de-novo.html' title='Religião e Eleição - de novo?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8994089231485841235</id><published>2010-04-30T14:34:00.001-03:00</published><updated>2010-04-30T14:36:49.254-03:00</updated><title type='text'>Teologia e Trabalho</title><content type='html'>Amanhã é feriado! Que droga! Feriado no sábado é o mesmo que dia útil ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado a preguiça... Amanhã se comemora o Dia do Trabalhador (ou do Trabalho). Data comemorativa dos movimentos de trabalhadores em busca de justiça social, em uma época na qual se acreditava que "o trabalho enobrece", que trabalhar é a vocação do ser humano (por isso os movimentos feministas lutam pelo direito da mulher trabalhar e ser adequadamente remunerada, juntamente com o reconhecimento do trabalho doméstico como &lt;i&gt;trabalho&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teologia cristã tem uma relação ambígua com o trabalho. Por um lado, seguindo Paulo, se defende que cada pessoa tem de trabalhar, pois "quem não trabalha não tem direito de comer"; com base no Gênesis afirma-se que o trabalho é modelado no próprio Deus que trabalhou para criar o mundo (aqui o Judaísmo se diferenciava do pensamento greco-romano, para o qual o trabalho "braçal" era indigno dos cidadãos, devido apenas pelos escravos). Por outro lado, o trabalho está colocado debaixo de maldição desde a infame "Queda" de Adão e Eva - trabalho do homem com suor e canseira; trabalho de parto da mulher com dores e suores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia as coisas estão diferentes. O "trabalho" já não recebe o mesmo valor "enobrecedor" de antigamente - tem mais valor o consumo, a criatividade, o empreendedorismo, o lazer. Mesmo assim, a economia capitalista gira ao redor de trabalho (assalariado ou não) e de seu &lt;i&gt;doppelganger&lt;/i&gt; (duplo) o desemprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas novas condições,como seria uma teologia cristã do trabalho? Alguns palpites: (1) o trabalho não é a vocação humana - trabalhamos para viver; não vivemos para trabalhar; (2) o descanso é a vocação humana, pois Deus abençoou o dia do descanso; só que descanso "cristão" é prática de solidariedade, de amizade, de amor, de companhia, fidelidade, e coisas afins que fazem da vida algo bom de ser vivido; (3) todo trabalho digno merece ser reconhecido, independentemente de sua classificação quantitativa pela economia capitalista - de fato, os trabalhos mais dignos tendem a ser os mais mal remunerados - enquanto os lazeres que se tornam em trabalho rendem fortunas; (4) trabalhos dignos são as atividades que tornam melhor a vida das pessoas e das sociedades - acréscimos qualitativos de saúde, moradia, alimentação, cultura, educação, bem-estar, autonomia, interdependência, ecologia ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tem algum palpite para somar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8994089231485841235?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8994089231485841235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-e-trabalho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8994089231485841235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8994089231485841235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-e-trabalho.html' title='Teologia e Trabalho'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-6058319292430233801</id><published>2010-04-29T07:27:00.001-03:00</published><updated>2010-04-29T07:29:50.953-03:00</updated><title type='text'>Pecado, sexofobia &amp; homofobia</title><content type='html'>Como prometi há algum tempo, volto ao tema da homofobia. A "neura" cristã com a sexualidade, hoje em dia, tem como seu principal sintoma a homofobia. Joga-se a "culpa" sobre os homossexuais, que resolveram fazer movimento social, lutar por seus direitos civis, pessoais, culturais. Aí o povo crente fica assustado. A presença pública de homossexuais faz com que a &lt;i&gt;sexofobia&lt;/i&gt; cristã se reacenda e se reformule como homofobia. Este é um exemplo clássico de transferência de um temor para outro, a fim de resolver (de forma errada) o primeiro temor. Fazendo da homossexualidade o alvo da denúncia contra o pecado nos esquecemos da velha e constante sexofobia. Ao invés de lidarmos com o nosso velho e perseverante problema, atacamos um novo "inimigo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vários lugares da Bíblia se afirma que quem segue a Deus não precisa viver com medo. Já está mais do que na hora de nos livrarmos da sexofobia, o que jamais conseguiremos através da homofobia. Um medo apenas pode substituir outro medo, jamais vencê-lo. De medo em medo caminhamos para uma vida triste, enfadonha, acusatória, cheia de ilusões. É hora de trocar o medo pela coragem. Pela coragem de ser feliz, pela coragem de assumir o prazer, pela coragem de viver plena e saudavelmente a sexualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hora de trocar o medo de errar pela coragem de acertar. Como acertamos? É uma antiga e sempre desafiadora lição, repetida à exaustão na pregação e na teologia cristãs. Acertamos quando amamos o próximo. O problema maior consiste em sabermos quem é o próximo. Ao respoder a essa pergunta, certa vez, Jesus contou uma parábola, que a tradição chamou de a parábola do bom samaritano. A parábola ensina que quem amou o próximo foi o "samaritano", aquele que era odiado, rejeitado e demonizado pela religião oficial da época de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem olhos para ler, leia!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-6058319292430233801?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/6058319292430233801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/pecado-sexofobia-homofobia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6058319292430233801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6058319292430233801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/pecado-sexofobia-homofobia.html' title='Pecado, sexofobia &amp; homofobia'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7220279697444719529</id><published>2010-04-28T08:19:00.000-03:00</published><updated>2010-04-28T08:19:00.943-03:00</updated><title type='text'>Sexo é Pecado. Sexo &amp; Pecado. Sexo não é Pecado.</title><content type='html'>Na moralidade das igrejas cristãs ocidentais, a sexualidade é colocada lado a lado com o pecado. A antiga e maliciosa (se eu fosse psicanalista poderia me divertir muito aqui "analisando" os responsáveis por essa interpretação) leitura de Gênesis 3 que intepreta o pecado "original" como de natureza sexual, apesar de desacreditada pela exegese acadêmica, ainda mantém o seu papel determinante na moralidade cotidiana dos membros de igrejas cristãs. Essa leitura se mantém, entre outras razões, porque é apoiada por outro erro comum no pensamento moral das igrejas cristãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse erro tem a ver com o conceito de pecado. O conceito de pecado é fundamental para a práxis e para a teologia cristã, entretanto, é um dos conceitos mais mal entendidos e utilizados no dia-a-dia. O erro mais comum é reduzir o conceito de pecado ao seu âmbito ético-moral. Assim, pecado é fazer coisas erradas, imorais, sem ética. Pecado, então, são os pecados que cometemos e os pecados que cometemos são de natureza predominantemente moral. E o pior pecado que cometemos são os pecados sexuais, desde que Adão e Eva descobriram que estavam nus. O círculo vicioso está, assim, completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pecado deve ser distinguido de pecados. Pecado e pecados não podem ser reduzidos à moralidade. Pecado e pecados são, acima de qualquer outra coisa, conceitos que tratam da relação do ser humano com o Criador e, a partir dessa relação primária, da relação do ser humano consigo mesmo, com o próximo-humano e com o próximo-natureza. Pecado (sem o &lt;b&gt;s&lt;/b&gt; do plural) é uma estrutura da vida humana. O ser humano, criado finito, é pecador exatamente porque é finito. A finitude humana é a raiz do pecado. O ser humano é pecador por que, sendo finito, não admite viver a sua finitude. "Querer ser como Deus" é o que define o Pecado. Pecado é não aceitar a finitude e desejar a infinitude da Criadora do mundo. (Trocar de "gênero" ao falar de Deus é um exercício de auto-crítica, para nos lembrarmos de que Deus não é "macho" nem "fêmea", mas criou macho e fêmea à Sua imagem.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pecado&lt;b&gt;s&lt;/b&gt; são todos os atos que cometemos na tentativa de eliminar a nossa finitude. Pecado tem a ver com a "transcendência", o desejo de transcender nossos limites como criaturas; transcender esses limites sozinhos, sem a comunhão com Deus e com a Criação. Dentre esses atos, alguns possuem uma dimensão moral predominante, outros não. E nessa luta contra a finitude, a sexualidade &lt;b&gt;não&lt;/b&gt; está, definitivamente, do lado do pecado. Somos seres sexuados "por criação" e não "por queda". As narrativas bíblicas sobre a criação colocam a sexualidade no lado da "imagem e semelhança de Deus" e no lado da bênção (ou será que poderíamos "ser fecundos, multiplicar e encher a terra" sem a relação sexual?), jamais no lado do pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem, ou não, pecados sexuais? Claro! Assim como existem pecados ligados à amizade, ao trabalho, ao comércio, à política, etc. etc. etc. Não há nada de essencialmente pecaminoso na sexualidade que faça com que ela deva ser controlada. Aliás, em o Novo Testamento se fala em controlar a "língua", e não com conotação sexual, e sim, com o sentido de cuidarmos de não ofencer a outras pessoas com o que falamos. É claro, então, que &lt;b&gt;não&lt;/b&gt; há pecados "sexuais"! (Note o paradoxo, não a contradição). Há pecados. (ponto final) Pecados são todos os atos que impedem a realização da criação enquanto Criação divina, enquanto harmonia relacional, amizade entre Criador e criaturas, criaturas e criaturas. Dentre esses atos, há alguns de natureza sexual, que não têm nada de mais pecaminoso do que quaisquer outros atos pecaminosos, atos que quebram a harmonia entre os seres viventes, ou seja, atos que demonstram o não-cuidar do próximo-humano&amp;natureza como cuidamos de nós mesmos; não amar o próximo-humano&amp;natureza como amamamos a nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa desse velho e persistente erro, a moralidade sexual nas igrejas cristãs fica pendurada no conceito de casamento. O casamento é a panacéia mágica contra o pecado "sexual". Antes de me casar li um livro sobre sexo, escrito por um fundamentalista norte-americano. Depois de explicar todos os pecados sexuais, o autor ensinava que "no leito conjugal tudo é permitido, com respeito mútuo". Ora, é o leito "conjugal" ou o "respeito mútuo" que torna "tudo permitido"? Ou será que não é possível um "ménage à trois" com "respeito mútuo" no leito "conjugal"? Ou, não existe estupro legitimado pelo leito "conjugal" e pelo "respeito" da esposa ao marido, que cumpre sua "obrigação" de mulher (assim se falava no passado para as jovens esposas [só no passado?])? Ou, então, por que não haveria "respeito mútuo" em uma relação sexual sem o "casamento"? Enfim, por que uma cerminônia cultural e um contrato jurídico fariam de um pecado um não-pecado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia muita gente coloca o "amor" no lugar do casamento. Só que é um amor muito pequenininho de tão transcendental. Amor que não passa de paixão e desejo. "Eu amo" é apenas outro nome para "eu quero". Ou será que quando um carinha (ou uma carinha) coleciona os troféus de suas conquistas ele (ou ela) está colecionando "amores"? Ou será que um pedófilo está justificado pelo que faz porque "ama" as criancinhas? Ou será que um estupro "amorosamente" motivado é menos do que um estupro? Enfim, por que um sentimento fugaz faria de um pecado um não-pecado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexo não é pecado, mas pode ser transformado em pecado, assim como qualquer outra relação humana pode ser transformada em pecado. Quando conseguiremos nos livrar da "neura" em relação ao sexo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7220279697444719529?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7220279697444719529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/sexo-e-pecado-sexo-pecado-sexo-nao-e.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7220279697444719529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7220279697444719529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/sexo-e-pecado-sexo-pecado-sexo-nao-e.html' title='Sexo é Pecado. Sexo &amp; Pecado. Sexo não é Pecado.'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2062212348720357351</id><published>2010-04-27T08:47:00.000-03:00</published><updated>2010-04-27T08:47:24.665-03:00</updated><title type='text'>Quando a fé não faz diferença</title><content type='html'>Um dos craques do Santos, "menino da Vila" Neymar, é crente de uma igreja batista em São Vicente. Em recentes entrevistas, o rapaz declarou sua fé e afirmou "pagar" o dízimo fielmente todo mês, desde que começou a trabalhar, afinal de contas "Deus deu tudo pra ele". Agora o dízimo dele é de 40.000 reais e a igrejinha está reformando templo. Até aqui nada de mais, nem de menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele, Neymar, continua - já comprou um baita apartamento, um carrão de 140 mil, mas o que queria mesmo era uma ferrari ou porsche; não tem título de eleitor e nem queria ter, não sabe quem é candidato à presidência, nem quer saber ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: de que adianta ter fé, se não passa de um medíocre jovem consumista, alienado, sem projeto relevante de vida? Ah! Neymar, nada contra você, pois você é apenas mais um alienadinho sem visão de vida que as igrejas estão formando por aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora que tem dinheiro, não dava pra comprar um pouco de sabedoria? Se não pra você, pelo menos pro pastor de sua igreja ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2062212348720357351?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2062212348720357351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/quando-fe-nao-faz-diferenca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2062212348720357351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2062212348720357351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/quando-fe-nao-faz-diferenca.html' title='Quando a fé não faz diferença'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-9127963645789484749</id><published>2010-04-26T09:28:00.001-03:00</published><updated>2010-04-26T09:30:40.840-03:00</updated><title type='text'>Fé e eleições - Governante não é Messias!</title><content type='html'>Uma das características da mentalidade política na cultura brasileira é a crença no papel messiânico dos governantes. Há vários estudos antropológicos, sociológicos e políticos que tratam do tema e mostram que esta é uma das heranças da matriz cultural cristã-portuguesa presente na formação da sociedade brasileira, que encontrou um terreno propício no contato (nada amistoso, é claro) da cultura portuguesa com as culturas dos povos indígenas que habitavam esta terra. &lt;br /&gt;Presente até hoje nas tomadas de decisão de eleitores, o messianismo é uma crença mediante a qual se espera dos governantes que resolvam, de forma quase mágica, os problemas da nação (ou da parte da nação, no caso de eleições locais e reginais). O messianismo transforma as eleições em uma prática mais personalista do que política, de modo que são fatores da biografia do candidato(a) que têm mais peso na hora da decisão sobre o voto. &lt;br /&gt;Entre outras razões, por causa do messianismo é que fiz um primeiro post sobre o tema afirmando que fé e eleições não têm nada a ver. O problema prático é que têm! A fé messiânica é muito mais decisiva na tomada de decisão do que a deliberação política propriamente dita. Essa fé messiânica, como um fator cultural, transpassa as religiões formais dos brasileiros e por isso afirmei que fé e eleições não têm nada a ver. Não é a "fé formal" que tem mais peso na hora de decidir, é a fé "cultural", trans-religiosa, supra-denominacional que tem o peso decisivo. É a fé cantada por Gil, "andar com fé eu vou, a fé não costuma falhar". &lt;br /&gt;Infelizmente, a fé falha! Sem participação cidadã crítica e consciente governante nenhum resolve problemas de forma quase mágica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-9127963645789484749?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/9127963645789484749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/fe-e-eleicoes-governante-nao-e-messias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9127963645789484749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9127963645789484749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/fe-e-eleicoes-governante-nao-e-messias.html' title='Fé e eleições - Governante não é Messias!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3350149218208974936</id><published>2010-04-23T07:27:00.003-03:00</published><updated>2010-04-23T07:38:11.337-03:00</updated><title type='text'>Fé e eleições - Votarei na candidata Marina Silva ...</title><content type='html'>Ei, o voto é "secreto". Nunca entendi direito essa frase. Como o voto pode ser secreto se ele tem a ver com a gestão pública? Ah! um cientista político logo iria me ensinar: "o voto é secreto para que o eleitor tenha liberdade e não seja obrigado a votar por motivos ilegítimos...". Bonito, mas não me convence.&lt;br /&gt;É claro que existem formas de pressionar e obrigar pessoas a votarem neste ou naquele candidato - entre elas a coação com base na punição pós-voto.Por isso, ninguém precisa saber em quem eu votei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto é diferente de dizer "voto é secreto". O voto é público e em uma democracia legítima ninguém precisaria ter medo de declarar publicamente sua opção eleitoral. Mas, o que torna &lt;i&gt;legítima&lt;/i&gt; uma democracia? Será o "segredo" do voto? Ou a legitimidade da campanha? Será a falta de razões para votar neste ou naquele candidato, ou as boas razões para votar nesta ou naquela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Votarei na senadora se ela for candidata. Por que ela é evangélica? Claro que não. Por que ela é mulher? Também não. Por que ela vem da periferia do Brasil? Também não. Por que ela foi oprimida? Não. Há milhares de pessoas que se encaixam nessas categorias e eu não votaria nelas por essas razões. A ministra Dilma é mulher, mas eu não votarei nela. Não votarei nela por outras razões e não pelo fato de ela ser mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voto não é em "pessoa física". Voto é em "pessoa política". Como pessoa política a senadora Marina Silva é, a meu ver, neste momento, a opção mais progressista, mais utópica, mais esperançosa. Votarei na senadora Marina Silva pelas mesmas razões que eu votei duas vezes no candidato Lula - por que a esperança vence o medo, por que um mundo melhor é possível, por que nada será como antes, amanhã. talvez você retruque, com alguma razão, "mas ela representa o novo exatamente por que é mulher, da periferia, evangélica ...". De novo eu responderia: "há milhares de pessoas que se encaixam nessas categorias, mas eu não votaria nelas". Mas é claro que eu reconheço a importância dessas categorizações, a importância da biografia dos candidatos e candidatas. Só que eu também sei que "gente boa" pode ser "político ruim". Ou você ainda pensa que "irmão vota em irmão, por que é irmão e é &lt;i&gt;bão&lt;/i&gt;"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os demais candidatos, pelo menos até agora, representam "mais do mesmo". Em especial, a candidata Dilma, embora o "mesmo" que ela represente seja muito melhor do que o "mesmo" que outros representam. O Brasil precisa menos do mesmo e mais do novo. Mais educação, mais saúde pública, mais saneamento, mais moradias, mais proprietários de terras... Os oito anos lulistas foram um grande avanço e deixaram esta lição: "a esperança vence o medo, vence o &lt;i&gt;mesmo&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senadora irá ganhar? Se ganhar conseguirá governar? Já antecipo muitas das objeções, já estou com raiva das insinuações baseadas nas roupas da senadora, mas pelo menos não se poderá acusá-la de ser "um sapo barbudo". Provavelmente não ganhará. Se ganhasse, não tenho nenhuma garantia de que faria um bom governo (aliás, quem pode oferecer tal tipo de garantia?). E daí? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O voto é uma expressão de esperança. Esperança crítica, sim, mas não menos esperança!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3350149218208974936?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3350149218208974936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/fe-e-eleicoes-votarei-na-candidata.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3350149218208974936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3350149218208974936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/fe-e-eleicoes-votarei-na-candidata.html' title='Fé e eleições - Votarei na candidata Marina Silva ...'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4004340434447795397</id><published>2010-04-22T11:48:00.000-03:00</published><updated>2010-04-22T11:48:04.822-03:00</updated><title type='text'>Fé e eleições</title><content type='html'>Ai ai! Logo logo começarão os infames horários eleitorais nos lembrando de que a campanha em busca de nossos preciosos votos está em pleno vapor. É claro que a campanha já começou faz tempo, só que ela tem outro nome, para que as pessoas que a fazem não precisem ficar pagando multas ou indo para a cadeia (? cadeia para político?).&lt;br /&gt;Voltarei a este tema muitas vezes, é claro. Agora, só um lembrete. A fé não tem nada a ver com a decisão eleitoral!? &lt;br /&gt;Não estou sendo muito radical? Acho que não. A fé não tem nada a ver mesmo com as minhas preferências eleitorais.&lt;br /&gt;Então, fé e política não tem nada a ver uma com a outra? Aí a coisa é outra! Fé e política têm tudo a ver. Por que ambas se dirigem a um projeto de vida futuro, apostam em uma novidade, defendem uma utopia, apostam em um mundo novo (mesmo que seja um novo igual ao mais velho dos velhos...).&lt;br /&gt;Exatamente porque fé e política são tão próximas uma da outra é que a fé não tem nada a ver com a decisão eleitoral - ou pelo menos não deveria ter nada a ver.&lt;br /&gt;Decisão eleitoral não se toma a partir da fé, mas a partir da crítica, a partir do discernimento. Não nos podemos deixar levar pela fé neste ou naquele político, neste ou naquele partido, nesta ou naquela proposta de nova sociedade.&lt;br /&gt;"Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima" (I Co 15,19)&lt;br /&gt;Voltarei ao tema. E você, que acha desta afirmação radical: fé e decisão eleitoral não tem nada a ver?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4004340434447795397?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4004340434447795397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/fe-e-eleicoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4004340434447795397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4004340434447795397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/fe-e-eleicoes.html' title='Fé e eleições'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-968609267548602451</id><published>2010-04-21T00:43:00.000-03:00</published><updated>2010-04-21T00:43:04.174-03:00</updated><title type='text'>Teologia da Violência - 6. A violência Subjetiva</title><content type='html'>[Com este &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; termino a série sobre violência. Esta série é de textos mais técnicos, mais exigentes, e talvez não muito comuns em blogs. Mas acredito na inteligência de quem lê e, afinal de contas, se me deu trabalho para escrever, por que não dar trabalho para ler?]&lt;br /&gt; O ser humano é um ser psicossocial, que define sua identidade a partir dos relacionamentos interpessoais. Essa característica da intersubjetividade está inscrita em cada indivíduo, em cada pessoa. Em linguagem filosófica, a pessoa humana vive na tensão entre ipseidade (viver para si mesmo/completar-se em si mesmo) e alteridade (viver para o outro/completar-se no outro). Essa finitude (interdependência), “ou insustentável leveza do ser”, estrutura todas as relações humanas e pode, por sua abstração, nos ajudar a descrever a violência, não como uma patologia, mas como uma possibilidade inerente à existência psicossocial humana – em concordância com a descrição teológica previamente elaborada.&lt;br /&gt; O esquema dialeticamente tenso da existência humana como ipseidade-alteridade (si-mesmo/outro) nos permite oferecer uma definição tentativa da violência subjetiva: violência subjetiva é a resolução (dissolução) da tensão entre alteridade e ipseidade na pessoa, seja com a concentração no pólo da ipseidade (ser-para-si-mesmo-apenas; ser-contra-o-outro), seja no pólo da alteridade (ser-para-o-outro-apenas; ser-contra-si-mesmo). Resolução (dissolução) esta que, ao final, faz, no pólo da ipseidade, do si-mesmo um outro para si; e, no da alteridade, o outro um si-mesmo – em síntese, neutraliza a diferença e afirma a mesmidade, impedindo-nos, assim, de concretizar a igualdade universal afirmada eticamente pela descrição filosófico-moral da Modernidade ocidental.&lt;br /&gt; Conseqüentemente, ação violenta é aquela que, dissolvida a tensão da pessoalidade, se concretiza como ação estratégica (ego- ou alter-estratégica). Seguindo Habermas, define-se ação estratégica como aquela que se efetua não mediante a comunic-ação (a comunhão das diferenças), mas mediante a domin-ação (a hierarquização das diferenças). Ação estratégica é ação que faz do outro, ou de si mesmo, instrumento para a consecução de fins. A ação ego-estratégica é aquela mediante a qual uma pessoa instrumentaliza outra(s) com vistas a atingir seus próprios propósitos, desconsiderando os propósitos, interesses e possibilidades das pessoas instrumentalizadas. A ação alter-estratégica, por sua vez, é aquela mediante a qual uma pessoa faz de si mesma instrumento para a consecução dos propósitos de outra(s), desconsiderando os seus próprios propósitos, interesses e possibilidades.&lt;br /&gt; Sistêmica e simbolicamente legitimada, a ação estratégica de cada pessoa não é percebida enquanto tal e o sujeito da violência sempre a justifica e culpabiliza um outro, reproduzindo o comportamento adâmico descrito em Gn 2-3. A violência subjetiva é, assim, internalização corporificada da violência objetiva e a retro-alimenta no círculo vicioso sem fim da violência da criatura finita que recusa sua finitude. A violência &lt;i&gt;criminal&lt;/i&gt;, que mais nos assusta hoje em dia, conforme apresentada pela mídia como a irracionalidade dos marginais diante de uma sociedade legalmente estabelecida, não passa de uma das formas de violência e não pode ser entendida como a pior ou como a forma única da violência subjetiva. (É claro que a questão do crime é bastante complexa e também não posso, aqui, oferecer uma discussão adequada do mesmo. Entretanto, sugiro a re-leitura de um antigo texto filosófico que pode,  talvez, nos ajudar a encontrar melhores maneiras de combatê-lo do que meramente “mais polícia e mais cadeia”. O texto é HONNETH, Axel: &lt;i&gt;A Luta pelo Reconhecimento&lt;/i&gt; (Loyola), que relê HEGEL, GEORG F. W. &lt;i&gt;Natural Law&lt;/i&gt;, do início do século XIX.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-968609267548602451?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/968609267548602451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-6-violencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/968609267548602451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/968609267548602451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-6-violencia.html' title='Teologia da Violência - 6. A violência Subjetiva'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2990921385602620355</id><published>2010-04-20T07:12:00.001-03:00</published><updated>2010-04-20T07:13:48.702-03:00</updated><title type='text'>Teologia da Violência - 5. A violência sistêmica</title><content type='html'>A violência sistêmica, por sua vez, é a violência instalada no próprio funcionamento da sociedade e que forma, com a simbólica, um círculo vicioso no qual ambas se retro-alimentam e se justificam. Assim como a violência simbólica se faz passar desapercebidamente, “a violência sistêmica é semelhante à notória ‘matéria negra’ da física: a contraparte de uma violência subjetiva por demais visível. Ela pode ser invisível, mas deve ser levada em consideração se queremos dar sentido ao que, de outro modo, parecem ser explosões ‘irracionais’ de violência subjetiva” (ZIZEK, op. cit., p. 1-2.).  Desde os primeiros grandes teóricos dos Estados modernos, a presença da violência é exorcizada. A teoria do pacto social, por exemplo, envia a violência para o “estado de natureza” e define a sociedade legitimamente ordenada como uma sociedade em que, mediante o pacto, a violência originária é expulsa. Não é possível, aqui, discutir em amplitude esta questão. Remeto aos importantes livros de Charles Taylor, &lt;i&gt;As fontes do Self&lt;/i&gt;, e Jürgen Habermas, &lt;i&gt;Direito e Democracia&lt;/i&gt;, para discussões amplas e profundas do assunto. Para uma descrição bem sintética, pode-se ver, por exemplo, COSTA, Jurandir Freire. “Transcendência e Violência”, disponível no site: http://jfreirecosta.sites.uol.com.br.&lt;br /&gt;A teoria sociológica de Jürgen Habermas é de grande utilidade para descrevermos a violência sistêmica e sua relação com a simbólica. Segundo Habermas, a sociedade se compõe de duas estruturas complementares: o mundo-da-vida e o sistema. O mundo-da-vida é a estrutura simbólica da sociedade – a cultura, as idéias, os valores que dão sentido à vida em comum. O sistema é a estrutura material da sociedade – a economia, o Estado, as instituições científico-tecnológicas e as midiáticas, que asseguram a produção, distribuição e reprodução de bens materiais e simbólicos.&lt;br /&gt;Ao analisar as sociedades modernas, Habermas constata que sua característica fundamental é a de que a macro-estruturação sistêmica coloniza o mundo-da-vida; ou seja, as interações pessoais simbólicas são realizadas de acordo com a lógica sistêmica (estratégia, ganho, dominação impessoal), e não com a lógica mundivital (diálogo, cooperação, intersubjetividade).  Dessa forma, as relações pessoais são transformadas em relações objetuais, as relações são coisificadas e naturalizadas violentamente.&lt;br /&gt;A violência sistêmica, assim, é a estruturação das relações pessoais a partir dos imperativos impessoais do sistema, a subjugação do sujeito à lógica dos meios sistêmicos: o dinheiro, ou o poder, ou a tecnologia, ou a mídia – que se perpetua mediante a “eficácia” do sistema capitalista democrático (cujas crises endêmicas sempre são reduzidas a episódios superficiais). A violência sistêmica, assim, possibilita e é realimentada pela violência simbólica que transfigura a ineficácia sistêmica em eficácia, a injustiça social em legalidade, a opressão em falta de iniciativa ou de capacidade dos oprimidos/excluídos em aproveitarem as oportunidades que o livre mercado oferece.&lt;br /&gt;Podemos complementar a descrição habermasiana com uma contribuição pós-hegeliana: “A regra fundamental de Hegel é que o excesso ‘objetivo’ – o reinado direto da universalidade abstrata que impõe sua lei mecanicamente e com total desconsideração pelo sujeito aprisionado em sua rede – é sempre suplementado pelo excesso ‘subjetivo’ – o exercício arbitrário, irregular do capricho. Um caso exemplar dessa interdependência é fornecido por Balibar, que distingue dois modos opostos mas complementares de violência excessiva: a violência ‘ultra-objetiva’, ou sistêmica, inerente às condições sociais do capitalismo, que envolve a criação ‘automática’ de indivíduos excluídos e dispensáveis – dos sem-teto aos desempregados – e a violência ‘ultra-subjetiva’ dos novos ‘fundamentalismos’ étnicos e/ou religiosos, em síntese, racistas”.  &lt;br /&gt;Conseqüentemente, a violência é endêmica ao sistema capitalista democrático, apesar de todos os esforços acadêmicos e jurídicos em nublar essa característica da articulação social no Ocidente. Os chamados Estados democráticos de direito, embora legalmente legítimos, são estruturalmente violentos, não só nascidos de uma operação violenta de transformação estrutural, mas também promotores de violência policial-militar legalizada e simbolicamente naturalizada. A não-participação política crítica e consciente da cidadania permite que o círculo vicioso da violência simbólico-sistêmica percorra livremente seu curso. Assim sendo, a concretização da democracia e da legalidade dependem da ação comunicativa dos cidadãos, resistindo à dominação sistêmica e enfrentando criticamente a dominação simbólica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2990921385602620355?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2990921385602620355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-5-violencia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2990921385602620355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2990921385602620355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-5-violencia.html' title='Teologia da Violência - 5. A violência sistêmica'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-9025102243359056203</id><published>2010-04-17T14:26:00.002-03:00</published><updated>2010-04-17T14:29:13.287-03:00</updated><title type='text'>teologia da Violência - 4.  A violência simbólica</title><content type='html'>O olhar teológico nos permitiu categorizar a violência como busca da infinitude, como esforço para superação da finitude que nos caracteriza como criaturas, esforço para se tornar deus. Nesse sentido, a violência simbólica é a concretização do &lt;i&gt;logos anthrópou&lt;/i&gt; alienado do &lt;i&gt;logos theoû&lt;/i&gt;, da fala humana ilimitada, indisposta a entrar em diálogo com a fala divina que convida a criatura humana a falar-em-Seu-nome, indisposta a entrar em comunicação com o próximo humano na construção de uma vida sócio-cultural não-violenta. Violência que também pode ser descrita na linguagem crua de Tg 3,8: “mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal”.&lt;br /&gt;Usando terminologia metafórica, Pierre Bourdieu, um dos principais analistas da violência simbólica, fala da mesma como uma alquimia, derivada da hipocrisia estrutural instalada nas relações sociais, mediante a qual a sociedade honra “aqueles que a honram aparentando recusar a lei do interesse egoísta. O que se exige não é que façamos inteiramente o que é necessário, mas sim que, pelo menos, mostremos sinais de que nos esforçamos por fazê-lo” (BOURDIEU, Pierre. &lt;i&gt;Razões Práticas&lt;/i&gt;. Campinas: Contexto, 1990, p. 171).  Mediante a violência simbólica, a violência sistêmica é legitimada e a violência dos detentores dos poderes sistêmicos é justificada e exorcizada, transformada em legalidade e estado de direito. Podemos comparar essa hipocrisia social com a hipocrisia religiosa denunciada no final do Sermão do Monte: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7,21-23ss).&lt;br /&gt;Para Bourdieu, o “exemplo mais interessante dessa espécie de alquimia simbólica seria a transfiguração das relações de dominação e de exploração” (idem, p. 173).  Na economia das trocas simbólicas, se pressupõe uma confluência de conhecimentos e reconhecimentos, de modo que “para que uma troca simbólica funcione, é preciso que ambas as partes tenham categorias de percepção e avaliação idênticas. Isso vale também para os atos de dominação simbólica que ... são exercidos com a cumplicidade objetiva dos dominados, na medida em que, para que tal forma de dominação se instaure, é preciso que o dominado aplique aos atos do dominante (e a todo seu ser) estruturas de percepção que sejam as mesmas que as que o dominante utiliza para produzir tais atos” (idem, p. 174).   &lt;br /&gt;Dessa maneira, a violência simbólica se apóia num reconhecimento que é, de fato, desconhecimento, dos fundamentos a partir da qual ela é exercida. Exemplos de violência simbólica (no tipo da dominação) em nossas sociedades ocidentais são: a dominação masculina, o paternalismo, a relação entre irmãos mais velhos e mais moços, o racismo, etc. “Para que a alquimia funcione, como na troca de dádivas, é preciso que seja sustentada por toda a estrutura social, logo, pelas estruturas mentais e disposições produzidas por essa estrutura social; é preciso que haja um mercado para as ações simbólicas conformes, que haja recompensas, lucros simbólicos, com freqüência conversíveis em lucros materiais, que se possa ter interesse pelo desinteresse” (idem, p. 175)  – em termos neotestamentários, é necessário um mundo cegado por um falso deus (II Co 4,4).&lt;br /&gt;“Um dos efeitos da violência simbólica é a transfiguração das relações de dominação e de submissão em relações afetivas, a transformação do poder em carisma ou em encanto adequado a suscitar um encantamento afetivo. O reconhecimento da dívida torna-se reconhecimento, sentimento duradouro em relação ao autor do ato generoso, que pode chegar à afeição, ao amor, como vemos com particular clareza nas relações entre gerações. A alquimia simbólica, tal como acabo de descrevê-la, produz, em proveito daquele que cumpre com esses atos de eufemismo, de transfiguração, de conformação, um capital de reconhecimento que lhe permite ter efeitos simbólicos. É o que chamo de capital simbólico, atribuindo assim um sentido rigoroso ao que Max Weber designava pela palavra carisma” (idem, p. 176).  &lt;br /&gt;Se olharmos para a formação sócio-cultural brasileira, veremos que esse tipo de dominação transfigurada emotivamente constitui o modo predominante do exercício do poder em nossa sociedade até o presente. Na sociedade brasileira o poder é exercido de forma autoritária em todas as suas instâncias, desde a relação familiar até a relação Estado-cidadão – entretanto esse autoritarismo é simbolicamente transfigurado na relação paterno-familiar, de modo que as pessoas dominadas não reconheçam a dominação nas relações. E mesmo no ambiente eclesiástico esse tipo de relação de poder é predominante, ao ponto que somente pastores(as) carismáticos (no sentido weberiano) são reconhecidos como verdadeiros líderes, como pessoas “com unção”.&lt;br /&gt;A violência simbólica é fruto da estruturação social e lingüística no decorrer da história, de modo que os sujeitos sociais não a percebam como construção humana, mas a vejam como natural, algo que não pode ser evitado. “Para que o ato simbólico tenha, sem gasto visível de energia, essa espécie de eficácia mágica, é preciso que um trabalho anterior, freqüentemente invisível e, em todo caso, esquecido, recalcado, tenha produzido, naqueles submetidos ao ato de imposição, de injunção, as disposições necessárias para que eles tenham a sensação de ter de obedecer sem sequer se colocar a questão da obediência. A violência simbólica é essa violência que extorque submissões que sequer são percebidas como tais, apoiando-se em ‘expectativas coletivas’, em crenças socialmente inculcadas. [...] A crença de que falo não é uma crença explícita, colocada explicitamente como tal em relação à possibilidade de uma não-crença, mas uma adesão imediata, uma submissão dóxica às injunções do mundo, obtida quando as estruturas mentais daquele a quem se dirige a injunção estão de acordo com as estruturas envolvidas a injunção que lhe é dirigida” (idem, p. 177).  &lt;br /&gt;Em síntese, a violência simbólica é a estrutura-estruturante da fala humana em sociedade e na história, mediante a qual a violência sistêmica é legitimada e naturalizada e a violência subjetiva é racionalizada como falha individual, patologia de grupos sociais marginalizados, atrasados, culturalmente inferiores e, assim, politicamente incapazes de conviver de forma não predominantemente violenta. Uma das conseqüências perversas da violência simbólica é a qualificação do senso crítico como rebeldia ou como teoria inútil, vendendo a velha e falsa dicotomia teoria-prática em uma nova linguagem - o que dá certo &lt;i&gt;versus &lt;/i&gt;o que não dá certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-9025102243359056203?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/9025102243359056203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-4-violencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9025102243359056203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9025102243359056203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-4-violencia.html' title='teologia da Violência - 4.  A violência simbólica'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-6681940172460762631</id><published>2010-04-15T09:19:00.000-03:00</published><updated>2010-04-15T09:19:29.241-03:00</updated><title type='text'>Teologia da violência - 3. Deus mesmo se submete à violência</title><content type='html'>Os capítulos iniciais e fundantes do Gênesis definem o tom dos relatos posteriores sobre a fé em Deus. Fé marcada pela ambivalência e finitude, a ponto de que os próprios israelitas, outrora vítimas da violência faraônica, construirão uma religião na qual seu Deus é um Deus guerreiro, vingador, marcado pela duplicidade e ambivalência, favorecedor de um reino em detrimento de outros – a teologia das cortes israelita e judaíta. Religião oficial permanentemente contestada por profetas (desde Elias e Eliseu em Israel, até os profetas escritores de Judá), denominada como idolatria e injustiça, ruptura da aliança com o Deus que libertara os hebreus do Egito (libertação marcada, ela também, pela ambigüidade da violência contra os egípcios).&lt;br /&gt; Essa longa e estranha história da violência divina só pode ser entendida a partir de seu desfecho: a morte do Filho de Deus enquanto sentença de morte contra a morte, juízo final sobre toda religião que imputa a Deus violência e justifica sua própria violência pela violência divina. Não podemos deixar de notar, entretanto, o quanto o evento-salvífico de Deus em Cristo é, ele mesmo, prenhe de violência, em que Deus mesmo é autor-vítima: (a) a violenta auto-negação do Filho na encarnação, um esvaziamento de sua condição divina para a condição humana de escravidão; (b) a violenta carreira terrestre do filho Jesus, em sua crítica radical à religião oficial de seu povo, climaxizando na violenta purificação do Templo e na violenta lição sobre o discernimento dos tempos (maldição da figueira); (c) o violento fim do Filho mediante a morte de cruz, passando pelo violento processo e ordálio, desembocando na livre aceitação, pelo Filho, da morte determinada pelo Pai.&lt;br /&gt; Morte que é, paradoxalmente, desfecho de uma história da solidariedade de Deus com a vítima, história da infinita e inambígua fidelidade de Deus para com sua criação - do Deus que penetra na economia da violência para lhe tirar o sentido e a força e revelar sua face cruel e assustadora. Morte cujo sentido é multi-dimensional, como expressão da multi-dimensionalidade da superação divina da violência.&lt;br /&gt; (1) Morte da violência sistêmico-simbólica, subjetivo-objetiva. A segunda parte do hino cristológico em Colossenses (v. 18-20) sintetiza a multidimensionalidade da vitória de Cristo sobre a violência. Ele é o primogênito dentre os mortos – por um lado, Jesus é o que vence a morte, pois é o primeiro a ressurgir para nunca mais morrer; por outro, Jesus assume a primogenitura temporal da morte, concretizando, historicamente, sua condição de primeira vítima da violência, visto que é o cordeiro de Deus eleito e crucificado antes da fundação dos séculos (1Pe 1,19-20; Ef 1,3ss). A novidade da interpretação cristológico-messiânica da criação-libertação é a imputação da violência contra o próprio Deus para antes da criação, indicando a vitória de Deus sobre a violência ainda antes dela existir – paradoxal afirmação da violência divina auto-infligida que elimina o poder da violência criatural. O ato subjetivo anterior ao tempo da violência divina rompe a circularidade infinita das dimensões subjetiva e objetiva da violência humana no tempo. &lt;br /&gt; Morrendo na cruz pelos inimigos de Deus e, assim, trazendo a paz, Jesus morre a morte que despoja a violência sistêmico-simbólica de seu poder, no despojar dos principados e potestades (cf. Cl 2,15). Sistêmica, na medida em que o Império Romano trazia paz mediante a morte dos inimigos, mediante a conquista do território do outro, mediante a subjugação do outro ao seu poderio militar. Simbólica, na medida em que a &lt;i&gt;pax romana&lt;/i&gt; era o logos legitimador da violência sistêmica, naturalizando a diferença sócio-cultural, fazendo do não-romano um ser inferior ao romano, sem paz, ou seja, marcado pela violência e, por isso, não vítima da violência militar romana, mas réu condenado e penalizado pela justitia romana.&lt;br /&gt; (2) Morte da justificada violência legal da solidão cainita, pois Deus sofre conosco a violência, sofre-a como irmão-Abel (Hb 2,9-18), não mais como marca distante. Em Cristo, Deus assume a condição humana de praticante-vítima da violência e não só rompe o poderoso círculo vicioso da violência, como também rompe o poderoso efeito traumático do sobrevivente da vítima mortal da violência que sofre a solidão da perda, assim como derrota o traumático poder da internalização da violência sofrida pela pessoa que sobrevive à violência que lhe fora infligida.&lt;br /&gt; Enquanto a marca protegia Caim da violência de outros, não permitia a Caim superar a culpa e o medo – efeitos internalizados do ato violento que cometera. A solidariedade de Cristo, assumindo integralmente nossa carne ao ponto de morrer, despoja também o poder da violência internalizada: a violência “interna, ou internalizada, refere-se à violência que assaltou a pessoa de fora e, então, tornou-se embebida dentro de seu corpo, mente e alma” (HESS, Cynthia. Sites of violence, sites of grace: Christian nonviolence and the traumatized self. Lanham: Lexington Books, 2009, p. 25).  Em sua vida, morte e ressurreição terrenas, Jesus corporifica e exemplifica a práxis não-violenta a que todo ser humano é chamado para destruir o círculo sem fim da violência e, simultaneamente, indica as fontes humanas de força interna para vencer a violência – na companhia de Deus, como parceiro do Deus da vida e paz.&lt;br /&gt;  (3) Morte da violência da religião metafísica/infinita&lt;br /&gt; Enfim, como bem percebeu um pensador não-cristão, “a morte de Cristo na cruz certamente significa que devemos, sem reservas, abandonar a noção de Deus como um cuidador transcendente que garante o final feliz de nossos atos, i.e., que garante a teleologia da história. A morte de Cristo na cruz é, em si mesma, a morte desse Deus protetor. É uma repetição do lugar de Jó: recusa qualquer ‘significado mais profundo’ que possa encobrir a realidade brutal das catástrofes históricas” (ZIZEK, Slavoj. Violence. Six Sideways Reflections. Nova Iorque: Picador, 2008, p. 180s).  &lt;br /&gt; Após séculos de casamento entre a teologia cristã e a metafísica grega, devemos nos libertar desse último elo da cadeia infinita da violência – a própria fé cristã que, violentamente, se subjuga a um modo de pensar que lhe é contrário e, assim, tornou-se parte do círculo vicioso da violência. O pensamento metafísico (Habermas), ou forte (Vattimo), ou ontoteológico (Heidegger) aprisionou a teologia cristã à cadeia sem fim da violência simbólico-sistêmica. Ao reduzir a teologia cristã a mera ciência e pensamento unificador, o modo ontoteológico de falar de Deus e de vivenciar a fé afastou-se do modo de pensar libertador da Escritura. Ao invés de encontrar na práxis amorosa o caminho para a superação da violência em todas as suas dimensões, buscou-o na prática cognitiva, recusando o diagnóstico paulino: “Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça” (Rm 1,18).  &lt;br /&gt; Afastamento que revela a contínua incapacidade humana de lidar com a finitude e a ambivalência, tentando fazer de Deus o bode-expiatório de nossa adesão à violência como pretensa solução de nossa finitude. Afastamento que confirma a nossa incapacidade de aceitar a loucura e o escândalo da cruz (1Co 1,18-31), incapacidade que, mesmo fora do arraial, pode ser percebida na contemplação do Crucificado:  “esse homem-Deus se envolve plenamente com o mundo, morre. Nós, seres humanos, ficamos sem nenhum poder superior vigiando sobre nós, ficamos apenas com o terrível peso da liberdade e da responsabilidade pelo destino da criação divina e, assim, pelo do próprio Deus” (Zizek, Idem, p. 184s).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-6681940172460762631?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/6681940172460762631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-3-deus-mesmo-se.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6681940172460762631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6681940172460762631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-3-deus-mesmo-se.html' title='Teologia da violência - 3. Deus mesmo se submete à violência'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3878890335719836203</id><published>2010-04-14T07:45:00.000-03:00</published><updated>2010-04-14T07:45:43.475-03:00</updated><title type='text'>Teologia da Violência - 2. Religião, cultura e violência (Gn 4-9)</title><content type='html'>Violência que se perpetua, posto que o primeiro relato após a expulsão do Éden tematiza o assassinato de Abel (vazio/nada/vento) por seu irmão Caim (ferro/lança): Gn 4,1-16. Segundo o relato textual, Caim fica frustrado e irado porque Deus rejeita sua oferta sacrificial – Caim não consegue “agradar” a Deus (4,5) e não consegue entender porque Deus não se agradou de sua oferta, impedindo-o de consumar seu religioso desejo de satisfazer ao Pai (4,6-7). Oferta rejeitada sem qualquer explicação – violenta recusa de receber a adoração cainita.&lt;br /&gt; A ira de Caim, dirigida contra Deus, é desviada para o frágil Abel, bode expiatório dessa divindade arbitrária e incompreensível - Deus irrazoável, Enunciador de um não, sem razão, ao adorador agradecido. Após matar Abel, interpelado novamente por Deus, Caim tenta se inocentar. Inventa um álibi para tentar encobrir a falta de solidariedade e o amor a seu irmão (4,9) – dando razão (racionalidade) ao ato mortal que recém cometera – embora ocultando a verdadeira razão do assassinato.&lt;br /&gt; Deus julga e condena Caim, e exerce contra ele violência legalmente justificada (retribuição ao clamor do sangue) – sentença, porém, que não obedece ao padrão “olho por olho, dente por dente”, posto que não mata Caim, mas permite que ele continue vivo e seja entregue à sua própria falta de solidariedade (4,10-12). Apavorado, Caim clama, pois teme ser vítima do mesmo tipo de violência que cometeu. Deus ouve o clamor do assassino e o protege da violenta vingança (4,13-16; cp. Pv 20,22), e Caim passa a viver longe da presença de Deus, mas marcado pela ausente presença protetora de Deus: “O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse” (4,15).&lt;br /&gt; O relato da descendência de Caim e do nascimento da civilização urbana (Gn 4,17-24) é marcado pela ambivalência: família e vizinhos são necessários para viver bem (4,17-22), mas também são ameaçadores. A cidade se torna o lugar da violência contra o próximo. A cultura se torna a justificativa da violência contra o próximo – negando-o como próximo e instaurando o círculo vicioso da violência-vingança-violência: “Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e sete vezes” (4,23s)! Assim como a religião, cultura e civilização são fontes de violência, têm a violência incrustada em seu modo de existir. &lt;br /&gt; O relato do dilúvio (caps. 6-9) tematiza a perpetuação da violência e sua escalada quase infinita. Nos v 1-4 o texto inicia o relato de forma enigmática: filhos de Deus se apaixonam por filhas dos homens e as tomam em casamento – obrigando Deus a emitir uma sentença de morte sobre a humanidade: “Então disse o Senhor: O meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porquanto ele é carne, mas os seus dias serão cento e vinte anos” (v. 3 – cf. a genealogia do cap. 5, com a duração quase milenar da vida antediluviana). Mas. Já não havia Deus estabelecido a sentença de morte quando da expulsão do jardim? Já não haviam morrido as pessoas antediluvianas, ainda que após centenas de anos de vida?&lt;br /&gt; Após a introdução, o texto destaca o olhar de Deus: “Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente” (v. 5) e “Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (v. 12). Entre essas declarações da visão de Deus, reforçando o que fora contemplado, o texto afirma: “A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência” (v. 11). Literariamente, os v. 5-11 formam uma unidade textual cujo tema é a violência, enquanto o v. 12 inicia uma nova unidade textual, com vocabulário extraído da unidade anterior (o v. 12, note, repete a explicação do v. 11).&lt;br /&gt; Deus, arrependido de ter criado o ser humano, decide destruí-lo de sobre a face da terra, juntamente com tudo o mais que existia, mediante um dilúvio. Entretanto, faz aliança com uma família e lhe ordena que construísse uma arca para se salvar e salvar a população animal. Ao final do relato do dilúvio, Deus avalia sua própria sentença judicial: “Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer. Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (8,21-22). A maldade do homem, reconsidera Deus, não pode ser paga por toda a criação e, como o ser humano é o representante de Deus para administrar a criação, por amor à criação Deus decide suspender a sentença de morte.&lt;br /&gt; Escandalosamente, o relato do Dilúvio introduz a ambivalência no próprio Deus – arrepende-se, pune, mitiga a punição mediante aliança, arrepende-se de ter punido, promete não mais punir com morte. Ambivalência que é resposta à ambivalência do humano, cuja inteligência é má desde a meninice – violência instalada no âmago do ser humano: o desejo e o pensamento do seu coração. O próprio relato da nova aliança de Deus com Noé e seus descendentes, em benefício de toda a terra, é eivado de violência (a maldição se instala na própria família de Noé) e marcado pela advertência divina de que todo assassinato será objeto da retribuição penal.&lt;br /&gt; Nestes capítulos 4-9 de Gênesis, a violência é apresentada como fruto da incapacidade humana de lidar com sua finitude diante de Deus (criaturidade e morte) e de sua responsabilidade perante o próximo (amor e solidariedade), incapacidade inscrita no coração do ser humano, cujos pensamentos e desejos são permanentemente maus e corruptos - violentos. A ambivalência, assim, define o tom da religião, civilização e cultura: são, simultaneamente, busca de vida e tempo-espaço da violência. Por isso, o texto que relata o pecado originante o define como “querer ser igual a Deus”, o que permitiria ao ser humano a infinitude e não-ambivalência. Engano terrível, porém, pois o infinito Deus violenta a Si mesmo para superar a própria infinitude e não-ambivalência na criação do outro.&lt;br /&gt; Diante de sua finitude e responsabilidade, o ser humano se torna violento e oculta sua violência mediante a religião, a civilização e a cultura. A violência está instalada em mim, em você, na sociedade, na cultura – enfim, em todas as realizações humanas, percepção que, embora fundada em outras fontes, é defendida por vários estudiosos da vida humana em sociedade, e nomeia as diferentes dimensões da violência = estrutural e sistêmica (embutida nos arranjos econômicos e políticos), simbólica (embutida nos arranjos linguageiros, culturais e científicos) – daí, violência objetiva – e violência subjetiva (a praticada por sujeitos específicos). Ou, como afirmara o filósofo crítico: “todo monumento de cultura é também monumento de barbárie” (W. Benjamin).&lt;br /&gt; Talvez um filósofo judeu-europeu possa nos ajudar a sintetizar este drama teológico da violência: “Levinas nos convida a considerar um relato não-sentimental e desestabilizador da intriga e do drama da responsabilidade e testemunho que ele provoca. Em sua forma mais transtornadora, a violência não se dirige apenas contra a face do outro, contra uma face que é humana; ela também, como enfatiza Jean-Luc Nancy, ‘se origina de uma face sobre a qual a iniqüidade pode, ocasionalmente, ser lida como a devastação dessa mesma face’. Mesmo além desta distinção entre bem e mal, outra violência – a violência de um outro outro – espreita”. (VRIES, Hent de. Religion and violence: philosophical perspectives from Kant to Derrida. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 2002, p. 133.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3878890335719836203?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3878890335719836203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-2-religiao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3878890335719836203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3878890335719836203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-2-religiao.html' title='Teologia da Violência - 2. Religião, cultura e violência (Gn 4-9)'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2120331362933817956</id><published>2010-04-13T13:46:00.001-03:00</published><updated>2010-04-13T13:46:43.557-03:00</updated><title type='text'>Teologia da Violência - 1. Criação e violência (Gn 1-3)</title><content type='html'>A primeira tentação que devemos superar em um estudo bíblico sobre a violência é a de excluir Deus do âmbito da violência. Péssima estratégia, posto que o Deus testemunhado no Antigo Testamento destruiu a humanidade em um dilúvio, libertou os hebreus do Egito pela força de seu poder, culminando na mortandade dos primogênitos egípcios, ordenou a seu povo que exterminasse cananeus, é chamado de Senhor dos Exércitos que guerreia as guerras dos reinos de Judá e Israel. Igualmente péssima é focalizar a violência da divindade nesses episódios e desconstruí-los mediante uma releitura neotestamentária, ou retirar sua força descomunal mediante conceitos tais como o da revelação progressiva, ou o da acomodação divina. Se quisermos entender a relação entre Deus e a violência na Escritura precisaremos dirigir nossa atenção a textos aparentemente irrelevantes ao tema.&lt;br /&gt;Podemos começar no princípio. Inusitadamente óbvia esta escolha. O relato poético da criação em Gn 1,1-2,4ª é excelente ponto de partida para o estudo da violência na Bíblia. O amoroso ato criador de Deus desvela um ato de violência contra o próprio Deus que cria um outro para Si, outro esse que “no princípio” era pura violência – “e a terra era sem forma e vazia, com um vento forte (ou o Espírito de Deus) retendo as águas abissais”. O ato criador de Deus nos convoca a uma reflexão prenhe de paradoxos, de antinomias, de contradições. Como o ato de criar pode ser descrito como um ato violento? Deus faz violência contra si mesmo? Violência e Deus não são realidades incompatíveis entre si? Não será violência teológica ler os primeiros versos da Bíblia como expressão de uma divina violência contra si mesmo? Talvez a única resposta correta seja “Sim!”. Mas talvez seja este o único caminho viável para começarmos a compreender a violência que domina o mundo contemporâneo – o caminho do paradoxo impensável de unir em uma mesma sentença Deus e violência.&lt;br /&gt;Violência que se desdobra contra o outro caoticamente violento, ordenando-o violentamente, estabelecendo-lhe com autoridade suprema um ritmo, uma forte harmonia, agudas diferenciações (luz e trevas, terra e mar, etc.), parcerias não-democraticamente estabelecidas (águas e terra têm de participar da criação gerando seres viventes, animais recebendo a bênção de reproduzir a vida e encher a terra, bênção para o ser humano) em que Adam (macho e fêmea), como representantes do Criador, enchendo a terra, dominará (sic)  o não-adam – profusão de violências tal que os atos criadores desse novo mundo não-mais-caótico, pleno de ritmo e harmonia, culminam em um descanso, uma cess-ação da violência criadora. &lt;br /&gt;Violência que se aprofunda no segundo relato da criação quando, após o adam-macho descobrir sua solidão, Deus, sem o consentimento informado do paciente, o anestesia e opera, retirando-lhe parte do corpo para destruir a sua solidão: um novo ser-corpo “à sua altura”, uma adam-fêmea, para viver-lhe “lado-a-lado”, inaugurando uma relação violenta chamada amor - que fere lancinantemente, posto que é “mais forte do que a morte” (Ct 8,6). Fim da solidão de adam-macho, mas cenário para o ato violentamente anti-ético da Queda(?) e suas não menos violentas conseqüências – mentira, dolo, culpabilização do outro, emudecimento da serpente (aliás, o que aconteceu com a serpente falante do jardim edênico?), suor, parto, dominação, exílio. &lt;br /&gt;Estranha violência essa à qual atribuímos Deus como sujeito – uma violência que gera vida pluriforme, que cria alteridade, que possibilita criatividade, inter-subjetividade, que estabelece como parceiros o Criador e a criatura, que cria amor, inteligência, responsabilidade, que faz de adam (macho e fêmea) corresponsável pelo cultivo e guarda do Jardim e logo após faça de adam-casal exilados do Jardim do Éden – violento paraíso sem-violência – e que encarrega querubins e uma espada flamejante para proteger/impedir o expulso casal-adam de voltar ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2120331362933817956?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2120331362933817956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-criacao-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2120331362933817956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2120331362933817956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-da-violencia-criacao-e.html' title='Teologia da Violência - 1. Criação e violência (Gn 1-3)'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-1422414942517283853</id><published>2010-04-11T07:37:00.000-03:00</published><updated>2010-04-11T07:37:03.366-03:00</updated><title type='text'>Teologia em trânsito</title><content type='html'>Ontem fiquei o dia todo em sala de aula, estudando pós-modernidade e religião com um grupo de lato sensu. Daí não postei nada, deixei para hoje, com as idéias mais soltas. Acordei me lembrando do trânsito. Vou de ônibus diariamente à faculdade, são quarenta minutos de passeio, dentre os quais 3 minutos atravessando a terceira ponte, com uma vista magnífica do oceano atlântico. Gosto de fazer teologia em trânsito. Leio e fico pensando em elucubrações teológicas. Ao mesmo tempo, observo o jeito do trânsito. E isso me faz pensar em teologia e vida.&lt;br /&gt;Se há uma boa razão para crermos em Deus é que Ele é o criador e sustentador da vida. E como ele nos fez à sua imagem, deveríamos também apreciar a vida e sustentá-la. Mas não é isso o que ocorre no trânsito. Barbeiragens, brincadeiras, celulares, dvds, desrespeito às regras básicas.&lt;br /&gt;Lei não é boa, não salva, não serve para tornar a gente feliz. Mas há certas leis que nos ajudam - as do trânsito estão entre elas. Regras básicas para a convivência no espaço público ser saudável e não ameaçar a vida de ninguém. No entanto, dados estatísticos indicam que no Brasil morrem cerca de 50.000 pessoas e 350.000 ficam feridas anualmente no trânsito - e ele é a primeira causa da morte de jovens do sexo masculino.&lt;br /&gt;Fiquei pensando em quantos sermões ouvi sobre trânsito. Nenhum, em quase quarenta anos de igreja. Pensei em quantos preguei. Nenhum, em vários pastorados!&lt;br /&gt;É mais do que hora de retificarmos essa negligência. Por amor ao deus da vida, e por amor a quem deus ama, façamos do trânsito um tema da teologia e da prédica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teologia, em trânsito!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-1422414942517283853?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/1422414942517283853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-em-transito.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1422414942517283853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1422414942517283853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-em-transito.html' title='Teologia em trânsito'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3667563159360410502</id><published>2010-04-09T15:08:00.001-03:00</published><updated>2010-04-09T15:11:10.537-03:00</updated><title type='text'>Ser espiritual - comprometimento</title><content type='html'>Para concluir um sermãozinho de três pontos, a espiritualidade se caracteriza pelo &lt;b&gt;comprometimento&lt;/b&gt; da pessoa com o projeto de Deus. Comprometimento, ou compromisso, é uma promessa coletiva, feita em comunhão, em comunidade. A espiritualidade cristã não é uma questão de obrigação, mas de co-promessa. Prometemos com Deus que seremos semelhantes a Ele, asism como Ele prometeu que seria semelhante a nós ("em tudo, exceto no pecado" diz o autor de Hebreus), o que fez, habitando entre nós na pessoa do Messias Jesus, e em nós, na pessoa do Espírito Santo.&lt;br /&gt;Comprometimento só funciona quando há &lt;i&gt;fidelidade&lt;/i&gt;, pois não há obrigações legais, comandos hierárquicos ou recompensas e castigos que possam fazer valer uma promessa. Na promessa, o que vale é o caráter da pessoa que promete. É o valor interno que dá valor externo à promessa. Ao contrário, no caso da obrigação é o comando externo que dá valor ao que se deve fazer - não entra em jogo, então, o caráter da pessoa. Pessoas infiéis cumprem suas obrigações por que sabem que precisam da reciprocidade e da recompensa que o cumprimento de obrigações possibilita na vida social. Pessoas infiéis, porém, não cumprem promessas, posto que estas não lhes darão qualquer recompensa (um interessante filme, "O Mentiroso", protagonizado por Jim Carey, mostra um exemplo do que estou falando a respeito de caráter e cumprimento de promessas).&lt;br /&gt;Ser espiritual é ser comprometido, independentemente do "retorno" que possamos obter. Não somos espirituais para sermos salvos, abençoados, ungidos, etc. É porque já fomos libertados, santificados, perdoados, abençoados, que nos comprometemos com o projeto de Deus de salvar toda a Criação, mediante a parceria com o Deus salvador. Na linguagem mais tradicional da devoção, ser espiritual é ser grato, pois nascemos da graça de Deus. Graça-gratidão. Espírito-espiritualidade. Precisa mais?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3667563159360410502?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3667563159360410502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/ser-espiritual-comprometimento.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3667563159360410502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3667563159360410502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/ser-espiritual-comprometimento.html' title='Ser espiritual - comprometimento'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-805954100497828517</id><published>2010-04-08T13:58:00.000-03:00</published><updated>2010-04-08T13:58:13.926-03:00</updated><title type='text'>Ser espiritual - discernimento</title><content type='html'>Outro eixo da espiritualidade cristã é o do &lt;b&gt;discernimento&lt;/b&gt;. A pessoa desprendida, espiritual, segundo Paulo "discerne todas as coisas e não é discernida por ninguém" (I Co 2,15). No contexto da carta, Paulo está se referindo ao fato de que as pessoas que não conhecem a Cristo não conseguem enxergar a vida com os olhos messiânicos, apenas com os olhos carnais, sem a intermediação do Espírito Santo.&lt;br /&gt;Discernir é a capacidade de entender criticamente a realidade. A pessoa espiritual desenvolve uma compreensão crítica da vida que é derivada da sua comunhão com o Messias Jesus. A gente aprende a ver a vida com os olhos de Jesus - ou seja, com olhos de compaixão, esperança, justiça, fidelidade.&lt;br /&gt;Ser espiritual é viver o discernimento e, conseqüentemente, fazer teologia é um ato de espiritualidade. Discernimento leva a bons conceitos, boas idéias, bons textos e, principalmente, a boas obras.&lt;br /&gt;Por isso, ser espiritual, hoje em dia, mais do que nunca, é andar na contramão, e nadar contra a corrente. Na sociedade de informação, quanto menos discernimento melhor. Mais a pessoa fica escravizada ao consumo e aos padrões consumistas de vida. Assim, só pessoa desprendida consegue discernir e só quem discerne consegue viver desprendidamente. &lt;br /&gt;Círculo virtuoso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-805954100497828517?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/805954100497828517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/ser-espiritual-discernimento.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/805954100497828517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/805954100497828517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/ser-espiritual-discernimento.html' title='Ser espiritual - discernimento'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2583339861395514771</id><published>2010-04-07T17:06:00.001-03:00</published><updated>2010-04-07T17:08:30.001-03:00</updated><title type='text'>Teologia Narrativa - começando a conversa</title><content type='html'>O Isaías deixou um comentário sobre teologia narrativa, tema de seu interesse. Nesse comentário cita Frei e Hauerwas, que afirma o caráter narrativo do jeito do ser humano pontuar a sua vida no mundo. Até aí, tudo bem. De fato, para dar sentido à vida pessoal e social, a maioria de nós constrói (conscientemente ou não) narrativas, mediante as quais damos ordem ao caos que é a vida. A partir dessa noção, tem se falado muito e praticado também terapias narrativas, pedagogias narrativas em situações multiculturais e lutas por reconhecimento mediante a narrativa de identidades.&lt;br /&gt;O pouco que tenho lido sobre teologia narrativa me faz, porém, levantar uma questão. Não é porque narrativizamos a identidade que a teologia precisa ser apresentada em um gênero textual narrativo. A crítica que teólogos narrativos fazem à teologia conceitual é, na maior parte das vezes, legítima. Muita teologia acadêmica e eclesiástica se reduziu a mero sistema conceitual, apologético, frio, sem vida. Isso não quer dizer, porém, que o gênero textual acadêmico-contextual só consiga produzir relatos sem-vida.&lt;br /&gt;Em semiótica o termo narrativa tem dois sentidos distintos. O primeiro, já mencionado, é o do gênero textual narrativo - com suas várias formas: conto, novela, relato, crônica, romance, história, etc. O segundo, mais profundo e mais interessante do que o primeiro, afirma que narrativa é uma estrutura básica do pensar e produzir sentido que gira ao redor de uma transformação. Um estado inicial é modificado para chegar a um estado final. O estado a que a semiótica se refere é o de junção entre um sujeito e um objeto-valor. A junção se desdobra em conjunção e disjunção. A narrativa é a passagem de uma conjunção para uma disjunção e vice-versa.&lt;br /&gt;Esse modelito simples da narratividade tenta dar conta de uma realidade complexa. Para darmos sentido à vida, buscamos a junção com certos valores (objeto-valor). Ou seja, tentamos a conjunção com aquilo que desejamos e a disjunção em relação ao que desprezamos. Nesse sentido, todo e qualquer gênero textual se baseia em uma narratividade prévia.&lt;br /&gt;Se formos por aí, uma teologia narrativa não precisa ser apenas teologia em gêneros textuais narrativos. Pode ser também teologia em gêneros não-narrativos que gire ao redor da &lt;i&gt;narratividade&lt;/i&gt;, ou seja, das transformações que dão dinâmica e sentido à vida humana e à relação de deus com a sua criação.&lt;br /&gt;Agora, a bola volta para o Isaías, e para quem quiser arremessar ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2583339861395514771?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2583339861395514771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-narrativa-comecando-conversa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2583339861395514771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2583339861395514771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/teologia-narrativa-comecando-conversa.html' title='Teologia Narrativa - começando a conversa'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-1637669929152069102</id><published>2010-04-07T08:08:00.001-03:00</published><updated>2010-04-07T08:09:18.903-03:00</updated><title type='text'>Ser espiritual - continuação</title><content type='html'>A espiritualidade cristã tem tudo a ver com desprendimento. É seu ponto de partida e, talvez, também o de chegada: "para a liberdade o Messias nos libertou". Quem é desprendido não ama o mundo nem o que nele há (I João 2,15-17) - em termos bem contemporâneos - não ama o sistema capitalista e seu deus Mamom, chamado de Mercado; não ama o sistema político e seu deus Poder, chamado de Democracia; não ama o sistema tecnológico e seu deus Conhecimento, chamado de Ciência; não ama o sistema midiático e seu deus-ídolo Prestígio, chamado de Audiência. Quem é desprendido não ama a sim mesmo além do que merece amar, apenas ama a si mesmo com o mesmo amor com que ama o próximo, mas com menor amor do que o amor com que ama a Deus, pois só amando a Deus acima de todo amor próprio é que se consegue viver desprendidamente.&lt;br /&gt;A espiritualidade cristã tem, então, tudo a ver com o corpo, a matéria, o aqui-agora. A materialidade do mundo e da gente é tão espiritual que dela não nos conseguimos desprender e dela fabricamos ídolos. Século XXI d.C., sim, mas continuamos tão primitivos quanto as hordas selvagens e totêmicas que cientistas modernos da psiquë consideravam sub-humanos, ops, sub-desenvolvidos. A materialidade mundana é tão espiritual que a teologia mais popular é a do deus-dinheiro-prosperidade. &lt;br /&gt;Não, o problema não é a materialidade. O problema são os nossos valores. A matéria é espiritual, sim, pois se origina do sopro divino, tão espiritual que até se diz dele que é imaterial - que baita contra-senso. O problema não é o materialismo, mas a espiritualização do materialismo. O problema é que nossas idéias, fora do lugar, não sabem colocar a matéria no seu devido lugar.&lt;br /&gt;Ser espiritual é ser corpóreo, frágil, mortal. De novo: Vento-Nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-1637669929152069102?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/1637669929152069102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/ser-espiritual-continuacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1637669929152069102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/1637669929152069102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/ser-espiritual-continuacao.html' title='Ser espiritual - continuação'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8123571399763109537</id><published>2010-04-06T16:51:00.000-03:00</published><updated>2010-04-06T16:51:08.427-03:00</updated><title type='text'>A culpa é dos amigos "da onça"</title><content type='html'>Amigo é coisa pra se guardar - dizia a canção. Mas guardar bem escondido. Alguns estão me atormentando, dizendo que coloquei uma foto de trinta anos atrás, só pra não parecer velho. Outros juram de pés juntos que não sou avô. Só pra parar com a falação, seus amigos da onça, troquei de foto. Esta é de novembro do ano passado. No shopping em Vila Velha, levando meu neto para conhecer o templo da sociedade de consumo. Em tempo: o Adrian já é freqüentador assíduo da livraria, o único lugar do shopping onde ele se sente em casa.&lt;br /&gt;Que é que isto tem a ver com teologia? &lt;i&gt;Sei lá&lt;/i&gt;, mas deve ser algo ligado com essa coisa que a gente chama &lt;b&gt;vida&lt;/b&gt;. Ela vai acabando para uns, começando para outros. Entre o acabar e o começar, a gente vai teologando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8123571399763109537?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8123571399763109537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/culpa-e-dos-amigos-da-onca.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8123571399763109537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8123571399763109537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/culpa-e-dos-amigos-da-onca.html' title='A culpa é dos amigos &quot;da onça&quot;'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5997085165226281776</id><published>2010-04-06T16:28:00.004-03:00</published><updated>2010-04-08T13:50:34.611-03:00</updated><title type='text'>Ser "espiritual" - Desprendimento</title><content type='html'>O tema da espiritualidade sempre me desafiou. Não passam muitos meses e eu volto a ensinar, escrever ou debater sobre a aventura da fé. &lt;i&gt;Tá&lt;/i&gt; certo que teólogo não é a pessoa &lt;i&gt;certa&lt;/i&gt; para escrever sobre este assunto. Ninguém acredita na espiritualidade de teólogos. Isso, no final das contas, é muito bom, pois nada mais complicado do que ser guru. Mais cedo do que se pensa, os conselhos do guru dão errado...&lt;br /&gt;Mas, enfim, eu vivo tentando ser uma pessoa espiritual. Para mim, ser espiritual é, antes de qualquer outra coisa, ser &lt;b&gt;desprendido&lt;/b&gt;. No Houaiss e no Michaelis, desprendida é a pessoa que foi desamarrada, foi solta, tornou-se independente - o que me conduz a Gálatas capítulo 5: para a liberdade o Messias Jesus nos libertou. Ser desprendido é, também, ser indiferente - em meu caso, indiferente aos bens materiais, roupas de grife, carro da moda, etc. Isso de vez em quando me arruma encrencas domésticas, pois depois de três décadas de trabalho, meu patrimônio é quase "zero". Mas isto me lembra de I João, "usar os bens deste mundo sem se escravizar a eles". Ser espiritual é ser desprendido, pois só assim a gente consegue viver para o outro. Como dizia Levinas, "além do egoísmo e do altruísmo está a religiosidade do self". No dicionário também se diz que desprendido é "exalado". Gostei dessa definição. Primeiro, por que ela me lembra de uma velha canção "dinheiro na mão é vendaval" - gosto de gastar, pouco mas bem, para viver feliz e não destruir ninguém. Segundo, porque nós, cristãs e cristãos, somos sopros, hálitos de Deus. E aí voltei para o hebraico e o grego em que "espírito" é vento. Ser espiritual é ser brisa suave, vento forte, ventania, tornado, furacão: mas Ser espiritual, só Deus. Nós somos (eu com certeza sou): Vento-Abel. Vento-Névoa. Vento-Nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5997085165226281776?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5997085165226281776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/ser-espiritual.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5997085165226281776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5997085165226281776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/ser-espiritual.html' title='Ser &quot;espiritual&quot; - Desprendimento'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3973624510872302546</id><published>2010-04-05T09:27:00.003-03:00</published><updated>2010-04-05T09:29:33.802-03:00</updated><title type='text'>Religiões, Filosofias e Ciências</title><content type='html'>A relação entre religião e ciência, assim como entre teologia e ciência, possui uma longa história. Nos tempos medievais, não havia distinção disciplinar ou epistêmica entre os diversos campos do saber humano, todos subsumidos na Universidade auspiciada pela Igreja Católica. Com o advento da Modernidade, a divisão epistêmica e disciplinar começa a surgir e, com ela, a necessidade de colocar em relação dois tipos de saber que, outrora, não se distinguiam claramente. Em um primeiro momento, como busca de libertação do controle eclesiástico, e apoiada pela crítica protestante (segundo a leitura de Foucault), a filosofia se separa da religião e se coloca em confronto com a mesma, posto que se considera porta-voz da verdade e da razão (uma coisa só, então). Posteriormente, as ciências específicas vão se tornando autônomas e também precisam definir sua relação com a filosofia e com a religião. Em relação à religião, se toma distância crítica, a partir da afirmação de que somente o método científico conduz à verdade, deixando à religião o campo do mito, da ilusão, da falsidade ou da ideologia, dependendo dos autores em questão.&lt;br /&gt;Hoje em dia o quadro não é muito diferente. Onde se pensa que há um só caminho para a verdade, a relação é conflituosa. Fundamentalistas, na filosofia, nas ciências, ou na religião, vivem se degladiando em busca da auto-afirmação exclusiva de posse e guarda da verdade. Onde cientistas, filósofos e religiosos se entendem como pessoas incompletas, com conhecimentos incompletos, buscando Verdade que sabem jamais será encontrada em plenitude, a relação é amistosa. Entre os dois extremos, da negação e da aproximação, há o "em cima do muro" da indiferença.&lt;br /&gt;O terreno de encontro tenso entre esses três tipos de saber se dá nas discussões bioéticas, posto que estas não só têm a ver com a definição do que é ser &lt;i&gt;humano&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;, como também têm a ver com a normatização do que se fazer com o humano - aborto, alimentação transgênica, pesquisa com células-tronco embrionárias, alteração dos limites biológicos mediante a tecnologia, etc.&lt;br /&gt;Já passou o tempo em que se podia falar de religião e ciência como "magistérios não-interferentes" (NOMA, non-overlapping magisteria). Religiões, filosofias e ciências se entecruzam constantemente na definição do que é ser humano, do que é viver bem, do que é viver justamente em coletividade.&lt;br /&gt;A questão é: irá vencer o bom-senso e prevalecer o diálogo, ou os fundamentalistas em cada time serão os manda-chuvas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3973624510872302546?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3973624510872302546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/religioes-filosofias-e-ciencias.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3973624510872302546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3973624510872302546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/religioes-filosofias-e-ciencias.html' title='Religiões, Filosofias e Ciências'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8495525658074141587</id><published>2010-04-04T08:17:00.000-03:00</published><updated>2010-04-04T08:17:09.525-03:00</updated><title type='text'>Intolerância "evangélica"</title><content type='html'>Hoje não é dia para falar sobre intolerância. Domingo de Páscoa, dia de celebração da vitória da vida sobre a morte, da justiça sobre o pecado, da inclusão sobre a exclusão, da aceitação sobre a intolerância, da reconciliação! Entretanto, a imprensa noticia um episódio que, se fosse algo isolado, não mereceria qualquer comentário - jogadores de futebol "evangélicos" se recusam a distribuir ovos de páscoa em um lar espírita.&lt;br /&gt;Não tenho nada a ver com a crença das pessoas envolvidas no episódio, nem quero julgá-las. O que me chamou a atenção foi o fato de que a atitude de intolerância "evangélica" não é algo isolado. Faz parte da pregação de várias igrejas e seus pastores e pastoras e tem gerado inclusive violência física, além da simbólica. Menos mal que movimentos em defesa da liberdade e da tolerância religiosa têm surgido em resposta a tais atos bárbaros.&lt;br /&gt;Grafo "evangélico" entre aspas, por que cada vez mais esse termo perde o seu sentido. Ser "evangélico" hoje em dia no Brasil está se tornando sinônimo de pseudo-cristão, de gente que confunde dogmatismo com fé, egocentrismo com caridade, intolerância com liberdade religiosa.&lt;br /&gt;Péssimo modo de acordar num domingo de Páscoa. Ainda bem que na cruz Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas, nos céus e na terra. Deixemos, pois, que o amor reconciliador de Deus faça a nossa cabeça, determine a nossa identidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8495525658074141587?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8495525658074141587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/intolerancia-evangelica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8495525658074141587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8495525658074141587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/intolerancia-evangelica.html' title='Intolerância &quot;evangélica&quot;'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-6698667905252775834</id><published>2010-04-02T18:32:00.002-03:00</published><updated>2010-04-02T18:32:55.467-03:00</updated><title type='text'>Novo blog no ar!</title><content type='html'>Conforme comentei antes, Leonel, paulo e eu estamos começando um blog de leitura bíblica em três diferentes perspectivas, aberto à palpitação de leitoras e leitores.&lt;br /&gt;O endereço é: http://bibliasobtresolhares.blogspot.com/. Apareçam e façam propaganda...&lt;br /&gt;Abs pascais&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-6698667905252775834?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/6698667905252775834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/novo-blog-no-ar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6698667905252775834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6698667905252775834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/novo-blog-no-ar.html' title='Novo blog no ar!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-8121619615398420262</id><published>2010-04-02T09:50:00.000-03:00</published><updated>2010-04-02T09:50:43.834-03:00</updated><title type='text'>Prá não dizer que não falei da Páscoa ...</title><content type='html'>Depois de amanhã celebra-se a Páscoa. Domingo da ressurreição. O que nos lembra - hoje celebra-se a paixão do Messias Jesus. Morte e ressurreição, cujos significados são tantos e tão intensos que até fica difícil falar de novo sobre os mesmos. Mas vamos lá, sem nenhuma pretensão de dar um novo e verdadeiro sentido ...&lt;br /&gt;Morte e ressurreição de Cristo são também a morte de um "mundo" - ou seja, de um jeito de organizar a vida humana em sociedade (tanto no âmbito simbólico da cultura ou mundo-da-vida, quanto no concreto da economia, política, tecnologia e mídia), de dar sentido a essa vida e de fazer com que as pessoas adotem, comprem e sigam esse estilo de vida. O que faz a gente se maravilhar nestes dias é que as mesmas instituições que celebram a Páscoa são promotoras do jeito velho e defunto do "mundo" - consumismo, individualismo, hedonismo ... Não é à toa que são as empresas capitalistas as que mais se aproveitam deste feriado para vender, vender (ontem passei numa grande loja e haja fila ...). Como se costumava dizer: o capitalismo é o sistema idolátrico da morte, mas se apresenta como se fosse o sistema fiel da ressurreição.&lt;br /&gt;A ressurreição do "mundo" morto carrega uma anomalia - não é a volta à vida. Aliás, quanta gente confunde ressurreição com "volta". Ressurreição não é voltar, é ir além, é transcender, é transformar. É utopia (palavra desgastada, mas que merece ressuscitar...)! Por isso, me espanto quando vejo que "crentes" não mais conseguem sonhar, imaginar um mundo diferente, uma outra forma de viver a vida no planetinha terra. Talvez seja culpa de nosso velho hábito de pensar a ressurreição como algo "fora deste mundo", "depois deste tempo". Ressurreição sim, aqui e agora, nova criação já iniciada. Nossas escatologias precisam de um banho de utopia, ou se tornarão meras falações sobre o "escatós" (não o temporal, mas o da privada...).&lt;br /&gt;Feliz Páscoa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-8121619615398420262?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/8121619615398420262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/pra-nao-dizer-que-nao-falei-da-pascoa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8121619615398420262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/8121619615398420262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/pra-nao-dizer-que-nao-falei-da-pascoa.html' title='Prá não dizer que não falei da Páscoa ...'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2047596860901330234</id><published>2010-04-01T11:14:00.003-03:00</published><updated>2010-04-01T11:16:49.913-03:00</updated><title type='text'>Novos Links</title><content type='html'>Adicionei dois links em blogs interessantes. Um deles é o blog do Ricardo, abuense, missionário atualmente no Uruguai, o país dito mais secularizado da AL. Conheci Ricardo em encontros de ABU e nos tempos da FTSA, só não vou dizer o apelido dele para não perder o amigo. O segundo é o de um ex-aluno da FTSA e agora (coitado) colega de profissão (professor de teologia), Jonathan. Vale a pena dar uma olhada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2047596860901330234?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2047596860901330234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/novos-links.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2047596860901330234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2047596860901330234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/04/novos-links.html' title='Novos Links'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-6777744128039608421</id><published>2010-03-31T12:12:00.003-03:00</published><updated>2010-03-31T12:16:41.163-03:00</updated><title type='text'>Um novo blog - bíblico!</title><content type='html'>Esse negócio de blog é interessante e viciante. Depois que comecei este bloguinho, vários colegas mandaram emails, conversaram comigo, etc. O João Leonel, amigo de muito tempo, professor na Universidade Mackenzie, com quem estou para publicar um livro sobre leituras literária e lingüística da Bíblia, deu a idéia de a gente fazer um blog sobre interpretação de textos bíblicos. Convidamos um outro grande amigo, o Paulo Nogueira, professor da UMESP, que topou de imediato. Já temos trocado vários emails para "montar" o blog. Nossa idéia é fazer leitura de textos bíblicos "fora da caixa", ou seja, saindo do cânone acadêmico, apontando possibilidades, assumindo riscos. Assim que a gente começar, eu passo o endereço, é claro! Ah! Esse blog também estará aberto para debates e contribuições de gente boa fora do trio de blogueiros-chefes (eta vício autoritário!!!!)&lt;br /&gt;Abs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-6777744128039608421?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/6777744128039608421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/um-novo-blog-biblico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6777744128039608421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6777744128039608421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/um-novo-blog-biblico.html' title='Um novo blog - bíblico!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-6379743848891528807</id><published>2010-03-29T16:02:00.003-03:00</published><updated>2010-03-29T16:12:17.555-03:00</updated><title type='text'>Evangélicos e Homofobia</title><content type='html'>Tenho acompanhado as discussões sobre o projeto de lei que tramita no Congresso, para alteração da lei contra a discriminação, que define como crime a discriminação por sexo e gênero - além das já normatizadas discriminações por raça e credo.&lt;br /&gt;Quase invariavelmente a posição evangélica é contrária à lei, por considerar que ela feriria os interesses eclesiásticos e doutrinários de evangélicos, estabelecendo, por exemplo, a obrigatoriedade do casamento religioso de homossexuais, a criminalização da doutrina do homossexualismo como pecado, etc.&lt;br /&gt;Algum dia mais adiante escreverei mais detalhadamente sobre o projeto de lei e a fobia evangélica em relação à sexualidade. Deixo registrada aqui, porém, para ouvir sua reação, minha discordância com relação à essa atitude contrária ao projeto de lei por parte de evangélicos. Meu motivo básico é:&lt;br /&gt;Não podemos confundir crenças religiosas com direitos civis. Se igrejas cristãs têm o direito de não ordenar mulheres, de não aceitar certos comportamentos de seus membros, e de definir suas próprias regras internas, como instituições privadas, por um lado, e instituições protegidas pela lei da liberdade religiosa e isentas de várias obrigações fiscais, por outro; por que não defender os direitos públicos de cidadãs e cidadãos homossexuais, assim como defendemos os direitos públicos de mulheres, negros, povos indígenas, portadores de necessidades especiais, etc.? &lt;br /&gt;Haverá conflitos jurídicos se a lei for aprovada? Certamente, mas quem tem medo de conflitos, fuja da democracia. A homofobia fede, parafraseando Cazuza, por isso há "algo de podre" na república brasileira (parafraseando Shakespeare)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-6379743848891528807?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/6379743848891528807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/evangelicos-e-homofobia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6379743848891528807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6379743848891528807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/evangelicos-e-homofobia.html' title='Evangélicos e Homofobia'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3592451498253881917</id><published>2010-03-29T08:32:00.002-03:00</published><updated>2010-03-29T08:45:57.938-03:00</updated><title type='text'>A integralidade da missão</title><content type='html'>Neste fim de semana estive em Arujá, lecionando num programa conjunto da Faculdade Unida e da FLAM. Foi ótimo voltar ao "acampamento" do Jovens da Verdade e rever um local onde trabalhei no início de meu ministério e retomar o trabalho conjunto com Jaziel e Ivone (além de um monte de gente que trabalha lá). Se vc não acredita em "milagres", passe por lá. Pena que não há vídeos do JV nos anos 70 e 80 para vc poder comparar!&lt;br /&gt;Passar dois dias lá, respirando ar puro, fora do calor de Vitória, conhecendo novos colegas, semeando novas (ou velhas) "heresias" entre a estudantada (que já é gente formada!), me deu a oportunidade de pensar sobre um tópico da Teologia da Missão Integral.&lt;br /&gt;A TMI nasceu como uma bandeira de protesto e resistência contra a prática reducionista da missão pelas igrejas norte-americanas, em especial, e norte-atlânticas em geral - juntamente com suas "filhas" ou "filiais" abaixo da linha do equador. O ano de nascimento pode ser reconhecido como o de 1970, ano da fundação da Fraternidad Teológica Latinoamericana (assim, em espanhol, para lembrar que se nós brasileiros fazemos parte da América Latina, somos uma parte diferente, tanto pelo tamanho quanto pelo idioma).&lt;br /&gt;Daquele ano até hoje, a TMI deu voltas pelo contintente americano e pelos demais continentes e se tornou uma teologia multi-continental. É claro que isso nos alegra, mas também começa a trazer preocupações, pois temos de tomar cuidado com pelo menos duas coisas: (a) achar que só quem afirma a TMI pratica a integralidade da missão - René Padilla, mais de uma vez, lembrou a turma da TMI de que tem muita gente fazendo missão integral sem nem saber o que é a TMI; (b) achar que quem proclama o nome "Missão Integral" pratica, de fato, a integralidade da missão. TMI pode - e eu considero que já está se tornando em alguns lugares - se tornar mera ortodoxia morta, usada apenas para legitimar práticas reducionistas de missão.&lt;br /&gt;Quatro décadas de TMI! A principal lição que eu aprendi: o que importa não é a TMI, mas a prática da missão na sua integralidade e integridade. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Integralidade &lt;/span&gt;que é sempre um desafio, uma convocação, uma tarefa - posto que nossos conhecimentos e práticas são sempre contextuais, parciais, limitados. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Integridade &lt;/span&gt;que é, sempre também, uma tarefa, um desafio, uma abertura de nossa parte ao Espírito de Deus que nos torna íntegros, santos, eticamente "testemunhas" do Evangelho na sua plenitude.&lt;br /&gt;Integr(al)idade da ação missionária e do pensamento teológico - essa é a grande lição da TMI, que deve ressoar mesmo quando o "prazo de validade" da TMI tiver se esgotado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3592451498253881917?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3592451498253881917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/integralidade-da-missao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3592451498253881917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3592451498253881917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/integralidade-da-missao.html' title='A integralidade da missão'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-3342665642146495562</id><published>2010-03-25T12:53:00.001-03:00</published><updated>2010-03-25T12:59:00.125-03:00</updated><title type='text'>Teologia e Universidade (Mesa Redonda - EST 2008)</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Introdução&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O tema que nos reúne nesta Mesa-Redonda é tão amplo e relevante que nos desafia a, no espaço de tempo de que dispomos, oferecer subsídios para uma discussão já em andamento e que não dá sinais de se atenuar. Em vários artigos e encontros acadêmicos nos quais o tema tem sido tratado recentemente no Brasil, o caminho mais trilhado é o da discussão sobre a cientificidade da teologia, o que lhe garantiria um lugar juntamente com as demais ciências que formam, em seu conjunto, supostamente unificado, a universidade. Tendo em vista que, em mais de uma ocasião, me pronunciei sobre o caráter não-científico da teologia, a coerência me obriga a tomar outro caminho – obrigação, aliás, que é facilitada pela qualidade e propriedade com que vários colegas têm percorrido o primeiro caminho mencionado. Optei, então, por trazer à nossa discussão algumas questões, não a respeito do estatuto da teologia na universidade, mas a respeito do estatuto da própria universidade (Por economia linguageira uso os termos teologia e universidade no singular, entretanto, nem teologia nem universidade são instituições e práticas singulares, mas múltiplas, multiformes, diversificadas).&lt;br /&gt; Nas últimas décadas do século passado, a missão, a identidade, ou a responsabilidade da universidade têm sido extensamente debatidas por ilustres pensadores e docentes, bem como por administradores, políticos, estrategistas e financistas. Em um mundo de sociedades e economias globalizadas, de disputas político-militares de alta e baixa intensidade, de rendição ao charme da tecnociência, de passagem para o estilo tecnoinformático de vida, a universidade se vê frente a frente com desafios de elevada monta, o que a tem obrigado a se repensar e, segundo muitas vozes, a se reinventar. Mantendo isto em mente, me proponho a tecer alguns breves e arriscados comentários, inspirados por minha experiência de inserção nos debates com acadêmicos universitários e por alguns dos textos que li, sobre que tipo de universidade deve existir para que a Teologia sinta-se à vontade dentro dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;1. Universidade e projeto político emancipatório&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Inicio com a conclusão do geógrafo Milton Santos, em palestra proferida no ano 2000, sobre a situação da universidade brasileira e seu futuro:&lt;br /&gt;Mas não seria justo concluir com uma rota pessimista. Com todos os seus defeitos atuais, tão parecidos em quase todo o mundo, as Universidades geram o veneno e o antídoto, mesmo se em doses diferentes. Lugar de um saber vigiado e viciado, elas são, também, e ainda, o único lugar onde o contra-saber tem a possibilidade de nascer e às vezes prosperar. Isto pode ser o resultado de esforços, de cientistas pioneiros, agrupados ou não. Mas para guardar e manter o pensamento independente, é indispensável que a instituição universitária aceite desinstitucionalizar-se, caminho único para evitar que o excesso de regras e de mandos acabe por esterilizar as suas possibilidades de um trabalho realmente livre, voltado para o interesse geral. A tarefa de incorporar a Universidade num projeto social e nacional impõe primeiro a criação e depois a difusão de um saber orientado para os interesses do maior número e para o homem universal. (SANTOS, Milton. A Universidade: da Intencionalidade à Universalidade. Anuário do Instituto de Geociências - UFRJ Volume 23, 2000, p. 3)&lt;br /&gt; Destaco desta fala: a teologia só poderá sentir-se à vontade em uma universidade que não seja espaço de um “saber vigiado e viciado” – vigiado pelos naturalistas e racionalistas de plantão, viciado pelos corporativismos docentes, pelos esquemas hierarquizados de financiamento e difusão da pesquisa, vigiado pelos estrategistas globais de finanças e segurança internacional. A teologia sentir-se-á à vontade em universidades que priorizem produzir os “contra-saberes” emancipatórios e enfrentar com “in(ter)dependência” as pressões externas e internas para ser uma instituição tradicionalista e subserviente ao poder econômico-militar. &lt;br /&gt; Somente esse tipo de saber, segundo Milton Santos, capacitaria a universidade a se inserir democraticamente na construção, coletiva, de um projeto político nacional, com tons universalizáveis, que se contraponha à forma de globalização atualmente em curso hegemônico. A teologia, se fiel à sua longa tradição de fidelidade à Palavra de Deus acima de qualquer outra fidelidade – inclusive acima da fidelidade às Igrejas nas quais se realiza – poderá contribuir significativamente com a construção desses contra-saberes, pois é, ela mesma, um dos mais importantes contra-saberes da tecnociência ensimesmada e dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;2. Universidade e conhecimento plural&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento pluriversitário é um conhecimento contextual na medida em que o princípio organizador da sua produção é a aplicação que lhe pode ser dada. Como essa aplicação ocorre extra-muros, a iniciativa da formulação dos problemas que se deve resolver  e a determinação dos critérios de relevância destes é o resultado de uma partilha entre pesquisadores e aplicadores. É um conhecimento transdisciplinar, que pela sua própria contextualização, obriga a um diálogo ou confronto com outros tipos de conhecimento, o que torna internamente mais heterogêneo e mais adequado a ser produzido em sistemas abertos menos perenes e de organização menos rígida e hierárquica. (SANTOS, Boaventura de S. A universidade do século XXI. Para uma reforma democrática e emancipatória da Universidade. p. 29-30.)&lt;br /&gt; O conhecido sociólogo e militante político Boaventura de Sousa Santos tem escrito e debatido amplamente sobre a ciência e a Universidade contemporâneas. No texto de que extraí a citação acima, Boaventura insere a universidade, como Milton Santos, no caminho de colaboração com a construção de projetos políticos alternativos à globalização capitalista. Para ele, tal responsabilidade exige que a universidade reconheça o seu caráter plural, pois que o conhecimento não mais se pode pensar como unitário, uniforme, único, universal (metafísico, como diria Habermas; forte, como diria Vattimo, ontoteológico, como diria Heidegger; ou fundacionista, como diria Rorty). Esse conhecimento pluriversitário é, simultaneamente, contextual e transdisciplinar – ou seja, não pode ser único, não deve ser reduzido às disciplinas em que se costumou manifestar, não tem o direito de usurpar o espaço de outros saberes não-científicos e, acima de tudo, não pode assumir a pretensão de validade universal – logo, hegemônica e excludente.&lt;br /&gt; Em uma universidade que se construa pluriversitariamente, o saber teológico não teria problemas em se localizar e colaborar na construção de saberes emancipatórios, científicos ou não tão científicos – mas saberes legítimos, válidos, validados – não pela comunidade acadêmica ensimesmada, mas democraticamente validados pelas sociedades a quem o saber deve estar a serviço [“Começa a ser socialmente perceptível que a universidade, ao especializar-se no conhecimento científico e ao considerá-lo a única forma de conhecimento válido, contribuiu activamente para a desqualificação e mesmo destruição de muito conhecimento não-científico e que, com isso, contribuiu para a marginalização dos grupos sociais que só tinham ao seu dispor essas formas de conhecimento.” (idem, p. 56)]&lt;br /&gt;Tal universidade deverá assumir os riscos de se inserir no estilo de vida democrático e nas lutas constantes que se dão nesse estilo de vida e espaço de atuação dos mais diversificados atores e interesses sociais. Assumindo essa tarefa, a universidade só poderá ser beneficiada pela presença dialogante e crítica da teologia, contra-saber que prima pela contextualidade, pela ecumenicidade, pela eticidade, pela publicidade – como expressão teo-lógica, ou seja, expressão do amor divino pela criação, encarnado e incorporado pelas pessoas que O amam e vivem de forma fiel ao Seu projeto libertador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;3. Universidade e a convocação ao pensar&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Encerro minha fala trazendo para o debate a voz de outro ilustre acadêmico, Jacques Derrida:&lt;br /&gt;É possível falar desta nova responsabilidade que tenho invocado apenas através de uma convocação à prática. Seria a responsabilidade de uma comunidade de pensamento para a qual a fronteira entre pesquisa básica e aplicada não estaria mais assegurada, ou, de qualquer forma, não sob as mesmas condições de outrora. Nomeio-a de comunidade de pensamento em sentido amplo – “ao largo” – ao invés de uma comunidade de pesquisa, de ciência, ou filosofia, visto que estes valores são, na maior parte do tempo, sujeitos à autoridade inquestionável do princípio da razão. Ora, razão é apenas uma espécie de pensamento – o que não significa que o pensamento é ‘irracional’. Tal comunidade iria interrogar a essência da razão e do princípio da razão, os valores do básico, do principial, da radicalidade, da arché, em geral, e tentaria extrair todas as conseqüências possíveis deste questionamento. […] Eu insisti, naquele relatório [prestado ao governo francês a respeito de uma escola internacional de filosofia], em enfatizar a dimensão do que, neste contexto, chamo de ‘pensamento’ – uma dimensão não redutível à técnica, à ciência, ou à filosofia. (DERRIDA, Jacques. Eyes of the university: Right to philosophy 2. Stanford: Stanford University Press, 2004, p. 148)&lt;br /&gt; Em tal tipo de universidade a teologia ficaria à vontade – e a voz de Derrida me faz voltar a atenção não mais para a universidade, mas para a teologia – pois que ela é pensamento: não técnico, não científico, não tecnológico; mas pensamento religioso, disciplinado e rigoroso; características que a distinguem do testemunho, da adoração, da oração, do ritual e, em especial, do dogma – mas não a afasta de sua origem: as comunidades de fé que aprenderam, com Cristo, a ouvir o clamor das pessoas e da natureza que gemem sob o peso da indignidade, da desumanização, da desnaturalização. Pensamento que não cessa de questionar uma razão ensimesmada, patri-cêntrica, submissa aos imperativos do poder, da mídia, da técnica e do mercado. Pensamento que, simultaneamente, não cessa de questionar as instituições religiosas que permanentemente se perpetuam em usurpar a fé e a vida das comunidades de fé. Pensamento que não cessa de questionar a si próprio, posto que jamais isento de degenerar-se em mera tecnologia religiosa, filosofia institucional, ciência des-amorante. &lt;br /&gt; Nas palavras do apóstolo Paulo, a teologia é um pensamento apto, sempre que necessário, para “a destruição de fortalezas, derrubando razões e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus” (II Co 10,4-5). Pensamento, por isso, arriscado, que deve se vigiar e ser constantemente vigiado para não se tornar arqui-pensamento, pseudo-pensamento, cessação do pensamento. Que deve se posicionar na universidade como espaço de participação de outsiders, como caixa de ressonância dos clamores da sociedade e da natureza, como parceira de diálogo, como apoiadora, como companheira, como incentivadora da pesquisa, dos saberes e contra-saberes, de todo autêntico ‘pensamento’.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-3342665642146495562?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/3342665642146495562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/teologia-e-universidade-mesa-redonda.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3342665642146495562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/3342665642146495562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/teologia-e-universidade-mesa-redonda.html' title='Teologia e Universidade (Mesa Redonda - EST 2008)'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-29043368167280160</id><published>2010-03-24T11:15:00.000-03:00</published><updated>2010-03-24T11:16:42.862-03:00</updated><title type='text'>Facilitando Comentários</title><content type='html'>Mudei a configuração dos comentários. Agora vc não precisa ter "conta" em sites. AO fazer seu comentário escolha o perfil "anônimo" ou "nome/url", e envie o comentário.&lt;br /&gt;Julio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-29043368167280160?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/29043368167280160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/facilitando-comentarios.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/29043368167280160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/29043368167280160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/facilitando-comentarios.html' title='Facilitando Comentários'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-9215589191369118412</id><published>2010-03-24T10:51:00.002-03:00</published><updated>2010-03-24T10:58:12.469-03:00</updated><title type='text'>Dimensão pública da teologia</title><content type='html'>Nos últimos anos, cada vez mais me convenço de que a teologia não pode ficar "fechada" nas igrejas e academias teológicas. Tem de ser aberta para a sociedade, para a cultura, para a vida cotidiana das pessoas. A Teologia da Libertação na América Latina era uma teologia desse tipo - aberta, pública. A Teologia da Missão Integral tem essa vocação, mas o peso do igrejismo evangélico ainda é muito forte, e vira e mexe, a TMI se deixa privatizar.&lt;br /&gt;Agora, dito isto, deixem-me fazer uma qualificação. No Primeiro Mundo se criou a chamada "Teologia Pública". Por mais interessante que seja, quando falo da dimensão pública da teologia, não falo em Teologia Pública. A "Teologia Pública" trabalha enfaticamente a dimensão pública da teologia e suas expressões concretas são as mais variadas e ricas, em todos os continentes, inclusive aqui no Brasil. Só faço este comentário pra não ficarmos pensando que "Teologia Pública" é uma nova corrente teológica...&lt;br /&gt;Se levarmos a sério a dimensão pública da teologia, esta deve dialogar com as grnades e não-tão-grandes questões da vida - preservação do meio-ambiente, violência, criminalidade, gênero, justiça, democracia, diálogo inter-religioso, aquecimento global, água, trânsito, lazer, prazer, mídia, ciência, tecnologia ...&lt;br /&gt;Ufa! Já cansei. Talvez seja mais fácil voltar ao mundinho privatizado da teologia enlatada importada do tradicionalismo.&lt;br /&gt;Que vc acha?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-9215589191369118412?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/9215589191369118412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/dimensao-publica-da-teologia.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9215589191369118412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/9215589191369118412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/dimensao-publica-da-teologia.html' title='Dimensão pública da teologia'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-841051950721164076</id><published>2010-03-24T10:50:00.000-03:00</published><updated>2010-03-24T10:51:43.481-03:00</updated><title type='text'>Temas para "postagem"</title><content type='html'>A idéia básica deste blog é ser algo pessoal, mas aberto para co-blogueirantes.&lt;br /&gt;Assim, que tal você sugerir temas para postagens?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-841051950721164076?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/841051950721164076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/temas-para-postagem.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/841051950721164076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/841051950721164076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/temas-para-postagem.html' title='Temas para &quot;postagem&quot;'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4042285504679922638</id><published>2010-03-23T09:29:00.006-03:00</published><updated>2010-03-23T09:36:10.145-03:00</updated><title type='text'>Teologando pentecostalmente</title><content type='html'>Um amigo, de pouco tempo, teólogo pentecostal, Esdras, morador do Rio de Janeiro, trabalhador na Assembléia de Deus, fez dois comentários ao meu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post &lt;/span&gt;"fraterna". Escreveu pouco, mas disse quase tudo. Vale a pena ler seus comentários. &lt;br /&gt;Concordo com você, Esdras, a pessoa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pneumática&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; é contrária à pessoa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;anímica&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de I Coríntios 2 (e também do capítulo 15). Só que no discurso evangélico comum, espiritual é confundido com anímico - não são os "clérigos" que recebem o adjetivo "espiritual" e são considerados heróis da fé? Não são as emoções, o critério de espiritualidade mais usado nas igrejas?&lt;br /&gt;Taí uma temática interessante para a teologia pentecostal. Afinal de contas, que é ser "espiritual"? Precisamos aprender com teólogas e teólogos pentecostais o que é ser espiritual, afinal, as igrejas pentecostais já têm uma longa tradição de afirmação do "espiritual".&lt;br /&gt;Julio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4042285504679922638?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4042285504679922638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/teologando-pentecostalmente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4042285504679922638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4042285504679922638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/teologando-pentecostalmente.html' title='Teologando pentecostalmente'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-4231509092531416017</id><published>2010-03-22T08:18:00.002-03:00</published><updated>2010-03-22T08:25:05.787-03:00</updated><title type='text'>Fraterna?</title><content type='html'>Fraterna é a teologia, por que ela deve ser feita na cumplicidade de pessoas que, esperando um futuro comum, mediante a fé em um mesmo Deus, se perguntam  constantemente em que consistem essa esperança e essa fé, esse futuro e esse Deus. Cúmplices na arte de fazer perguntas, de não se satisfazer com as respostas já alcançadas (por melhores que sejam), de buscar sempre novos jeitos de contar a velha e sempre nova história...&lt;br /&gt;Fraterna é a teologia, por que é ação de pessoas que se amam e, por que se amam, não vivem em um idílico mundo ideal de ausência de conflitos. Irmãs e irmãos brigam sim, discutem, saem no tapa, às vezes um mata o outro ... Mas, no fim das contas, continuam irmãs e irmãos,mesma família, mesmo pai e mãe de todas, mesmo salvador de todas, mesmo espírito que anima a todas ... Gosto de pensar nas pessoas teologantes como Abéis e não como Cains.&lt;br /&gt;Abel, vento, passagem rápida, fumaça, fraqueza, não-violência. Muita teologia, porém, se feita sob o signo das instituições acadêmicas ou eclesiásticas, tem o rosto de Caim - lança, flecha, ferro, fogo, violência. É cainita a teologia que se apossa da Verdade, fala em nome da Verdade, reprime em nome da Verdade, exclui em nome da Verdade. De uma Verdade mentirosa, com um V maiúsculo que engana, arroga para si mesma uma durabilidade e dignidade que não possui. Teologia cainita não é teologia! É doutrina, dogma, ortodoxia ... Nos Evangelhos, os demônios conhecem a ortodoxia sobre Jesus, sabem quem ele é, e por isso mesmo são silenciados.&lt;br /&gt;Teologia abelina é frágil, copiando e parafraseando Mesters, é uma flor sem defesa. Não é proprietária da Verdade, mas companheira de quem busca verdades em amor, como ensinava Paulo aos efésios "verdadeirando em amor".&lt;br /&gt;Fraterna é a teologia, por que sendo ação humana, não pode ocupar o lugar do Pai, do Filho, ou do Espírito. Pai que mãe de todas e todos nós; Filho que é irmã e irmão; Espírito que é a feminina face de Deus esvoaçando pelo mundo afora, fecundando a criação com a vida divina. Teologia de irmãs e irmãos é uma sadia brincadeira, um jogo alegre e entusiástico, uma disputa saudável, mas ferrenha, de gente que sempre precisa de mais amor do pai, da mãe, da tia, do tio, da irmã, do irmão ... &lt;br /&gt;É fraterna a teologia, por que é de gente sedenta, e por isso mesmo não é uniforme. Mesmo gêmeos são pessoas independentes e diferentes. Sedentas de unidade, identidade, cumplicidade, mas sem abrir mão da peculiaridade, da diferença, da pluralidade. Por isso, não exclui em nome de uma ortodoxia qualquer, por melhor que seja, se é que pode existir boa ortodoxia.&lt;br /&gt;Fraterna é a teologia, por que ela só se consuma na ampliação da própria fraternidade, no aumento incessante de irmãs e irmãos, no reconhecimento cada vez mais aberto e inclusivo de irmãs e irmãos que outrora desconhecíamos, mas que papai e mamãe nos apresentaram, felizes pelo reencontro.&lt;br /&gt;Teologia é fraternamente crítica, pública, construtiva, desconstrutiva. A família fraterna da teologia brinca e joga com discursos.Teologia fraterna é intelectualmente exigente, eticamente desafiadora, missionalmente vocacionadora, "espiritualmente" transformadora. &lt;br /&gt;Espiritualmente? &lt;br /&gt;Alguém pode me explicar, afinal de contas, o que é esse tal de ser "espiritual"?&lt;br /&gt;Julio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-4231509092531416017?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/4231509092531416017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/fraterna.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4231509092531416017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/4231509092531416017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/fraterna.html' title='Fraterna?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7104443509710687152</id><published>2010-03-20T12:58:00.007-03:00</published><updated>2010-03-20T13:23:22.260-03:00</updated><title type='text'>Igrejas e Missão Integral</title><content type='html'>OK! Vc tem razão. É apenas um slogan: "Igrejas cheias, Reino de Deus vazio". Slogan serve para chamar a atenção e destacar um ítem específico. A diversidade eclesial no Brasil é muito grande e não pode ser capturada em um slogan, nem mesmo em uma "análise de conjuntura", ou numa "tipologia". De fato, toda tipologia é uma espécie de andaime - a gente só usa enquanto não conclui o trabalho a ser feito.&lt;br /&gt;Quando olho para o cenário eclesiástico "protestante" brasileiro (que é afinal de contas, ser protestante hoje? Quais são as igrejas protestantes? Sem qualquer exatidão tipológica - protestantes aqui são as igrejas que se dizem cristãs, mas não são católicas nem ortodoxas), o que vejo são muitos templos, dos mais variados tipos e tamanhos, com as mais variadas agendas e programações. Vejo a alegria, às vezes meio envergonhada, de colegas que se ufanam de sermos mais de 20 milhões; ou a tristeza de outros colegas, pela mesma razão.&lt;br /&gt;Bem, eu mais me entristeço do que me alegro com os milhões de protestantes (evangélicos, segundo a mídia) nas igrejas no Brasil. Grosso modo, na maioria dos casos, iremos encontrar pessoas convencidas da eficácia de um discurso religioso, mas sem entrega ao Rei de toda a criação. Pessoas que sabem pedir, suplicar, decretar e pressionar Deus para lhes dar o que desejam; como se Tiago não tivesse nos lembrado que quando oramos mal, vivemos pior ainda; como se Jesus não tivesse tentado nos ensinar a orar ao Pai de toda a criação, e não ao pai individual de cada individualista consumidor religioso de nossos dias.&lt;br /&gt;Ah! Mas o pessoal fala em "missão integral", até a IURD faz obra social! Como diz a canção, "falar é fácil", ou como diria um intelectual, "discursos vazios, ideologicamente eficazes".&lt;br /&gt;Quero lançar um manifesto: "pelo fim da Missão Integral". MI virou ortodoxia oca e enganadora na prática pervertida das instituições igrejeiras que não conhecem o Deus que reina. "Abaixo a Missão Integral", afinal de contas, se somos protestantes, por que paramos de protestar?&lt;br /&gt;Talvez, porém, seja melhor outro manifesto: "Venha o teu Reino, Senhor!" Melhor, não só por que está na Bíblia. Melhor por que "missão integral" é apenas um conceito que nós inventamos na América Latina para, profeticamente, dizer não aos reducionismos missiológicos de direita e de esquerda. Apenas um conceito que servia como bandeira de luta para quem não conseguia se identificar mais com sua própria denominação, nem queria abandonar o arraial evangélico. Só que o arraial evangélico de hoje é um baita circo capenga, no qual os palhaços não são aqueles artistas que nos fazem rir - os "palhaços" somos nós, que pagamos a conta...&lt;br /&gt;"Missão Integral" foi um nome que inventamos para facilitar a compreensão do que a Palavra nos ensina: Venha teu Reino, Senhor! "Missão Integral" não é bíblica. Integralidade da missão é bíblica. "Missão Integral" não é bíblica, Deus-Rei de toda a criação é bíblico.&lt;br /&gt;Se queremos ser fiéis ao movimento que iniciou nos anos 70 na busca de renovação holística das igrejas evangélicas, não podemos nos aferrar a conceitos teológicos - devemos nos apegar ao "além" do conceito, caminhar para "além" do texto.&lt;br /&gt;Ufa! Para terminar, como é terrível o vírus do fundamentalismo. Quando a gente pensa que ele foi embora, ele volta e nos pega de calças curtas = nossos conceitos não são "de Deus", não são "bíblicos" (isso é fundamentalismo). Nossos conceitos são tentativas, são aproximações à Palavra "de Deus", à "Escritura", ao "Reino"...&lt;br /&gt;Será?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7104443509710687152?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7104443509710687152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/igrejas-e-missao-integral.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7104443509710687152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7104443509710687152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/igrejas-e-missao-integral.html' title='Igrejas e Missão Integral'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-6654515808567506697</id><published>2010-03-19T16:28:00.004-03:00</published><updated>2010-03-19T16:31:53.916-03:00</updated><title type='text'>Mais dois companheiros!</title><content type='html'>Acabei de ler os comentários do Lobão (que não é o roqueiro, mas o Isaías) e do Redondo (que não é o João Gordo, mas o Márcio). Dois biblistas daqueles que estudam o texto seriamente, direitinho, timtim por timtim ... Gente boa! Abs aos dois e a tanta gente que está se juntando, já são 14 os co-blogueirantes! Será que ganho uma medalha da família evangelizadora Graham?&lt;br /&gt;Ah! Já vou pedindo desculpas se esquecer de mencionar publicamente algum companheiro ou companheira. Vou  me esforçar para não esquecer. Se eu não te bajulei publicamente, dá um berro!&lt;br /&gt;Abs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-6654515808567506697?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/6654515808567506697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/mais-dois-companheiros.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6654515808567506697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/6654515808567506697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/mais-dois-companheiros.html' title='Mais dois companheiros!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2967888565595665321</id><published>2010-03-19T06:30:00.004-03:00</published><updated>2010-03-19T06:51:52.065-03:00</updated><title type='text'>Sucesso?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A turma da teologia bate firme na teologia da prosperidade, uma pseudo-teologia (por que é apenas um bla-bla-bla ideológico, estilo auto-ajuda) que prega o sucesso, a felicidade, no aqui e no agora. Mas, afinal de contas que é ser bem-sucedido na vida?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Certamente, não podemos medir o sucesso com base nos resultados materiais - emprego, dinheiro, posses, negócios, alto ibope. Mas quem de nós quer viver na pobreza, ou ser conhecido como um cara que não conseguiu nada na vida???&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Também não podemos medir o sucesso com base nos resultados "espirituais" - milagres, crescimento da igreja, prestígio, seguidores, publicações - mas quem quer um ministério merreca e uma vida espiritual medíocre?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Também não acredito que se possa medir o sucesso pelo critério da política - votos, ser "o cara" do Obama, cargos ... Mas quem não gostaria de chegar "lá"?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se essas coisas não são marcas do sucesso, também não podem ser descritas apenas como marcas do fracasso...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um texto na Bíblia diz que tudo o que o justo faz "prospera" (Sl 1,3). Sucesso, então, parece que o texto aponta nessa direção, é realizar coisas que duram, que permanecem, coisas que se parecem com árvores plantadas junto a ribeiros, coisas que não são "palha que o vento espalha".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Gil, em uma de suas músicas (Logos), acertou em cheio quando disse que a modernidade trocou o "logos da posteridade, pelo logo da prosperidade". O mundo do Capital é mundo próspero, mas não póstero ...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sucesso é permanecer, ir além da época da gente, firmeza nas realizações. Sucesso é praticar justiça que distribui, liberdade, bem-estar e vida para muita gente - o contrário da prosperidade capitalista que retém a vida para alguns e distribui a morte para multidões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se meu jeito de ler o Sl 1 não erra demais, o que importa não é o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;sucesso-em-si&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; (será que existe tal coisa?). O que importa é ser bem-sucedidamente uma pessoa &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;justa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, cujas realizações&lt;/span&gt; resistirão ao teste do tempo, mas jamais como "monumentos de barbárie" (Walther Benjamin). &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pessoalmente libertador é descobrir que só as próximas gerações saberão se fomos ou não pessoas bem-sucedidas. Assim, não preciso procurar o sucesso, basta ter fome e sede de justiça.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2967888565595665321?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2967888565595665321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/sucesso.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2967888565595665321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2967888565595665321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/sucesso.html' title='Sucesso?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-7944783586303071383</id><published>2010-03-19T06:24:00.004-03:00</published><updated>2010-03-19T06:30:20.980-03:00</updated><title type='text'>O Osvaldo também passou por aqui</title><content type='html'>O Osvaldo é amigo, lá do Rio, blogueiro velho, tem página na  internet e tudo mais. O blog dele, junto com outros dois amigos biblistas e teólogos, Haroldo Reimer e Jimmy S. Cabral, é: http://peroratio.blogspot.com/. A página do Osvaldo é: &lt;cite&gt;www.ouviroevento.pro.br.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abs Osvaldo!!&lt;br /&gt;&lt;/cite&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-7944783586303071383?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/7944783586303071383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/o-osvaldo-tambem-passou-por-aqui.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7944783586303071383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/7944783586303071383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/o-osvaldo-tambem-passou-por-aqui.html' title='O Osvaldo também passou por aqui'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-2643905275344752380</id><published>2010-03-18T21:35:00.002-03:00</published><updated>2010-03-18T21:44:36.967-03:00</updated><title type='text'>Que luxo!!!</title><content type='html'>Cara, esse negócio de internet é perigoso. Nem bem mandei  o email e já apareceram 5 comentários!!&lt;br /&gt;E só de gente de prima! Assim vou começar a me "achar". O Pavarini é "o cara" da comunicação evangélica no Brasil. Com vc por aqui espero aprender muito. O Celso é teólogo-poeta e blogueiro antigo. O Irisomar é um amigão - se eu falar mal dele vou apanhar ... nas horas vagas ele ensina artes marciais para policiais. O Irisomar é "o cara"! A Niúra é minha chefa.  Era! Agora estou jubilado, me libertei das cadeias de opressão. Ela me dava aumento todo ano mas retia o meu salário na conta dela. Apesar disso, ele é "a cara" do pastorado calvinista no planeta! E a dona Eneida! É a minha esposa, a melhor, mais linda, mais cheia de graça entre todas as mulheres ...&lt;br /&gt;São quase 23hs, tá na hora de dormir, amanhã cedinho pego no batente.&lt;br /&gt;Então, obrigado pessoal!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-2643905275344752380?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/2643905275344752380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/que-luxo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2643905275344752380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/2643905275344752380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/que-luxo.html' title='Que luxo!!!'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-631757252822001686</id><published>2010-03-18T20:33:00.001-03:00</published><updated>2010-03-18T20:36:21.139-03:00</updated><title type='text'>Co-blogueirantes, não seguidores</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Como eu sou semi-analfabeto em programação, consegui mudar o título de "seguidores" para co-blogueirantes, mas não consegui mudar o botão e as palavras "internas". Se vc quiser ser co-blogueirante, se inscreva. É de graça (eu acho!). Eu não procuro seguidores, não preciso de seguidores, e nem merço (muito menos merço) seguidores. Procuro fraternas e fraternos companheiras e companheiros de blogagem teológica ...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ah! Se vc souber mudar o botão do blog, me ensina ... só não vou pagar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-631757252822001686?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/631757252822001686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/co-blogueirantes-nao-seguidores.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/631757252822001686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/631757252822001686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/co-blogueirantes-nao-seguidores.html' title='Co-blogueirantes, não seguidores'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9103819307612768504.post-5323394383736219723</id><published>2010-03-18T20:21:00.000-03:00</published><updated>2010-03-18T20:27:08.984-03:00</updated><title type='text'>Por que teologia fraterna?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O título deste blog é meio estranho, pelo menos assim parece. Falamos em teologia pública, prática, sistemática, política, da libertação, da missão, etc. ... mas e essa tal de teologia fraterna?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Bem, não é uma nova corrente teológica, um novo modo de fazer teologia, uma nova e grande sacada para mudar os rumos da reflexão teológica... Nada disso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;É bem mais simples e prosaico. Teologia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;fraterna&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; por que foi no espaço-tempo da fraternidade teológica latino-americana que aprendi a fazer teologia - e não mais a reproduzir a teologia já feita e definida como verdadeira - seja pelas ortodoxias eclesiásticas, seja pelos fundamentalismos acadêmicos, seja pelas ideologias de plantão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;Fraterna&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;, por que teologia só acontece no companheirismo amoroso de irmãs e irmãos que conseguem falar francamente uns com os outros. Que conseguem dizer o que pensam, sem medo de fiscalização, rotulação, classificação, expulsão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;"&gt;Fraterna&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;, por que eu não quero, não desejo ser a única pessoa a escrever neste blog. Pra ser sincero, não tenho a menor idéia de como fazer um blog se tornar bem-sucedido. Então, quem sabe vc dá seus palpites teológicos por aqui para aprendermos a fazer sucesso juntos e juntas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Taí um bom primeiro tema pra pensar. Que é sucesso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Vou tentar escrever algo sobre isso amanhã. E espero que vc leia e escreva e melhore o que a gente escrever por aqui.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9103819307612768504-5323394383736219723?l=teologiafraterna.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/feeds/5323394383736219723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/por-que-teologia-fraterna.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5323394383736219723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9103819307612768504/posts/default/5323394383736219723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiafraterna.blogspot.com/2010/03/por-que-teologia-fraterna.html' title='Por que teologia fraterna?'/><author><name>Júlio P. T. Zabatiero</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11063006838426779326</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_HQGfi1Q7H4k/TCoI9vCrB6I/AAAAAAAAACI/xO_m_gCgt0s/S220/DSC01172.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry></feed>
